Nascer do sol em João Pessoa (quer dizer que alguém estava acordado pra tirar a foto, e não era eu). Esta é a terceira parte das nossas férias pelo nordeste. Parte 1 e parte 2.Lemos o que tinha pra ler sobre Genipabu, ao norte de Natal, e não nos interessou muito. Andar de bugue por dunas de areia ou descer de esquibunda não me
comove. Andar de dromedário parece bem melhor, mas, segundo o guia de viagem, custa entre R$ 35 e 60 por pessoa para um passeio de menos de meia hora. E tem o lado de explorar um bicho. Ah, antes de chegar a Natal entramos em Pitangui, que é linda, tem lagoa no meio das dunas... mas atravessamos a cidade e não encontramos uma só pousada, nem um restaurante aberto, e constatamos que ela não é muito turística. Os folhetos juram que é. A lagoa badalada sem dúvida é. Mas e o resto?
Hostel em que ficamos em Pipa, RN Enfim. Depois de Natal seguimos pra Pipa, que conta com uma infraestrutura incrível, com dezenas de pousadas, hotéis e restaurantes. E algumas praias muito lindas. O pessoal de lá garantiu que Pipa re
cebe mais turistas que Natal, mas não sei se posso acreditar nisso. Fomos a umas seis pousadas próximas à praia do centro. Duas estavam lotadas; uma cobrava R$ 250 a diária. Mas havia vários hostels (albergues) também. Como só íamos ficar um dia, conseguimos um quarto fabuloso (com varanda, rede, e espaço pra umas dez pessoas) num ótimo hostel. E a moça deixou a diária por R$ 80 pra gente.
Lagoa da praia do centro de Pipa ao anoitecer (eu tô no meio da foto)O mar da praia do centro em Pipa (que dizem ser a mais famosa) é ótimo, mas essa praia é como Prainha, em Aquiraz (pertinho de Fortaleza). Mar, faixa de areia, e uma lagoa do outro lado. Então é claro que eu adorei a lagoa. Entrei na lagoa à noite (o enjoado do maridão não quis entrar) e no dia seguinte não só entrei como comemos pastel numa mesinha à beira. Comer à beira de uma lagoa, olhando pro mar... O que mais se pode querer da vida?
Mesinhas na lagoinha da Praia do Centro, em Pipa. Mar ao fundoFizemos um passeio de lancha pra conhecer as outras praias e ver golfinhos. O passeio custa R$ 30 por pessoa e dura uma hora. E o mais legal é que a temporada de golfinhos em Pipa dura... o ano todo. Um outro turista, professor (conhecemos vários professores, todos de férias, que nem a gen
te), disse pra gente fazer o passeio em lancha, porque ela pode ser desligada, enquanto o barulho de motor de outros barcos afugenta os golfinhos. Não sei, porque o pior do nosso passeio de lancha foi o cheiro de gasolina. Isso e a péssima ideia maridística de sentar na proa. Porque a lancha corre, pula, voa, e a gente fica completamente encharcada. Só se molhar tudo bem, o chato foi que toda a água do oceano entrava ou nos meus olhos ou na minha boca. Mas foi legal e valeu a pena. Infelizmente, o mar não estava pra golfinho. Vimos vários, mas não deu pra captar nenhum em foto. O único golfinho que vi por inteiro foi quando ele estava surfando submerso embaixo de uma onda.
Uma das praias de Pipa, já quase no fim do diaNesse passeio de barco conhecemos um professor de engenharia da UFRN que tinha acabado de fazer concurso pra poder se transferir pra UFPB, em João Pessoa. O sujeito, jovem e simpático, estava tirando férias com a mulher e o filhinho de 4 anos, ultrafofo.
Só que logo no início da conversa o professor dispara, sério: “Eu queria chegar em casa e encontrar a comida pronta. Mas hoje em dia nenhuma mulher quer ficar em casa. No tempo da minha vó é que era bom!”. Aí eu não aguentei; “Há! Bom pra quem?!”. O cara ainda lamentou que está difícil conseguir uma boa empregada, mas logo em seguida mudamos de assunto e ficamos mais entretidos perseguindo golfinhos. Eu tenho certeza que numa hora em que a lancha tava parada vi uma barbatana de tubarão, mas deixa quieto (e eu adoro tubarão).
Casalzinho feliz em alguma praia da viagem (acho que era Cabo Branco)De Pipa fomos pra João Pessoa. Minha primeira vez na Paraíba! Fiqu
ei completamente encantada com a cidade arborizada, o centro velho, com toda aquela arquitetura linda. Tocamos pro litoral e, andando pela avenida à beira-mar, fiquei pensando se todas aquelas pousadas suntuosas seriam pro nosso bico. Mas João Pessoa me pareceu mais em conta que Natal. Conseguimos uma pousada em frente à praia de Cabo Branco por R$ 115 a diária, com piscina e tudo o mais. O único porém é que não havia quase nenhum restaurante por perto, algum que desse pra ir andando.
Calçadão em Cabo Branco, quase em frente à pousadaBom, ficamos na pousada Maresias dois dias. Tentamos encontrar a Praia do Jacaré, em Cabedelo, onde pode-se ver o por do sol ouvindo o bolero de Ravel. Na verdade, tentamos duas vezes, e nos
perdemos, daí desistimos. Acabou virando uma piadinha interna entre eu e o maridão. Toda ocasião que a gente não era capaz de encontrar um lugar, a gente simulava uma conversa com algum transeunte que nos diria: “Ah, Fim do Mundo é logo ali... Tão fácil de achar como a Praia do Jacaré!”. Alguém já foi a esse lugar e ouviu o bolero ou é só lenda urbana?
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