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Saturday, June 2, 2012

UMA IMAGEM ANTOLÓGICA

Sei que há muitas críticas à Marcha das Vadias. As mais embasadas vêm das próprias feministas. Eu também não gosto do nome, acho muito difícil dar um novo significado a uma palavra tão pejorativa quanto vadia (que é apenas uma entre as mais de duzentas usadas para condenar o comportamento sexual de qualquer mulher), sinto que as mensagens não são entendidas pelo público leigo. Mas gosto muito da energia, da irreverência, da organização horizontal, não hierárquica, e do poder que as marchas têm de atrair novas militantes. Enquanto não inventarem um protesto mais chamativo, sigo sendo a favor das marchas.
E, convenhamos: qualquer evento popular que renda uma foto como essas não pode ser de todo ruim. 
Esta foto fala comigo em muitos níveis (tem um vídeo também). É empoderadora. Mostra união, mostra força, mostra que não vamos mais nos calar, que não vamos mais baixar a cabeça pros abusos, que somos aliadas nesta luta. O babaca cínico de braços abertos, como se dissesse "É só uma piada", e todas nós apontando o dedo pra ele.
A Marcha das Vadias de Brasília publicou um post muito bom sobre o assunto. Concordo totalmente com a argumentação: havia centenas de homens numa manifestação com mais de cinco mil pessoas. Claro que a maior parte estava marchando junto, mas é possível imaginar que, nessa multidão, havia homem que foi ver mulheres com seios descobertos, ou, sei lá, fazer seu protesto silencioso. 
Como diz o blog: “Seria realmente plausível que uma marcha de milhares de pessoas se colocasse contra um cara que estivesse simplesmente quieto?”. Se o cara estava assediando as manifestantes, falando palavras agressivas, ameaçando (e, se um sujeito desses tem a “coragem” de fezer isso no meio de uma multidão de mulheres, o que será que faz quando está sozinho com apenas uma?), as manifestantes têm total direito de se revoltarem contra ele. Aliás, o panaca se envolveu com a marcha errada. A de Brasília é a maior e mais organizada do país. Tem um aparato de segurança formado pelas próprias mulheres, no melhor esquema de “mexeu com uma, mexeu com todas”. As críticas à reação das manifestantes são previsíveis e dizem muito sobre quem critica. Segundo o blog:
“É impressionante como incomoda o fato de mulheres resistirem e reagirem diante da violência que as atinge. Incomoda porque homens assim não estão acostumados a verem mulheres se colocando contra a violência que sofrem, resistindo e se unindo contra qualquer tipo de agressão que recaia sobre uma de nós. Incomoda porque não faz sequer parte do universo simbólico desses homens qualquer possibilidade das mulheres perceberem como violência abordagens constrangedoras e atitudes masculinas agressivas muitas vezes consideradas naturais pela nossa sociedade. Incomoda porque as nossas demandas e aquilo que nos agride são coisas vistas, por esses caras, sempre como secundárias, menos importantes ou até irrelevantes.”
Desculpem, mas não pude deixar de coletar alguns comentários de um fórum mascu. É um registro de como estamos incomodando. E de comos eles estão desnorteados.

- Seria esse nobre cidadão um GDR? [Guerreiro da Real, um dos braços do masculinismo brasileiro].
- Li no facebook que é apenas um cara usuario de drogas inclusive, que apenas andava pela rua e ao ver tantos cartazes tratando homens como animais (exatamente como Hitler e os nazistas faziam com os judeus) se se revoltou a declamar em voz alta sua revolta. Precisamos mais do que nunca nos unir, pois agora as feminazistas mostram que tem unidades de espancamento como na época de Hitler, dai para assassinatos é só um passo.
- Vi uma imagem agora, um monte de barangas juntas e umas parecendo homem, com as tetas de fora, e uma mostrando até a xota. Essa foi pra acabar o dia. [Ver vagina acaba com o dia dos mascus. Ainda bem que eles não costumam ver muitas].
- Nao sao direitos iguais?? querem mostrar os peitos os homens tambem tem direito de mostar o pau. [Mostra a cara antes, benzinho. E tudo bem que o mascu pelo jeito nunca viu peitos, mas eles são meio diferentes de um pênis].
- Essa p*taria já deu o que tinha que dar tem que meter a p*rrada nessa baderna porra, ja perturbaram a ordem publica.
- E tem gente que ainda se pergunta porque nos usamos fakes. Meter a real de cara limpa é suicídio social.
- O pior é que a PM chega e elas reclamam que não tem o direito de se expressar, de MATAR o outro.  Uma marcha dessas deveria ser proibida, que se f*dam se elas vão ficar revoltadas, qualquer coisa é descer o pau e acabou.
- Eu ainda sonho com o momento em que nós, masculinistas, unidos, sairemos às ruas de regata branca, óculos Ray Ban Aviator e pochete na cintura, seria épico! E, tenham certeza, que uma manifestação assim, mesmo que com apenas uns 30 caras, se tivesse alguma cobertura jornalística, seria um marco e renderia bons frutos para nosso movimento.
- Totalmente de acordo Arlindaoviril. Mas teria que ser muito bem preparado porque farao de tudo para nos tachar de revoltados e machistas. Tem que ser organizado... faixas que tenham reais violentas e inquestionáveis. [Alguns exemplos de “reais violentas e inquestionáveis” que eles vem jogando no Twitter:]
- Imaginem se a Real não existisse?? Estariamos f*didos nessa sociedade b*cetista. Somos a última esperança dos homens.
Quando a última esperança dos homens é um grupo de anônimos com foto de superherói, quando um sujeito como o que confrontou a marcha é tratado como herói, é sinal que não há muita esperança. Mas ninguém está ameaçando os homens. Estamos ameaçando um sistema falido, um modelo de masculinidade ultrapassado.
E antes de falar besteira que estou promovendo uma guerra dos sexos, primeiro: sou contra a violência. Mas acho legítimo que grupos historicamente oprimidos escolham a forma de reagir à violência. Não existe apenas uma forma de reação -- existem várias. E deixar que o grupo opressor escolha as armas, digamos assim, com que o grupo oprimido vai se defender... bem, é opressor também, não? 
Segundo, não tenho a menor raiva de homens. Amo homens. Adoro, inclusive, homens feministas. Mas homens (e mulheres) machistas, racistas, homofóbicos, preconceituosos de modo geral... Não tenho o menor respeito por vocês. Acho que vocês estão atrasados e já deveriam ter se retirado de cena há algumas décadas. Mas, já que continuam por aqui neste mundo que vem mudando, vocês não têm mais a liberdade de serem preconceituosos e receberem tapinhas nas costas.
Chega de termos medo. São vocês que ficaram pra trás que têm que temer. Ou abrir a mente e mudar. Ou continuar habitando um universo paralelo em que planejam protestos (contra o quê?) apenas nas suas cabeças.

Thursday, May 31, 2012

JOÃO PESSOA, AQUI VOU EU

Pessoas queridas de João Pessoa, como eu disse no domingo (e fiquei de passar maiores informações), segunda-feira estarei aí para uma palestra. Será apenas minha segunda vez nessa cidade fantástica. Portanto, aceito paparicações pra me levar pra conhecer um tiquinho do lugar. Se vocês quiserem, podemos almoçar junt@s na segunda. Não terei muito tempo, pra variar.
Minha palestra será dia 4 de junho, no Auditório do edifício-sede dos Correios  na Paraíba (BR 230, KM 24, 1° andar, Cristo Redentor). O tema é A Representação da Mulher na Mídia. Será às 15h30, que não é um horário ideal, eu sei, mas é que a palestra é principalmente pr@s funcionári@s dos Correios, e faz parte de um projeto de Empoderamento Feminino na empresa, uma ação regional ligada à política nacional dos Correios de promoção da equidade de gênero, raça e orientação sexual (demais, hein?). A organização do evento reservou trinta vagas para pessoas de fora, e tem gente se inscrevendo. Portanto, se você quiser assistir (é grátis), apresse-se (parece arrogante dizer isso, alô pessoal que diz que eu afasto interessad@s do feminismo, mas minhas palestras têm lotado) e envie um email para ascom-pb@correios.com.br
Minha agenda é corrida. Chego domingo depois da meia noite, dou palestra às 15:30, volto pra Fortaleza (via Salvador) às 4:40 da matina de segunda pra terça. E claro que preciso trabalhar no computador, escrever um artigo, preparar aula. Mas, como ficarei no que parece ser um ótimo hotel em Cabo Branco, vou dar um pulinho na piscina e quem sabe atravessar a avenida pra falar oi pro mar (nessas horas eu queria muito que o maridão pudesse viajar comigo, chuif). Mas acho que mais ou menos no horário de almoço e jantar de segunda, estarei livre.
Vou levar cinco exemplares do meu livro recém-lançado (os únicos que tenho comigo) pra, se alguém quiser comprar, eu já dedico na hora. Algum dia -– tenho fé -– anuncio a noite de autógrafos em Fortaleza e o jeito de comprar o livro pelo correio. O que eu queria é que a editora mandasse quase todos os livros pra mim, e aí eu me encarregaria de vendê-los. Porque fica difícil vender livros sem um site, né?
Aproveito pra dizer que amei a noite de autógrafos em SP no dia 21, o evento na USP no dia 22, o evento na Unicamp na segunda... Todo mundo me trata com muito carinho. É sempre bom trocar ideias com vocês pessoalmente. Obrigada, me sinto amadona!

Tuesday, May 29, 2012

DUAS OU TRÊS OPINIÕES CONTROVERSAS SOBRE ESTUPRO

Esta vem do blog I Blame the Patriarchy, de um post de 2006 (eu li faz um tempão, achei interessante, traduzi, e o esqueci numa dessas gavetas também conhecidas como arquivo de computador):
“Estupro não é um apenas um conjunto de incidentes cometidos por um contingente de psicopatas. É, como disse Susan Brownmiller, 'um processo consciente pelo qual todos os homens mantêm todas as mulheres num estado de medo'.
Se você é um homem, e não estupra mulheres, bom pra você, mas se você me mandar um comentário elaborando como o seu autocontrole nobre e pessoal invalida a afirmação de Brownmiller, você estará apenas se envergonhando. Independente do tipo de homem que você é, você se beneficia de mil formas diferentes da subordinação feminina perante a violência sexual. Os estupradores de verdade criam o choque e o espanto, mas eles são apenas a infantaria; cabe a você acabar o trabalho.
Você faz isso demonizando feministas, alugando mulheres para lap dances, deixando que os estupradores sejam absolvidos em corte, comprando lingerie sexy pra sua mulher, parabenizando sua namorada na plástica pros seios que fez, ignorando estupros em massa em lugares onde há guerra, passando o endereço virtual do último vídeo-sensação pornô, encarando sem parar a menina no ponto de ônibus, deixando que sua mãe lave sua roupa, “dando” sua filha em casamento, votando em gente que quer controlar os úteros, pressionando sua namorada a fazer anal porque todos seus amigos fazem, tendo uma opinião sobre o tamanho dos lábios vaginais, argumentando que striptease dá poder às mulheres [...], por sua inabilidade em conceber sexo sem dominação, e pela recusa, mesmo após trinta anos de mulheres inteligentes e estudadas te falando o contrário, em conceder que você não vê verdadeiramente as mulheres como você vê a si mesmo.
Mas a situação pras mulheres, você pode querer discutir, já que ouviu falar que homens começaram a compartilhar o trabalho doméstico, melhorou muito. Você acha? Então por que uma mulher americana é estuprada a cada dois minutos, e como 78% dos estupradores são maridos, namorados, ou paqueras? Menos de 16% desses estupros são notificados. O tempo médio que os poucos condenados cumprem de pena: onze meses.”

Se você achou o pedaço do post acima provocativo, espere até ler este, que é de um post de 2008 de outro blog feminista radical americano, Rage Against the Man-chine. Uma feminista sugere, apenas como exercício de pensamento (não pra levar a cabo), que, em casos de estupro, a lei seja mudada. Ao invés da vítima ter que provar que foi estuprada (o que em muitos casos não dá pra provar), o acusado é que deveria ter que provar que não estuprou:
“Há um perigo inerente nesse sistema que alguns homens inocentes seriam punidos, e isso é lastimável. Não é mais lastimável, porém, que o fato dos homens estuprarem com impunidade em proporções epidêmicas simplesmente porque suas vítimas não conseguem provar a uma sala cheia de misóginos que elas não consentiram a um ato sexual. As vítimas determinarão se um crime ocorreu, não os réus. Isso pode assustar os homens, e alguns deles dirão que as mulheres usarão a lei para puni-los, só por vingança. Isso pode acontecer raramente, mas a intenção é proteger o máximo de pessoas possíveis, e acusações falsas de estupro representam um centésimo dos estupros que não são punidos.”
Ela apresenta a ideia revolucionária de que, assim, os homens só poderiam fazer sexo com as mulheres que querem fazer sexo com eles: “estupro é uma punição por ser mulher”.
Como você pode imaginar, muitos comentaristas sentiram-se ultrajados por sua sugestão. E isso realmente é uma constante em qualquer discussão sobre estupro: os homens sentem-se acusados, acuados, dizem que não têm nada a ver com o tema, que não são estupradores e acabou. Não seria mais interessante canalizar essa revolta não contra quem te lembra que estupro existe, mas contra o crime do estupro em si? Nos EUA, por exemplo, há grupos de Men Can Stop Rape (Homens Podem Parar com o Estupro). Espero que sejam muito mais numerosos que grupos de Acusações Falsas de Estupro, quase sempre formados por mascus (pra eles, todas as acusações de estupro são falsas. Estupros só acontecem nas cadeias, entre prisioneiros. E quem liga pra eles? Não os mascus).
Este comentário entre os 202 deixados no post da Rage deve ter sido escrito por um mascu: “Se as mulheres não querem ser estupradas elas deveriam parar de beber. Sinto muito que homens são mais fortes e podem estuprar mulheres mas isso é genético e foi Deus quem quis assim”. Aham. Pelo menos ele sente muito.
Isto também é um pouco antigo, mas talvez sirva de inspiração pro grupo (já com mais de 270 membros) iniciado poucas semanas atrás pra combater in loco a propaganda sexista. Sei que vocês não fazem apologia à pichação, meninas. Foi assim: uma empresa acostumada a fazer comerciais e anúncios machistas, a American Apparel, teve que trocar um de seus outdoors nos EUA. Ele mostrava uma mulher sem rosto em pose insinuante.
Um carinha passou lá, viu o anúncio, ficou indignado com o tratamento que a propaganda dá às mulheres, foi pra casa, pegou tinta grafitti, voltou pro local, esperou até as 4 da manhã, e deixou lá o seu protesto: “Gee, I wonder why women get raped?” (“Puxa, eu me pergunto por que as mulheres são estupradas”). A empresa teve que trocar o outdoor. Detalhe: o presidente da empresa já foi acusado cinco vezes de assédio sexual.

Sunday, May 27, 2012

O GRANDE SUCESSO DA MARCHA DAS VADIAS

Pelas fotos e vídeos que pude ver, as várias Marchas das Vadias realmente tomaram o país ontem em pelo menos 14 cidades. Hoje tem mais, em Belém e Porto Alegre, e ainda haverá outras nos próximos dias. 
Pelo entusiasmo das participantes e também dos participantes (já que, em todas as marchas, tem muito homem bacana que protesta junto), pela consciência política que esse ativismo incita nas manifestantes, até pela vasta divulgação na mídia tradicional, não se pode negar que as marchas sejam um sucesso. Só não sei até que ponto a mensagem é entendida por pessoas leigas, sem nenhum envolvimento com feminismo, luta política, movimento estudantil, nada. Não estou falando dos machistas -- a gente sabe como qualquer protesto por direitos é "entendido" por eles --, mas de pessoas comuns mesmo. 
Mas esta foi apenas a segunda edição e temos muito chão pela frente. E claro que a resistência contra qualquer um de nossos avanços é e será forte. Quanto mais conquistas, mais resistência. É sempre assim. Se olharmos por esse lado, a indignação dos machistas é um claro sinal de que estamos conseguindo mudar o mundo.
Selecionei algumas fotos que mais me agradaram. Uma escolha totalmente pessoal. Há cidades que tiveram a marcha e não encontrei fotos, só vídeos (como este animadíssimo da marcha em Natal, ou este que deve ter sido o começo da marcha em Vitória).
Adorei esta frase, "Eu não vim da sua costela, é você que veio do meu útero". Apareceu em diversos lugares. Esta é da marcha de SP.
Esta frase captada na marcha de Florianópolis (ou será a de Brasília?) também é ótima: "Quero borrar meu batom e não meu rímel". O pessoal que não entende os propósitos da Marcha das Vadias também vai quebrar a cabecinha pra entender esse cartaz.
Na marcha de Belo Horizonte, manifestante segura cartaz que já virou um belo grito de guerra.
Super cheia a marcha de BH, hein? Adorei o cartaz de "Respeito é bom e a gente goza", que pode ser visto neste ótimo vídeo da marcha de BH.
E a Tetê, esta menina fofa na marcha de BH, adaptando o clássico "Meu corpo, minhas regras", desde já vira a mascote das marchas.
A única foto que encontrei até agora da Marcha das Vadias de Florianópolis.
Antes da marcha de SP começar, manifestantes se reuniram para bolar cartazes. Obviamente que os cretinos usarão talvez o único cartaz escrito errado (mexer com ch, não na foto) pra inviabilizar o feminismo em todo o mundo. Vão se catar, reaças!
A gloriosa marcha de SP em plena Rua Augusta. Quanta gente! Parabéns, pessoal, por tornar a marcha de SP um evento com organização coletiva e claramente feminista.
Na marcha do Rio, manifestante usa seu corpo para promover uma revolução.
Dizem que houve um princípio de tumulto na marcha do RJ, quando @s manifestantes passaram em frente à uma igreja. Mas, a julgar por esta notícia na Folha, é uma não-notícia (quer dizer, percebam à ênfase dada à "confusão" com o restante das linhas dedicadas ao fato). Aliás, baseando-se nesse episódio, a grande mídia tratou a Marcha das Vadias da mesma forma que trata qualquer manifestação social: como baderna. A manchete do Jornal do Brasil é "Marcha tumultua Copacabana". Pros conservadores, protestar é sinônimo de tumultuar.
A gente pode -- e deve -- gritar contra o reacionarismo da igreja, só que não precisa entrar em uma pra isso. Enfim, não sei o que aconteceu, e desculpe, não parece importante. E não sei se este vídeo é referente ao "tumulto", mas gostei de como as manifestantes enfrentaram os policiais: "a rua é nossa!".
A faixa principal da Marcha das Vadias, Recife, 2012.
Várias manifestantes da marcha de Recife protestaram contra o professor da UFPE, que foi condenado pela Justiça por abusar de uma orientanda, mas continua dando aula (pois cabe recurso). Tenho recebido emails de alunas da UFPE perguntando o que podem fazer -- elas não querem ter aula com uma pessoa dessas, mas também não querem atrasar sua graduação. Como é que fica, UFPE?
Esta é de Brasília. O manifestante usou uma frase daqui do blog, que honra! Mas acho que resume bem: nosso barulho é permanente. E o seu machismo?
Acostumem-se: viemos pra ficar. 
Desculpem usar este espaço, mas daqui a pouquinho viajo pra Campinas. Amanhã, às 17:30, estarei na Unicamp (Anfiteatro do IEL, no corredor da pós-graduação) para uma mesa sobre o machismo na universidade. Também estarão na mesa representantes da ANEL (Assembleia Nacional de Estudantes - Livre) e do coletivo feminista Rosa Lilás. Tem uma página no Facebook sobre o evento, que vai contar com várias outras atividades fascinantes, em outras datas. Pessoas de Campinas, apareçam! 
Ainda não sei todos os detalhes, mas dia 4 de junho (ou seja, não amanhã, mas na outra segunda) estarei em João Pessoa para uma palestra nos Correios. A organização reservou trinta vagas para o público em geral. É grátis, é só se inscrever pelo email ascom-pb@correios.com.br (passo mais detalhes num post mais pra frente).
E só vou poder falar do lançamento do meu livro (segunda passada, em SP) na semana que vem. Foi muito bom, veio um monte de gente, recebi vários chocolates, presentes e abraços, e ainda consegui vender 45 exemplares! Lá pela metade de junho quero fazer uma noite de autógrafos aqui em Fortaleza também. Eu aviso.
Por enquanto, o livro pode ser encontrado nas livrarias Edusp (se não tiver, pode encomendar) ou pelo televendas (11) 3091-4150 ou 3091-4008. É ridículo, eu sei, mas ainda não tenho um link pra vendas pela internet.
Agora preciso sair correndo! Pego o voo em breve. E lógico que ainda não preparei nada pra amanhã.

Saturday, May 26, 2012

MARCHA DAS VADIAS TOMA CONTA DO PAÍS HOJE

Pelos meus cálculos malfeitos, hoje a Marcha das Vadias acontece em pelo menos quinze cidades brasileiras. Dê uma olhada aí embaixo nas cidades, horários e local da concentração, junte uma turma ou vá sozinh@, participe. É importante.
Eu sou uma das que não gostam muito do nome, porque acho complicado resignificar uma palavra tão forte como vadia. Pensava que manifestações com esse nome seriam uma onda mundial de um ano só, o ano passado, em resposta à babaquice que um policial disse numa universidade canadense -– que, se as mulheres quisessem deixar de ser estupradas, elas deveriam parar de se vestir como vadias. Como se a nossa roupa fizesse alguma diferença! Como se mulheres de burca não fossem estupradas!
Tive minhas queixas em relação às marchas de 2011. Além do nome, difícil de ser compreendido por gente que não entende ironia, houve outras coisas. A organização da marcha de SP (a primeira marcha do país), fez ferrenhas declarações anti-feministas. E não vi aquela organização como algo horizontal, como foi, por exemplo, a maior e mais animada marcha de 2011, a de Brasília (para este ano, felizmente, as feministas de SP tomaram a marcha pra si. Espero que seja um sucesso). Critiquei também, e aqui faço o meu mea culpa, a presença de homens vestidos de mulher na marcha de Recife. Perdão. Quando vi meu querido futuro aluno Carlos marchando em Fortaleza, mudei de ideia. Acho mais é que tem que ter homem “vestido de vadia” (seja lá o que for isso).
A verdade é que qualquer resistência que eu pudesse ter pela Marcha foi derrubada quando participei da de Fortaleza e quando vi o entusiasmo que tomou conta de jovens de todo o país. Para muitas, foi o primeiro “protesto”, digamos assim, feminista -– e aqui vai sem aspas, porque não consigo ver um evento que luta pela liberdade da mulher e contra a violência (e que usa motes feministas) como algo que não seja feminista. E não tem como não se deixar contagiar. É lindo ver que você não está sozinha, que tem um monte de gente pronta pra lutar contigo. É enriquecedor fazer e segurar faixas, cantar junto, parar o trânsito, dar as mãos, sentir-se parte de um grupo que fala (muito) alto.
E não vou negar: só de ver como as marchas deixam indignados os machistinhas e moralistas de plantão já me deixa sorridente.
Ano passado tive a oportunidade de participar de uma mesa na UnB poucos dias depois que a marcha foi realizada em Brasília. E o lugar transpirava ativismo, feminismo, vontade de mudar o mundo. Quero muito crer que essa vai ser a atmosfera que vou respirar na Unicamp na segunda-feira (Campinas já teve sua marcha este ano, mas muitas feministas irão pra SP marchar lá). Verifique onde serão as marchas hoje:

Brasília, 13 horas, Conic, próximo à rodoviária do Plano Piloto
São Paulo, 13 horas, Praça do Ciclista
Rio de Janeiro, 13 horas, Posto 4 da Av. Atlântica
Belo Horizonte, 13 horas, Praça Rio Branco (Praça da Rodoviária)
Salvador, 13:30, Praça da Piedade
Recife, 14 horas, Praça do Derby
Vitória, 14 horas, UFES
Florianópolis, 10 horas, Catedral no centro
Natal, 10 horas, Feira do Alecrim
Curitiba, 18 horas, Reitoria da UFPR
Criciúma, 10 horas, Praça Nereu Ramos
São Carlos, 9 horas, Praça Santa Cruz
São José dos Campos, 10 horas, Praça Afonso Pena
Amanhã: Belém, 9 horas, Estação das Docas
Porto Alegre, 14 horas, Arcos da Redenção

Pra quem ainda tem dúvida sobre por que participar da Marcha das Vadias, este vídeo divertido feito pelas feministas de Brasília (ótimas atrizes, vocês!) apresenta algumas respostas.
E, pra uma inspiração mais lírica, eis o poema que Campinas declamou:

Marcha das Vadias

Vá-dia de violência contra a mulher;
Vá-dia de estupro;
Vá-dia de soco, pontapé, pancada;
Vá-dia da palavra mal colocada.

Hoje é dia de não adiar:
não adiar os milênios 
de Pudor
de Medo
de Violação

Homenagem de Ina Emery às marchas
Se somos iguais, me mostre a diferença:
não sacrifique seu desejo em mim!

Vá-dia, e adia o silêncio:
das mães
das filhas
das santas e das putas
Dessas nós, mulheres!

Que de corpo marcado
Trazemos a cara pintada
Pra ter a alma lavada:
Basta!
 
Marcha das Vadias Campinas 2011

Achei uma ideia maravilhosa que a maior parte das marchas se concentre no mesmo dia. É hoje, gente! Vamos às ruas!

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