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Sunday, September 25, 2011

TOMARA QUE ENTRE

Já tomamos o Brasil, agora queremos tomar o mundo

Tropa de Elite 2 foi escolhido para representar o Brasil no Oscar do ano que vem. Isso não significa grande coisa: cada país submete apenas uma produção para concorrer a Melhor Filme Estrangeiro, e depois uma comissão da Academia seleciona cinco candidatos entre vários países. Infelizmente, o Brasil não entra na dança desde 1999, quando Central do Brasil concorreu. Quase entrou com O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, mas não. E enquanto a gente não consegue nem ser pré-selecionado, nossos hermanos e maiores rivais já colecionam duas estatuetas de Filme Estrangeiro (A História Oficial, em 1985, e O Segredo dos seus Olhos, ano passado).
Não há dúvida que Tropa de Elite 2 era o melhor que o comitê brasileiro podia escolher. Se tivesse preferido o concorrente famoso, Bruna Surfistinha, ficaria de fora da seleção do Oscar com certeza absoluta. Não sei se Tropa 2 faz o perfil da Academia. Na categoria de Estrangeiro, é impressionante o número de produções que tenham crianças como protagonistas, ou que se passem em tempos de guerra. Tramas violentas demais, no entanto, costumam ser renegadas. Mas acho que o que pesa mais contra Tropa 2 é o 2 do título. Por mais que ele seja superior ao primeiro Tropa (que representa uma visão meio fascista, impossível de agradar aos membros da Academia, mais liberais), não é comum que concorram sequências. Torço para estar enganada, até porque gosto muito de Tropa 2 (e do 1 também). Uma mera indicação faria com que ele fosse mais visto no cenário internacional (por enquanto, os dois Tropas ― embora um sucesso absoluto por aqui ― não engataram em outros países). O Oscar, goste-se ou não dele, continua sendo uma grande vitrine.

Friday, July 29, 2011

CRÍTICA: ASSALTO AO BANCO CENTRAL / O que acontece fora interessa mais

Fiscal da dengue interrompe escavação

Permitam-me ser honesta como sempre. Antes de ir ver Assalto ao Banco Central (mas bem depois de decidir que queria ver o filme), fiquei sabendo, via Twitter, da polêmica envolvendo a produtora e o crítico de cinema Pablo Villaça. Não é nada tão gigantesco, então imagino que tenha um monte de gente que não sabe. Vou contar o que entendi. Pablo, que é crítico profissional com um bom tempo de estrada e muitos leitores, não gostou de Assalto (leiam sua crítica aqui; concordo com algumas coisas — é realmente absurdo o retrato do Lima Duarte no escri, ou “Banco Central” escrito em letras garrafais na tela do computador do banco —, discordo de outras). A produtora de elenco não gostou da crítica de Pablo e escreveu um tweet que parece muito preconceituoso, dizendo que Pablo (que é mineiro) tem cara de cearense. Seria melhor ter ficado quieta, né? Até porque parte do filme foi rodado aqui em Fortaleza. E o que seria cara de cearense? Eu também tenho?
Mas desconfio por que a produtora (que é também a mulher do diretor Marcos Paulo) ficou furiosa com Pablo. Ele exagera em dizer que a aparição de um minuto da também atriz (ela faz a namorada da detetive feita pela Giulia Gam) é caricatural. Sua presença na tela é tão breve e pouco importante que acho injusto pegá-la pra Cristo. Lógico que sua personagem não acrescenta nada pra trama, mas aí a culpa não é da atriz, é do roteiro.
Meu problema com o filme é que não entendi seu propósito. É só entretenimento? Porque, se for, ele não faz rir (na sessão em que eu estava, houve alguns poucos risos baseados unicamente no personagem gay interpretado por Vinicius de Oliveira), não comove, não faz perder o fôlego nas cenas de ação ou de sexo. Li no site deles que o filme é uma obra de ficção. Deve ser, porque eu saí do cinema sabendo menos sobre o assalto ocorrido em Fortaleza do que quando entrei. E, pô, eu fui pra me informar mais sobre a história do maior assalto a banco no Brasil!
Tudo bem, não esperava um documentário. Mas queria conhecer melhor os participantes, suas conexões, o que aconteceu com eles, talvez suas motivações. E também queria saber um pouco mais sobre o local em que o assalto aconteceu. Infelizmente, o filme mostra tão pouco de Fortaleza que poderia ter sido filmado em qualquer lugar. Não deu nem pra saber aonde fica o tal banco.
Eu morava em Santa Catarina na época do assalto, em agosto de 2005. Foi um crime espetacular e muito noticiado pela mídia: um túnel imenso cavado por baixo do banco, e quase 165 milhões de reais roubados. Obviamente envolvia uma grande quadrilha, sem lugar pro amadorismo. Mas meu interesse maior ao longo desses seis anos foi constatar aquele velho clichê de que o crime não compensa. Toda notícia que saía no jornal era de um integrante preso, morto, ou sequestrado, quase sempre extorquido por policiais e outros bandidos. Sei que pouco dinheiro foi recuperado (cerca de 20 milhões em dinheiro e mais outros 20 em bens).
Quase nada disso aparece no filme. Tá, mas se não vão mostrar o planejamento ou a execução do crime, pelo menos vão mostrar o que cada participante faz com o dinheiro, certo? Ahn, não. E olha que essas partes costumam ser minhas fantasias preferidas. Você cometeu um crime e/ou precisa sumir da face da Terra. O que fazer? Praonde ir, pruma cidadezinha no fim do mundo ou pruma metrópole bem distante? Como mudar o nome? Como lavar o dinheiro? Tem como depositá-lo num banco suíço? Eu e o maridão conversamos sobre o assunto após a sessão e constatamos que não levamos o menor jeito pra coisa. Não temos qualquer inteligência criminal. Mas juro que o papo foi mais interessante que o filme.
Desculpe, o elenco tá bem, o filme até tem um ritmo decente, pelo jeito a bilheteria tá indo de vento em popa, e eu sempre torço pro cinema brasileiro dar certo. Mas achei Assalto muito decepcionante. E mais não tenho vontade de falar sobre ele.
Pronto. Se alguém quiser me achar com cara de cearense, já vou avisando que adoro esta cidade e este Estado que escolhi pra morar desde o ano passado. Mas sou tão cearense quanto fui americana durante o ano em que vivi nos EUA.
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