Nunca vi muita pornografia e o pouco que vi eu não gostei. Não gosto do caráter misógino que constitui boa parte da indústria pornô mainstream, e detesto que seja justamente através desse material que a m
aioria dos meninos "aprenda" sobre sexo. Mas talvez o que mais me incomode mesmo é o caráter industrial, capitalista, de um negócio que tem muito mais a ver com dinheiro que com sexo. É uma longa discussão. Li alguns livros e artigos de pessoas que escrevem contra a pornografia, como Gail Dines, Robert Jensen e Pamela Paul, e faz meses que quero redigir alguns posts baseados no que li, mas nunca encontro tempo. Por enquanto, achei um site (em inglês) que, à primeira vista, reflete as minhas visões sobre porn. Obviamente, não me oponho à indústria pornô por crenças religiosas (que não tenho) ou moralistas
(aliás, chamar de moralista quem não curte porn é parecido com dizer que ateu não tem valores morais. Valores e ética não são exclusividade de qualquer religião, assim como sexo está longe de ser exclusividade da indústria pornô. É plenamente possível adorar sexo e defender a liberdade sexual e ainda assim ser contra a comercialização do sexo). Sou contra a censura; ou seja, não quero que a pornografia seja banida. Mas quero que, como deveríamos fazer em todas as outras comodidades culturais que desfrutamos (filmes, livros, músicas etc), as pessoas reflitam também sobre a pornografia que consomem.
Toda vez que começo a redigir essas mal-traçadas, alguém me pergunta sobre Erika Lust, famosa pornógrafa feminista nascida na Suécia e hoje vivendo na Espanha. Pois é, nunca vi nenhum de seus filmes -- feitos para excitar principalmente mulheres --, mas concordo com os clichês que ela aponta como banais na indústria de sempre (traduzidos pro português num post das Blogueiras Feministas). Erika inclusive tem um livro chamado Good Porn: A Woman's Guide. O título já sugere que existe uma pornografia não muito boa. E há outras d
iretoras que fazem pornografia pra mulheres.
Esses dias, li um post interessante da pornógrafa Tristan Taormino explicando o que é pornografia feminista. É longo, mas vale a pena a leitura. Traduzi algumas partes:
“Quero criar pornografia que não rebaixe mulheres ou homens. Trabalho conscientemente para criar imagens que contradizem (e com sorte problematizem) outra pornografia que representa homens e mulheres como objetos unidimensionais em que os homens são robôs sexuais e as mulheres são veículos para seu prazer. A pornografia feminista é uma que empodera espectador@s, tanto mulheres quanto homens: lhes dá informação e ideias sobre sexo. Inspira fantasias e aventu
ras. Valida espectador@s quando se veem a el@s mesmos ou parte da sua sexualidade representada. Ela se contrapõe às outras mensagens que recebemos da sociedade: que sexo é sujo, vergonhoso, perigoso, assustador, ou que é o domínio dos homens, onde apenas seus desejos e fantasias são concretizados. Apresenta sexo como algo divertido, alegre, seguro, mutual e satisfatório. A pornografia feminista responde às imagens dominantes com imagens alternativas e cria sua própria iconografia. Ela se esforça para representar uma diversidade de identidades e expressões de gênero, orientações sexuais, fantasias, desejos, papéis sexuais e atividades, raças e etnias, tipos de corpo, e minorias historicamente subrepre
sentadas ou mal representadas. Ela desafia normas culturais de beleza e apelo sexual, heteronormatividade e estereótipos de classe, e a própria definição do que 'sexo' é e o que deveria ser”.
Vale lembrar que, apesar das suas boas intenções, a pornografia feminista ainda é uma gotinha no oceano do universo pornô. Prometo voltar ao assunto da pornografia neste ano que acabou de começar, já que trata-se de um tema que (ainda) divide as feministas.
aioria dos meninos "aprenda" sobre sexo. Mas talvez o que mais me incomode mesmo é o caráter industrial, capitalista, de um negócio que tem muito mais a ver com dinheiro que com sexo. É uma longa discussão. Li alguns livros e artigos de pessoas que escrevem contra a pornografia, como Gail Dines, Robert Jensen e Pamela Paul, e faz meses que quero redigir alguns posts baseados no que li, mas nunca encontro tempo. Por enquanto, achei um site (em inglês) que, à primeira vista, reflete as minhas visões sobre porn. Obviamente, não me oponho à indústria pornô por crenças religiosas (que não tenho) ou moralistas
(aliás, chamar de moralista quem não curte porn é parecido com dizer que ateu não tem valores morais. Valores e ética não são exclusividade de qualquer religião, assim como sexo está longe de ser exclusividade da indústria pornô. É plenamente possível adorar sexo e defender a liberdade sexual e ainda assim ser contra a comercialização do sexo). Sou contra a censura; ou seja, não quero que a pornografia seja banida. Mas quero que, como deveríamos fazer em todas as outras comodidades culturais que desfrutamos (filmes, livros, músicas etc), as pessoas reflitam também sobre a pornografia que consomem.
Toda vez que começo a redigir essas mal-traçadas, alguém me pergunta sobre Erika Lust, famosa pornógrafa feminista nascida na Suécia e hoje vivendo na Espanha. Pois é, nunca vi nenhum de seus filmes -- feitos para excitar principalmente mulheres --, mas concordo com os clichês que ela aponta como banais na indústria de sempre (traduzidos pro português num post das Blogueiras Feministas). Erika inclusive tem um livro chamado Good Porn: A Woman's Guide. O título já sugere que existe uma pornografia não muito boa. E há outras d
iretoras que fazem pornografia pra mulheres.Esses dias, li um post interessante da pornógrafa Tristan Taormino explicando o que é pornografia feminista. É longo, mas vale a pena a leitura. Traduzi algumas partes:
“Quero criar pornografia que não rebaixe mulheres ou homens. Trabalho conscientemente para criar imagens que contradizem (e com sorte problematizem) outra pornografia que representa homens e mulheres como objetos unidimensionais em que os homens são robôs sexuais e as mulheres são veículos para seu prazer. A pornografia feminista é uma que empodera espectador@s, tanto mulheres quanto homens: lhes dá informação e ideias sobre sexo. Inspira fantasias e aventu
ras. Valida espectador@s quando se veem a el@s mesmos ou parte da sua sexualidade representada. Ela se contrapõe às outras mensagens que recebemos da sociedade: que sexo é sujo, vergonhoso, perigoso, assustador, ou que é o domínio dos homens, onde apenas seus desejos e fantasias são concretizados. Apresenta sexo como algo divertido, alegre, seguro, mutual e satisfatório. A pornografia feminista responde às imagens dominantes com imagens alternativas e cria sua própria iconografia. Ela se esforça para representar uma diversidade de identidades e expressões de gênero, orientações sexuais, fantasias, desejos, papéis sexuais e atividades, raças e etnias, tipos de corpo, e minorias historicamente subrepre
sentadas ou mal representadas. Ela desafia normas culturais de beleza e apelo sexual, heteronormatividade e estereótipos de classe, e a própria definição do que 'sexo' é e o que deveria ser”. Vale lembrar que, apesar das suas boas intenções, a pornografia feminista ainda é uma gotinha no oceano do universo pornô. Prometo voltar ao assunto da pornografia neste ano que acabou de começar, já que trata-se de um tema que (ainda) divide as feministas.

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