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Thursday, May 31, 2012

JOÃO PESSOA, AQUI VOU EU

Pessoas queridas de João Pessoa, como eu disse no domingo (e fiquei de passar maiores informações), segunda-feira estarei aí para uma palestra. Será apenas minha segunda vez nessa cidade fantástica. Portanto, aceito paparicações pra me levar pra conhecer um tiquinho do lugar. Se vocês quiserem, podemos almoçar junt@s na segunda. Não terei muito tempo, pra variar.
Minha palestra será dia 4 de junho, no Auditório do edifício-sede dos Correios  na Paraíba (BR 230, KM 24, 1° andar, Cristo Redentor). O tema é A Representação da Mulher na Mídia. Será às 15h30, que não é um horário ideal, eu sei, mas é que a palestra é principalmente pr@s funcionári@s dos Correios, e faz parte de um projeto de Empoderamento Feminino na empresa, uma ação regional ligada à política nacional dos Correios de promoção da equidade de gênero, raça e orientação sexual (demais, hein?). A organização do evento reservou trinta vagas para pessoas de fora, e tem gente se inscrevendo. Portanto, se você quiser assistir (é grátis), apresse-se (parece arrogante dizer isso, alô pessoal que diz que eu afasto interessad@s do feminismo, mas minhas palestras têm lotado) e envie um email para ascom-pb@correios.com.br
Minha agenda é corrida. Chego domingo depois da meia noite, dou palestra às 15:30, volto pra Fortaleza (via Salvador) às 4:40 da matina de segunda pra terça. E claro que preciso trabalhar no computador, escrever um artigo, preparar aula. Mas, como ficarei no que parece ser um ótimo hotel em Cabo Branco, vou dar um pulinho na piscina e quem sabe atravessar a avenida pra falar oi pro mar (nessas horas eu queria muito que o maridão pudesse viajar comigo, chuif). Mas acho que mais ou menos no horário de almoço e jantar de segunda, estarei livre.
Vou levar cinco exemplares do meu livro recém-lançado (os únicos que tenho comigo) pra, se alguém quiser comprar, eu já dedico na hora. Algum dia -– tenho fé -– anuncio a noite de autógrafos em Fortaleza e o jeito de comprar o livro pelo correio. O que eu queria é que a editora mandasse quase todos os livros pra mim, e aí eu me encarregaria de vendê-los. Porque fica difícil vender livros sem um site, né?
Aproveito pra dizer que amei a noite de autógrafos em SP no dia 21, o evento na USP no dia 22, o evento na Unicamp na segunda... Todo mundo me trata com muito carinho. É sempre bom trocar ideias com vocês pessoalmente. Obrigada, me sinto amadona!

Friday, May 11, 2012

UMA ZONA DE PERIGO CHAMADA FRIENDZONE

Eu noto que sou uma pré-histórica jurássica da era mesozoica quando o pessoal da nova geração fala em friendzone. Ok, antes disso também. Na minha adolescência a gente nem usava o termo “ficar” ainda. Mas é um exemplo de como aprendo com vocês. Em vários posts vocês têm deixado comentários incríveis sobre essa tal da “zona da amizade”, que é, pelo que eu entendi, o grande temor masculino de que a menina o veja apenas como amigo. Lógico que um conceito desses se baseia no mito como “homem e mulher não podem ser amigos, porque o cara sempre vai querer transar com a amiga”, que se baseia em outro mito, aquele de que mulher não gosta de sexo (porque, se gostasse, transaria com todo mundo. Imagino que o friends with benefits – que é a nossa velha “amizade colorida” – envolva mulheres também, não?). Bom, em vez de eu continuar falando besteira, vou deixar vocês com alguns comentários perspicazes de lind@s leitor@s sobre friendzone.

Beatriz: “Tenho ÓDIO dessa história de friendzone. Sou nerd, quietinha, cheia de amigos homens, que constantemente me acusam de deixá-los na friendzone e só sair com 'cafas'. Eles acham que estão sendo super legais comigo, mas querem saber? Não estão.
O amigo que tipicamente leva um fora meu sempre é um cara com quem eu até ficaria se ele não agisse que nem um maluco. Aham, maluco. Ei, conheço o modus operandi. Poderia escrever um livro.
Vc está lá vivendo sua vida, feliz alegre e contente, quando um dos seus amigos começa a se aproximar mais. No começo, é fofo e vc fica mexida. Ele te procura, manda msgs legais, chama para bons programas, ouve quando vc precisa... só que aí, invariavelmente, quando estamos próximos e começa a parecer que vai acontecer algo, o cara começa a dar maus sinais. Gruda em vc, manda msgs toda hora, quer sabe o que vc vai fazer. Se mostra magoado com as ausências mais bobas, como faltar a um cinema porque tem prova do curso de inglês. Começa a ter ciúmes do seus amigos (e a dizer isso e provocar briguinhas). Começa a falar mal de outras meninas pra vc (muitas delas suas amigas), comparando ('vc é legal, agora a X é piranha'). Começa a ser intrusivo, às vezes procurando membros da sua família constantemente na sua ausência. Começa a demonstrar carência excessiva, falando que precisa de 'apoio', te deixando apavorada em não corresponder essa demanda emocional enorme. Quando o freak-dar tá apitando alerta de emergência no último nível, ele se declara. Vc recusa porque se o cara, como amigo, já tá sugando sua vida de canudinho, namorando vc tá é f#$%##, minha amiga. E aí ele te acusa! ACUSA. Porque ele foi legal então parece que pode te EXIGIR que vc o namore. E aí, senhoras e senhores, fica claro porque vc fugiu do exu. Ele é machista. A atenção dele é machista, controladora, opressiva. Ele não quer SER seu namorado, ele quer TER a namorada.
Andei apaixonadíssima por um típico cafa na visão desses caras, que nada mais é que um sujeito legal com mulher e que, por gostar de sexo, transa sempre. Ele terminou comigo após um mês de relacionamento, após me dar todos os sinais de que era pra vida toda e me deixar caidinha. Somos super amigos hoje, BFFs [Nota da editora: Best Friends Forever -- não precisa me agradecer por decifrar as siglas, mãe] mesmo. Meus amigos friendzoned ficam indignados por eu adorar o cara, mas eu sou sincera com eles: o sujeito me confundiu, mas eu fui pra cama porque quis (não concordo com isso de mulher usada, quem usa quem? eu gozo também e adoro) e o fofo foi um cavalheiro comigo no término, não me enchendo o saco, não fazendo joguinhos, se distanciando quando precisei de privacidade para sofrer. Tudo que eles, os 'caras legais', não fazem. Sinceramente? Com todos os pesares o 'cafa' me dá menos dor de cabeça (e ainda é feminista e de esquerda, o que me conquistou a princípio, haha)”.
 
Anônimo: “Isso de 'Ah eu sou tão legal mas não pego ninguém' é exemplo de entitlement, de se sentir no direito de algo só porque faz isso e aquilo. Vai ficar na seca mesmo. Faz por merecer que a coisa acontece naturalmente e não porque você acha que deve”.

Anônimo: “Não fique com joguinho de dar comida pra esse tamagochi até ele me amar”.

Yulia2: “Um cara que te faz gentileza esperando favores sexuais NÃO É LEGAL NÃO É BONZINHO P*RRA NENHUMA! COM O PERDÃO DO PALAVREADO! Ele é apenas e tão somente o cafajeste que NÃO DEU CERTO! OU UM CAFA FRUSTRADO. SÓ E NADA MAIS! Um cara VERDADEIRAMENTE LEGAL é assim naturalmente com todos, sem esperar NADA em troca.”

Lord Anderson: “Pros caras que adoram falar de friendzone, eu pergunto: quantas mulheres vcs deixam lá? Quantas moças nerds, introvertidas, mais gordinhas ou que não a super-mega-hiper-gata vcs não dão atenção? Essa coisa de FD funciona para os dois lados, mas infelizmente muitos homens têm essa mentalidade de que a mulher é obrigada a se relacionar com ele só pq ele foi legal, quando gentileza e respeito deveriam ser coisas obrigatórias pra todo mundo.” [Nota da autora do blog: Quem acha que com essa postura bacana o Lord só faz amizade não sabe do papo que rola no Twitter. Outro dia uma leitora quis saber onde podia encontrar um Lord Anderson na cidade dela].

Sunday, March 18, 2012

OS MUITOS CARINHOS QUE RECEBO

Hoje estou me sentindo praticamente de férias, já que passei os últimos dois finais de semana preparando palestras e viajando. Claro que tenho um monte de coisas pra fazer, inclusive responder uns duzentos emails (sem brincadeira). Desculpem não estar respondendo emails, gente. É que às vezes não dá tempo mesmo.
Bom, os últimos dois lugares que visitei foram ótimos. E queria deixar umas fotos que vocês me mandaram, só pra registrar. Dias 5 e 6 de março estive no Rio, pra uma palestra na UFRJ sobre estereótipos de gênero na mídia brasileira, e uma aula inaugural sobre educação, gênero e blogs, também na UFRJ, mas no Centro de Tecnologia. Praticamente não tenho fotos da aula, que foi muito interessante, durou quatro horas... mas senti uma certa resistência d@s participantes, quase todos coordenador@s pedagógicos. Só quando estava preparando esta aula é que me toquei que, na minha graduação em Pedagogia, não tivemos uma só discussão sobre gênero, sobre como meninos e meninas são tratados de forma diferente numa sala de aula (e fora dela também, óbvio), de como segregamos os gêneros nas filas e nas brincadeiras, de como escolhemos nossas profissões, do porquê de 90% dos profissionais no ensino fundamental serem mulheres. Não é incrível? Nunca falamos disso. Pelo jeito, esse silêncio é constante não só nos cursos de Pedagogia, mas em todos. A gente passa a graduação inteira fingindo que a divisão em gêneros é algo que não existe, que não afeta profundamente a cada um de nós -- em todas as áreas.Muitas leitoras maravilhosas vieram falar comigo depois da palestra

Esse é um dos motivos que venho adorando dar todas essas palestras. Pra algumas pessoas, é a primeira vez que pensam no assunto. Pra outras, o tema é objeto de estudo. Sempre rende muita discussão, uma discussão saudável e inteligente, mesmo quando acalorada (e é como eu disse pra uma leitora querida no Twitter: na vida real não existem trolls nem haters. Todo mundo é super educado, até nas discordâncias. Que é, claro, como deveria ser). Sala lotada na palestra da UFRJ (Janaína em primeiro plano)

Gostaria de por legendas e identificar cada pessoa nessas fotos que vocês me mandaram, mas minha memória pra nomes é péssima. Também queria dizer que ainda é muito estranho pra mim ser tão paparicada, ter fãs confess@s, tirar fotos, ganhar chocolates e brownies e lindos desenhos. Mas não vou dizer que não gosto, né? Quemo gosta de ser abraçada com o maior carinho?Lindos desenhos que Lidia e Ines (foto acima) fizeram pra mim. Obrigada, fofas!

Também é bem esquisito que o pessoal realmente lote as salas pra me ouvir falar. Foi o que aconteceu na palestra na UFRJ, com essa gente linda das fotos (sempre me impressiono como todas minhas leitoras e leitores são lind@s). Depois a diretora de um CIEP (sabem os famosos Brizolões?) me convidou pra falar lá. Quem sabe isso se concretiza até o final do ano...Essa moça ultra-competente do meu lado é a Amana, professora de Psicologia da UERJ. Ainda espero trabalhar muito em conjunto com ela e com a Susana, da Filosofia da UFRJ. Fui convidada, e aceitei correndo, para entrar no grupo de pesquisa delas!

Eu não pisava no Rio desde 1991, e não me lembrava de muita coisa. Fiquei encantada com a cidade, com os campi universitários, com as pessoas, com tudo. Eu na FDF entre futuros advogados -- de esquerda!

Domingo passado eu viajei pra Franca, SP, e fiquei lá até terça. Adorei também. Parece que foi a primeira vez que a Faculdade de Direito de Franca, uma das mais conceituadas do Brasil na área, conseguiu eleger uma chapa de esquerda para seu diretório estudantil. E como o centro quer incentivar a criação de um coletivo feminista, um coletivo LGBTTT, um coletivo negro, uma das alunas, a Nickole, teve a ideia de me chamar. A faculdade não costuma ter muitas palestras sobre assuntos não relacionados com Direito, mas quer saber? Fui muito bem recebida. Numa cidade, numa faculdade e numa área tidas como conservadoras, ideias feministas foram debatidas e aceitas. Como eu não ficaria feliz?
No dia seguinte dei uma palestra na Unesp, também em Franca. E também foi ótimo. Lá conheci alun@s de várias áreas. E tod@s cheios de entusiasmo, com muita vontade de mudar o mundo mesmo.
Gostei muito da cidade em si. Tranquila, bonita... Comprei um par de sapatos lá. E comi o bife JK, um prato tradicional criado na década de 50, quando o então presidente do Brasil foi a Franca. É só carne a milanesa com presunto e queijo (não parmegiana) e vários acompanhamentos, mas é muito gostoso.Nickole, da FDF, eu, e Jessica, da Unesp, na Faculdade de Direito de Franca

Também foi bacana que uma equipe de filmagem foi lá me entrevistar. Os quatro simpáticos rapazes estão fazendo um documentário (deve ficar pronto em maio) sobre os limites do humor. Conversamos durante duas horas. Eles haviam ido ao Rio na semana anterior pra filmar a palestra, e agora querem que eu vá a SP assistir a um show de stand up comedy pra registrar minhas reações. Imagina eu lá, jogando uma cadeira no palco toda vez que um gênio do humor chama um negro de macaco!
Além de todos esses cafunés que ando recebendo, fiquei muito feliz que meu ex-orientador de doutorado pela UFSC (e que acaba de lançar essa bela tradução da peça de Shakespeare Péricles, Príncipe de Tiro) indicou meu nome para um congresso internacional sobre Shakespeare, que será realizado em agosto na Inglaterra. Ainda não fui e nem sei se serei convidada, e, se for, não sei se irei, porque os convidados precisam pagar tudo do seu próprio bolso, mas me senti honrada com a indicação, porque é um congresso fechado e até agora só uns quatro ou cinco brasileiros já participaram de alguma edição. E meu orientador conhece uma multidão de estudiosos pra poder indicar.
Ontem vi que saiu um livro fantástico, que vocês podem por enquanto ler em PDF: é O Direito Achado na Rua, Vol. 5 - Introdução Crítica ao Direito das Mulheres, publicado pela UnB. No meio de um monte de artigos incríveis escritos por referências nacionais (tô ansiosa pra ler tudo), tem lá, perdido, um textinho desta que vos fala.
E já falei que vai sair um livro de crônicas de cinema minhas publicado pela Editora da USP, né? Pois é, ainda este semestre, espero. Vamos ver se teremos noite de autógrafos pra eu abraçar mais um montão de gente. Eu aviso.
Ah, quinta começa o curso de extensão Análise dos Preconceitos na Mídia. Será das 11 às 13 horas na sala de reuniões do DLE, UFC, campus Benfica. É aberto a toda a comunidade, e é grátis. (Este aí na foto ao lado é o Bruno, meninas!).
Pra finalizar um post que era pra ter meia dúzia de linhas e muitas fotos, e acabou se transformando num compêndio, esta semana falei pra um aluno que não estava compreendendo muito bem um conto que terá de apresentar pra procurar um post aqui no blog, porque eu já havia escrito um pouquinho sobre o conto. Aí uma aluna doce ouviu e perguntou: "Ah, você tem um blog?"Eu com algumas professoras da UFRJ e UERJ (Susana à extrema direita -- só na foto!)

Monday, December 5, 2011

MASCU JURA QUE MULHER SÓ GOSTA DE CAFA

Último post relacionado a mascus por algum tempo, prometo. Mas o assunto ainda está quente. Tem muita gente vindo do Facebook por causa do post sobre os Sanctos. Hoje o Raphael, um mascu, deixou este comentário (um tiquinho editado, pra não ficar longo demais):

“Saudações, Lola. Me esforço para escrever isso, espero algum feedback nem que seja um vai pro inferno. Sou masculinista. Não um desses fundamentalistas religiosos que acham que deixar cabelo crescer é travestismo e ter chefa é manginismo. Apenas sou contra uma coisa: O sistema 'sexual' que predomina. Sendo justo: Não sou contra as mulheres só gostarem de cafajestes. Infelizmente, em toda minha vida sempre testemunhei isso, não só de meus olhos, mas de todos os meus amigos honrados. Tive colegas cafajestes, estes que me mais confirmavam que mulher gostava era de cafajeste.
Existem porém problemas mais profundos: O fato das mulheres dizerem preferir homens bons e românticos. Veja bem, o problema não é elas preferirem cafajestes, o problema é elas mentirem em massa em todos os meios de comunicação particular e até midiática! Muitos homens passam a vida sonhando em serem amados, sendo românticos, atenciosos, carinhosos, para no final serem apenas 'amigos'. Enquanto os piores cafajestes, antíteses de tudo que é dito agradável, são praticamente venerados. Isso causa o adoecimento de muitos homens. Problemas psicológicos que se tornam psiquiátricos que por fim geram doenças psicossomáticas. Se a Real cresce, não é por causa da 'queda dos valores cristãos', todo esse papo de religiosismo conservador serve unicamente para causar glamour no movimento. A Real existe justamente pela extensiva mentira de mulheres gostarem de homens de boa índole, quando elas preferem criminosos. Esse sistema extensivo e perpétuo de mentiras, é o que chamamos carinhosamente de 'A Matrix', em alusão à matrix do filme homónimo, um mundo de ilusão.
Enquanto a Matrix existir, a Real perpetuar-se-a e jamais será extinta, de Sanctos à Ordem dos Guerreiros da Real, passando por comunidades aleatórias no orkut e anedotas do facebook... Existiremos somente por um único motivo: Os homens não são burros. Podem sim, estar enfraquecidos em depressão extensiva e precoce que os priva do desenvolvimento, mas temos inteligencia para distinguir argumentos de fatos. Infelizmente, me considero um guerreiro "falho", da real. Minha matrix de tão profunda é, que já fui inumeras vezes banido das ordens acusado de ser mangina. Ainda assim, sou perpetuamente torturado na Matrix. Recentemente, em meu tratamento psiquiátrico e fim de semestre e dados nervosos, percebi que sobredoses de metilfenidato com imipramina e ALTÍSSIMAS doses de cafeína conseguem anular a dor causada pela matrix. É uma grande alegria, apesar de que sei que isso debilita minha saúde.
Por fim, compreendo os Sanctos. Euforia hipomaníaca induzida e ódio são os últimos recursos para se manter forte. E se for morrer, prefiro morrer como um SANCTO. Morrer num último momento de força e coragem sobrehumana, do que como mais um suicida aleatório que após tentativas falhas de suicídio, tem a sorte de não ficar aleijado e ser encontrado trancado apodrecendo num quarto, em forte decomposição. Fico grato por ao menos ter podido desabafar.”

Bom, Raphael, boa parte do seu relato me faz ter pena de vc. Mas o final, quando vc diz que compreende esses criminosos chamados sanctos, só causa minha repulsa. Desde quando anônimos covardes podem ser vistos como tendo “coragem sobrehumana”?
Fico feliz, pelo menos, que vc esteja em tratamento psiquiátrico.
Mas vou tentar me centrar na parte inicial do seu comentário, em que vc chama a mim e a todas as mulheres de mentirosas. Mentirosas por quê? Porque dizemos que gostamos de homens bons e românticos, quando no fundo somos é apaixonadas por cafajestes e criminosos (pra quem não sabe, mascus adoram citar o caso do Maníaco do Parque, que recebe cartas de amor de algumas mulheres. Pra eles, isso prova que todas as mulheres só querem transar com serial killers e demais criminosos). A “acusação” de que gostamos de criminosos é tão ridícula que vou deixar pra lá. Só porque há algumas desequilibradas que querem salvar serial killers (sim, porque só não vê o propósito delas quem não quer: elas desejam fazer papel de mães pra esses criminosos, “salvando-os”) não quer dizer nada. Mas o tópico de relacionamentos com presidiários é longo demais, merece um post só pra isso. Agora, sobre gostar de cafajestes. Esquisito, porque assim como vc diz que todos seus amigos comprovam que mulher só gosta de cafas, eu digo o oposto: não tenho uma só amiga que goste de cafajestes. Mas antes temos de definir o que é ser cafajeste. É tratar mulher como lixo? Puxa, que incrível que as mulheres digam que não gostam de ser tratadas como lixo! Quem poderia imaginar?! Ser cafajeste é trair e ter montes de amantes? É, pode apostar que as mulheres não gostam. Ou ser cafajeste é ter uma boa autoestima, ter um bom papo, ser simpático e divertido? Aí eu arrisco dizer que são qualidades que as mulheres, de maneira geral, gostam. Não que mulheres (ou homens) sejam um bloco só que gostam das mesmas coisas. Há mulheres que adoram nerds e tímidos, por exemplo. E outras que prefiram caras mais extrovertidos. Mas nenhuma mulher quer ser traída, espancada, ou sei lá mais o quê que os cafas fazem.
Acontece que as pessoas se envolvem com um monte de tipos, muitas vezes sem saber. Antes de eu me tornar monogâmica, eu experimentei bastante. Eu não queria namorar. Só queria sexo. E exigia ter a mesma liberdade sexual que vcs homens têm, ou seja, a de transar com quem eu quisesse (e que me quisesse também, óbvio), sem ser condenada por isso, porque eu sabia que não estava cometendo crime algum. Nas palavras de vcs, eu era uma grande vadia. Nas minhas, eu era livre. Não tinha compromisso com ninguém, sabia o que queria (sexo -– aquilo que vcs insistem que as mulheres não gostam, ou que gostam menos que os homens), e pronto. No meio dessa trajetória, eu parti corações? Sim, parti: o de rapazes que queriam ter algo mais sério comigo. Eu me envolvi com alguns cafajestes? Sim, me envolvi. Mas não foi conscientemente não. Foi porque eu não sabia que o cara era assim.
Aí, lá pelos 22, 23 anos, eu comecei a sentir vontade de um relacionamento mais intenso, um namoro. E passei a ficar mais tempo com os caras. Escolhi meu atual maridão (21 anos juntos, and counting) que, lógico, me escolheu também. Ele é o mais distante de um cafajeste que vc pode imaginar. É bem menos sociável que eu, mas é divertido, tem boa cabeça (não é nem nunca foi preconceituoso), é um ótimo amante, enfim, é o protótipo de uma boa pessoa, aquela que não se desentende com ninguém. Ele não é perfeito, ninguém é. Eu gostaria que ele fosse muuuito mais romântico e carinhoso (tá lendo, minha paixão?). Mas bonzinho ele é. Ele nunca faria qualquer tipo de maldade comigo, não intencionalmente, e nem eu a ele. E, se algum dia nos separarmos (pode acontecer com qualquer um; 50% dos casamentos terminam em divórcio), vamos continuar sendo amigos.
Agora, desilusão amorosa acontece com todo mundo. Com mulheres e homens. Homos e héteros. Negros e brancos. Inclusive com mulheres lindas. Não ser correspondid@? Ser trocad@ por outr@? Pô, direto. E nem por isso saímos por aí despejando ódio contra metade da humanidade. Um relacionamento não deu certo? Tentamos de novo. Ou damos um tempo, sanamos as feridas, e tentamos de novo. E há vezes que temos que ajustar nossas expectativas. Em geral, nós mulheres somos muito mais tolerantes nos nossos gostos que os homens. Ih, não tem nem comparação. Se o sujeito tem uma personalidade legal, não ligamos se é baixo, careca, gordo, magro, pobre. Mas vcs mascus acreditam no que vcs querem acreditar. E, pra isso, inventam que mulher só gosta de rico. De cafa. De alpha. Enfim, de tudo que vcs não são. É risível a falta de senso de realidade que vcs têm. Vcs enfiaram numa matrix -– uma matrix que só serve pra justificar pra vcs mesmos o fracasso de seus relacionamentos amorosos. Nessa matrix que é o masculinismo, são as mulheres (todas as 3 bilhões de nós!) que não prestamos, não vcs que talvez estejam correndo atrás da menina errada, ou que estejam usando estratégias totalmente equivocadas de conquista (como manda seu guru: ser dissimulado e misterioso, não olhar pra garota e de repente fitá-la, gargalhar de jeito estranho, ser sério sempre... Jura? No wonder que vcs não pegam ninguém!). Vcs estão numa matriz que separa mulheres boas (que nem existem, segundo vcs) de mulheres ruins, interesseiras, vadias (resumindo: que não são mais virgens), como se o passado sexual de uma pessoa tivesse a menor importância. Vagina não gasta. Pênis tampouco.
E outra, filho: a Real não cresce não. O masculinismo não tem futuro nenhum enquanto vcs não tiverem a coragem de dar as caras, assinar o nome, e abandonar esses ideais e esse tipo de vocabulário bundão, que só vcs mascus usam (matrix, matrixiano, rodada, arrombada, civis, mangina, anal giratório, etc etc). As poucas pessoas que já ouviram falar de masculinismo associam o “movimento” com um bando de caras frustrados com sérios problemas sexuais e amorosos. É a imagem que vcs passam de si mesmos. A única que têm.
Já me prolonguei demais, e vou aproveitar dois excelentes comentários que foram deixados na última caixa, o da “Eu” e o da Vera.

Eu”: “Raphael, tenho muita pena de vcs, não porque o que você relatou seja verdade, mas porque vocês PENSAM assim, e fazem isso prá se auto-machucarem. Como vc deve saber, há rapazes e homens que agradam a muitas mulheres, seja pelo visual, seja pelo modo de se expressar, seja porque eles avançam. E há também as moças e mulheres que agradam a muitos homens, porque são muito bonitas, muito articuladas, nem sempre atiradas, mas conscientes de sua beleza e poder de atração. Daí, o que acontece? Os cafas conseguem atrair e ganhar as 'alphas', as esculturais, as 'sandys' desavisadas, que por acaso são as que os não-cafas também querem, mas não estão no radar delas. AS OUTRAS, MEU QUERIDO, as medianas, as com espinha no rosto, as gordinhas, as feinhas, as que fazem tudo prá chamar a atenção de algum rapaz, mas não têm bumbum da mulher melancia, não têm os peitos da Kim Kardashian, não têm os cabelos da Gisele Bundchen nem o rosto da Adriana Lima, nem a boca da Angelina J, ficam jogadas às traças ou são vítimas dos cafas, enquanto vocês, amargurados, ficam esperando as 'sandy' da vida lhes darem bola.
Meu filho, que não é cafa, estava indo pro mesmo caminho, viu que as 'sandy' o esnobavam e tratou de esnobá-las tb. Ficou de papo por mais de um ano com uma moça, normal, com tudo no lugar mas nenhuma miss universo ou top model, e viu que estava mesmo gostando dela. Hoje estão 'embolados' e felizes. Olha, ele não podia ter escolhido melhor.
Então, meu chapa, caia na Real, real mesmo, não esse devaneio em que vcs se meteram, e acorda prá vida, olhe em volta...só se enxerga o que está na nossa mente, mas pode ler os sinais. Eles estão aí piscando incessantemente”.

Vera: “Raphael, você expôs em seu comentário um belo exemplo do quanto o machismo é péssimo também para os homens. Os machistas acreditam que todas as mulheres querem namorar, casar, ter filhos, encontrar o príncipe encantado, não tem tanto desejo por sexo quanto eles, etc. E o homem, por sua vez, tem que ser o garanhão, o pegador, viril e tudo mais. Olha, existem mulheres românticas, como existem mulheres que gostam de fazer sexo apenas por prazer. Assim, como também existem homens românticos, que sonham em casar, como alguns que preferem um relacionamento mais liberal. No entanto, a visão machista e reacionária não permite com que a pessoa veja essa diversidade. Também não permite que as mulheres e nem mesmo os homens sejam livres pra viver, pois cada um deve interpretar seu 'papel'.
Eu até entendo sua frustração: Tem uma pessoa na minha família que educou o filho pra ele ser o garanhão, o pegador, viril e tudo mais. Só que a primeira garota que ele se apaixonou, não queria nada sério com ele. Ele sofreu muito, pois afinal era pra ele ter sido o garanhão. Mas quem o iludiu? A garota que não queria nada sério com ele (apenas sexo), ou toda a educação machista que o fez acreditar que ele, como homem, não poderia sofrer uma decepção amorosa, como faz parte da vida de todo ser humano?
O machismo é ruim não só pra mulher, mas também é extremamente cruel para os próprios homens, pois cria uma realidade que já não existe. Aquela visão de antigamente, de que mulher tem menos vontade de fazer sexo do que o homem, de que todas as mulheres sonham em namorar sério, casar, ter filhos, e toda aquela visão machista de que o homem tem que ser o pegador, não pode ser romântico, demonstrar os sentimentos, chorar, é que a verdadeira MATRIX. É dessa matrix que os homens precisam sair, porque senão eles vão se frustrar, e se sentirem diminuídos por isso, assim como ocorreu com você.”

P.S.: Putz, eu acabei falando exatamente a mesma coisa que a Vera. Mas essa história de que mulher gosta de cafa é um mito que vale a pena combater, e que vai muito além das limitadas fronteiras mascus.

Monday, November 14, 2011

A SENHORA ESTÁ NO CÉU

Senhoras usam chapéus?

Como hoje é praticamente um feriado pra muita gente (não pra professor universitário, chuif, que sempre tem milhares de textos pra corrigir, provas pra preparar, papers pra escrever etc), não espere nenhum post super profundo. Ontem recebi um e-mail muito gracioso de uma leitora recente, a Patrícia:

"Googando vida afora eu fui bem sozinha e encontrei o blog da Lola! A estrada (do auto conhecimento) é longa e o caminho é deserto... Que bom, Lola! Vou ter que ir devagar porque senão vicio, até os comentários são ótimos e as 'brigas' ali são boas, hein? Belos cérebros se digladiando com uma elegância que dá gosto!
Tava gugando sobre 'ser chamada de senhora' que eu odeio com todas as minhas forças, rsrs, e caí num post seu, deixa ver... ah, tá, esta séria senhora assina, lembra? O que me enoja é a forma cheia de pejo (disfarçada de deferência!) com que esse senhora muitas vezes é dito. É quase como se nos dissessem 'Escuta aqui sua velha escrota e feia, vc está fora dos padrões do minimamente aceitável, não é jovem nem bonita...' Tá. Posso estar exagerando e certamente estou colocando minha mágoa em cima de algo, talvez, sem grande importância, mas acho que vc concorda que isso acontece sim, muitas vezes. Infelizmente. Pois é, eu fiz 42 agora em setembro, mas sou chamada de senhora desde os meus 20 e poucos, mesmo dentro de um contexto em que não cabia senhora, saca, tipo, não era em ambiente de trabalho, ou, sendo atendida por um vendedor, e isso sempre me incomodou muito porque, olha só, Lola, na sociedade em que vivemos onde as pessoas deixam de comer pra comprar um pote de creme anti age de 100 reais, vai falar que aparência jovem não importa? Agora, foda mesmo é ser chamada de 'sênhóóóóra' por senhores/as que são bem mais velhos que eu... Deixa prá lá... O que importa é que achei seu blog e agora sou mais feliz!) e só queria que você soubesse que considero tê-lo descoberto um presente!
Beijo bem grandão pra você e um domingo amazingly happy! (Putz, a mulher é doutora em língua inglesa e eu aqui com meu inglesinho áimi nóti dógui nôu! Hahahahaha)."

Seja bem-vinda, Patrícia, e obrigada pelo carinho! Incrível que alguém tenha chegado e, pior ainda, ficado no blog por causa de um dos textos mais estranhos que já escrevi. Aquele post atira em todas as direções. Não quero me repetir muito, mas resumindo: também detesto ser tratada de senhora. Parei de chamar os mais velhos desta forma desde que, quando eu era criança, pedi as horas prum senhor na praia, que respondeu com “o senhor está no céu; são … horas”. Em compensação, minha mãe automaticamente condena qualquer um (tirando, talvez, os filhos) que não a chamem de senhora. Ela acha o cúmulo do desrespeito. Não deve estar tendo muito motivo pra reclamar em Fortaleza, porque por aqui o “senhora” é muito comum. É uma questão cultural, e não tenho vontade de lutar contra todo mundo o tempo todo. Meus queridos aluninhos e aluninhas (o diminutivo é carinhoso) sempre me chamam de senhora. Felizmente, a maior parte das nossas aulas é em inglês (é que eu tenho uma disciplina, Inglês Técnico, que é em português, e os alunos não são os de Letras, mas de todas as outras áreas imagináveis), e quando dizem “you” não precisam decidir se estão me chamando de você ou de senhora. É uma vantagem do inglês, convenhamos. Só que, em qualquer intervalo, em qualquer troca de palavras que seja fora da sala de aula, lá vem o pessoal me chamar de senhora. E acho que não tem muito o que fazer mesmo, Pat. Afinal, eu, com 44 anos nas costas, sou muito mais velha que meus aluninhos de 18, 20, 23... Alguns poucos têm mais de trinta anos, mas são poucos (bem diferente da faculdade em que cursei Pedagogia, em que metade das alunas era recém-saída do ensino médio, e a outra metade tinha mais de 30 anos, eu inclusa).
Agora, sobre isso de ser chamada de senhora como se fosse insulto, como se fosse sinônimo de velha escrotossaura, ou eu sou muito ingênua e nunca notei (mais provável), ou nunca aconteceu comigo. Praticamente todos os insultos que recebo na vida vêm da internet, e por aqui a galera trollística costuma ser mais direta. Mal posso esperar pelo próximo “A senhora é uma ingrata com o patriarcado feia, chata e gorda, além de ser uma comunista de esquerda que defende o genocídio em massa e não penteia o cabelo, não necessariamente nessa ordem”.
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