Tribuna – O senhor acredita que as oposições vão conseguir construir uma candidatura única em Salvador?
Paulo Fábio Dantas – Vamos ver o que é que você está chamando de oposições.
Tribuna – O DEM, PMDB, PSDB, PR...
Tribuna – Mas a oposição marchará unida contra João Henrique?
Tribuna – O senhor acredita que a candidatura de Mário é para valer?
Dantas – Não sei. Não sou adivinho. O que eu estou achando é que ele está medindo a possibilidade de ser candidato ou não de acordo com a possibilidade de realizar essa aliança. Acho complicado o caminho de Imbassahy numa aliança com Mário, pois o conflito entre os dois aconteceu num passado recente, difícil de contornar. Além disso, o PSDB é um partido na Bahia que tem pontes de entendimento com o governo do estado, sempre teve. É oposição em nível nacional. O governo, se quiser, tem mecanismos para fazer acenos. Não de apoio, mas no sentido de que anime a candidatura do PSDB e dificulte essa aliança completa. Imagino que a essa altura o que ele esteja fazendo é trabalhando nessa linha, mandando recados de que a candidatura pode ter, senão apoio, pelo menos uma atitude do governador como a que teve na última eleição. Eu lembro que Imbassahy apoiou Pinheiro no segundo turno. Acho que essa é uma dificuldade política para essa aliança se formar. Agora, eu acho que as dificuldades no campo governista não são menores para uma candidatura unificada, como Pelegrino imagina que vai ser.
Tribuna – A candidatura de Pelegrino não decola. Por que essa dificuldade, mesmo com tanta movimentação do PT?
Dantas – Eu acho que Pelegrino joga errado há muito tempo. Ele imagina que quanto mais fizer o jogo do governador, mais facilmente terá o apoio generalizado de Wagner e de suas forças políticas. Acho que não é assim. Quanto mais ele faz isso, mais fica parecido com qualquer candidato da base e mais abre caminho para aquela ideia originária do governador de que, quanto mais pulverizada e mais candidatos da base, melhor. Mesmo que Imbassahy viesse a ganhar a eleição, isso não seria nenhuma tragédia para Wagner. Pelo contrário. Se Imbassahy vira prefeito, de repente o governo, como sabe que a prefeitura tem um grau de dependência enorme em relação ao estado, pode ampliar ainda mais o arco de alianças para sair da Bahia quase com a unanimidade. Aliado a isso, a única possibilidade de desembarque na candidatura de Pelegrino de todas as forças políticas seria uma intervenção direta do governador no sentido de bancar isso. Acho que Wagner não tende a fazer isso. Não tem a ver com sua política. Pelegrino perde tempo ao imaginar que se viabilizará por esse caminho.
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