A foto acima é uma das três que Rafinha Bastos divulgou à quase meia noite de ontem, junto ao tweet “Que noite triste pra mim”. Nas outras duas, que reproduzo aqui no post,
uma moça faz massagem no humorista; e duas mulheres o cercam. Ao fundo, seus integrantes de CQC olham da tela pra ele, fingindo indignação. Ainda estou indecisa sobre qual foto é a mais reveladora — essa de cima em que Rafinha ri da Vejinha SP, que lhe dedicou uma matéria de capa chamada “O Rei da Baixaria”, ou a outra dos integrantes do CQC observando sua ovelhinha desgarrada. Vou ficar com a segunda foto. Pra mim, ela simboliza a armação que vem sendo feita pela Band nessa história de suspensão. Porque é óbvio ululante que Rafinha não faria nem divulgaria essas fotos sem o conhecimento do CQC e da emissora.Eu sou ingênua, mas nem tanto. Eu não achava jamais que Rafinha poderia ser demitido da Band. Ele é famoso, faz sucesso, e tem muitos fãs — que adoram as piadinhas preconceituos
as do ídolo. Aliás, se isso for algum indicativo, recebi ontem uns 70 recados de fãs do Raf entre comentários no post e tweets. 99% vinham com ofensas às mulheres, seja a mim — deletei os piores, aqueles que torciam pra que eu fosse estuprada —, ou às duas moças famosas que ele insultou, Daniela e Wanessa. A linha geral é que eu, elas, todas as mulheres, merecemos ser xingadas. Misoginia escancarada mesmo. Esses são os espectadores do CQC, o que põe por terra qualquer ilusão de que o programa é inteligente (porque preconceito é burrice, e só algo muito preconceituoso pra atrair tantos iguais). Suponho que eles devem sacrificar su
as mentes ao deus-TV diariamente. Enfim, eu não apostava em demissão do Rafinha. Mas pensei que, sei lá, uma suspensão pudesse ser de um ou dois meses. Até acalmar a situação.
Nada disso. Ontem no almoço um leitor me enviou um link pra um pequeno artigo do Daniel Castro, que traz várias informações relevantes: Rafinha teria sido afastado por apenas um programa (o de ontem); esta foi uma resposta para os anunciantes, mas também uma estratégia para tirá-lo de cena, porque ele estaria sendo massacrado (pausa pra eu secar as lágrimas); semana que vem ele já estaria de volta, inclusive para apresentar um especial pro Dia da Criança. Ah, o amor!
Como me senti ao ler isso? Feito uma otária. Quer dizer que todo esse carnaval, todo mundo só falando no sujeito e seu programa medíocre, é por causa de uma suspensão de uma semana?! Ou seja, se ele estivesse resfriado e tivesse que faltar a uma semana de trabalho, daria na mesma. É absurdo. E tudo bem que a Band queira enganar toda uma seita de tapadinhos — os fãs do CQC — plenamente dis
postos a serem enganados todo dia. Mas e eu e tantas outras pessoas que têm o bom senso de não dar audiência prum tipo de humor que perpetua preconceitos?
E aí, horas depois, aparecem as três fotos que Rafinha postou no seu Twtitter. O que comprova minhas suspeitas de que foi — é — tudo uma maracutaia. Um golpe de marketing pra promover o programa e limpar a barra de um de seus humoristas. “Não viaja, Lola” disse-me uma das fãs do CQC no Twitter, “foi supensão mesmo e as fotos mais uma babaquice dele. Pagou por elas, os fãs adolescentes adoraram, rs”. É, risos. Vão ter que me convencer que a Band não articulou as fotos com Rafinha.
Não sabemos quanto disso tudo foi uma encenação. Tudo? Até a indignação do Ronaldo e Marco Luque? Creio que não. Mas creio também que todos, ou quase todos, sabiam que a suspensão seria por apenas uma semana. E sabiam que haveria divulgação de
fotos rafísticas de “Que noite triste pra mim”. De uma forma ou outra, tod@s nós (e fomos muit@s) que escrevemos sobre a suspensão ajudamos a azeitar uma engrenagem publicitária.
Não estou arrependida de ter escrito o post de ontem ou qualquer outro que já escrevi sobre esse pessoal. Afinal, o machismo transparece até numa armação. Até num joguinho de cartas marcadas em que somos informados de todos os pedidos de desculpas dados ao marido de Wanessa (e aí? Li em algum lugar que Buaiz estaria pensando em processar Rafinha — duvido), fica claro mais uma vez que o CQC desrespeita as mulheres. Fiquei feliz de ter percebido ontem que ninguém pediu perdão às mulheres; no máximo, a seus maridos. E mulher anônima sem homem não merece perdão algum, lógico (adorei o que uma leitora narrou: que, numa dessas grosserias que ouvimos na rua, um sujeito de bicicleta gritou o de sempre, “Quero te chupar todinha”, ou
algo assim. Só que aí ele percebeu a aliança no dedo da leitora e pediu desculpas. Ele não sabia que ela era casada! Porque tudo bem ser grosso e invasivo com uma mulher sozinha — logo, disponível — mas desculpaí mexer com propriedade alheia!).
O caso todo também abre alguns precedentes interessantes, como os próprios membros do CQC romperem seu discurso constante de “É só uma piada! Humor não pode ter limites! Humor sempre faz vítimas! Ceeeensuuuraaa!”.
Mas que é ruim se sentir manipulada, ah, isso é.
as do ídolo. Aliás, se isso for algum indicativo, recebi ontem uns 70 recados de fãs do Raf entre comentários no post e tweets. 99% vinham com ofensas às mulheres, seja a mim — deletei os piores, aqueles que torciam pra que eu fosse estuprada —, ou às duas moças famosas que ele insultou, Daniela e Wanessa. A linha geral é que eu, elas, todas as mulheres, merecemos ser xingadas. Misoginia escancarada mesmo. Esses são os espectadores do CQC, o que põe por terra qualquer ilusão de que o programa é inteligente (porque preconceito é burrice, e só algo muito preconceituoso pra atrair tantos iguais). Suponho que eles devem sacrificar su
as mentes ao deus-TV diariamente. Enfim, eu não apostava em demissão do Rafinha. Mas pensei que, sei lá, uma suspensão pudesse ser de um ou dois meses. Até acalmar a situação.Nada disso. Ontem no almoço um leitor me enviou um link pra um pequeno artigo do Daniel Castro, que traz várias informações relevantes: Rafinha teria sido afastado por apenas um programa (o de ontem); esta foi uma resposta para os anunciantes, mas também uma estratégia para tirá-lo de cena, porque ele estaria sendo massacrado (pausa pra eu secar as lágrimas); semana que vem ele já estaria de volta, inclusive para apresentar um especial pro Dia da Criança. Ah, o amor!
Como me senti ao ler isso? Feito uma otária. Quer dizer que todo esse carnaval, todo mundo só falando no sujeito e seu programa medíocre, é por causa de uma suspensão de uma semana?! Ou seja, se ele estivesse resfriado e tivesse que faltar a uma semana de trabalho, daria na mesma. É absurdo. E tudo bem que a Band queira enganar toda uma seita de tapadinhos — os fãs do CQC — plenamente dis
postos a serem enganados todo dia. Mas e eu e tantas outras pessoas que têm o bom senso de não dar audiência prum tipo de humor que perpetua preconceitos? E aí, horas depois, aparecem as três fotos que Rafinha postou no seu Twtitter. O que comprova minhas suspeitas de que foi — é — tudo uma maracutaia. Um golpe de marketing pra promover o programa e limpar a barra de um de seus humoristas. “Não viaja, Lola” disse-me uma das fãs do CQC no Twitter, “foi supensão mesmo e as fotos mais uma babaquice dele. Pagou por elas, os fãs adolescentes adoraram, rs”. É, risos. Vão ter que me convencer que a Band não articulou as fotos com Rafinha.
Não sabemos quanto disso tudo foi uma encenação. Tudo? Até a indignação do Ronaldo e Marco Luque? Creio que não. Mas creio também que todos, ou quase todos, sabiam que a suspensão seria por apenas uma semana. E sabiam que haveria divulgação de
fotos rafísticas de “Que noite triste pra mim”. De uma forma ou outra, tod@s nós (e fomos muit@s) que escrevemos sobre a suspensão ajudamos a azeitar uma engrenagem publicitária.Não estou arrependida de ter escrito o post de ontem ou qualquer outro que já escrevi sobre esse pessoal. Afinal, o machismo transparece até numa armação. Até num joguinho de cartas marcadas em que somos informados de todos os pedidos de desculpas dados ao marido de Wanessa (e aí? Li em algum lugar que Buaiz estaria pensando em processar Rafinha — duvido), fica claro mais uma vez que o CQC desrespeita as mulheres. Fiquei feliz de ter percebido ontem que ninguém pediu perdão às mulheres; no máximo, a seus maridos. E mulher anônima sem homem não merece perdão algum, lógico (adorei o que uma leitora narrou: que, numa dessas grosserias que ouvimos na rua, um sujeito de bicicleta gritou o de sempre, “Quero te chupar todinha”, ou
algo assim. Só que aí ele percebeu a aliança no dedo da leitora e pediu desculpas. Ele não sabia que ela era casada! Porque tudo bem ser grosso e invasivo com uma mulher sozinha — logo, disponível — mas desculpaí mexer com propriedade alheia!). O caso todo também abre alguns precedentes interessantes, como os próprios membros do CQC romperem seu discurso constante de “É só uma piada! Humor não pode ter limites! Humor sempre faz vítimas! Ceeeensuuuraaa!”.
Mas que é ruim se sentir manipulada, ah, isso é.
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