Showing posts with label maridão. Show all posts
Showing posts with label maridão. Show all posts

Sunday, May 20, 2012

E SE HOUVER LANÇAMENTO DO LIVRO AMANHÃ E NINGUÉM APARECER?

Nunca vi o filme Suppose They Gave a War and Nobody Came (que em português ganhou o título de Vamos Fazer a Guerra?), mas adoro o nome. É assim que eu tô me sentindo às vésperas da minha noite de autógrafos: Imagine se eles fazem o lançamento de um livro e ninguém vem? Será amanhã, das 18:30 às 21:30, na Livraria da Vila, em SP. Pior é que nem sei se vai ter salgadinho. Porque, se tiver, e ninguém vier, os salgadinhos serão bem aproveitados.
Este livro é bem inesperado pra mim, e tem muito a ver com o blog. A ideia toda de publicar um livro com algumas das minhas crônicas foi da Liris, que comentava assiduamente nos primórdios do blog, em 2008. Eu lembro dela matutando sobre qual curso iria seguir, lembro dela passando no vestibular, e já já vou ficar sabendo da sua colação de grau em Comunicação Social pela USP, com habilitação em editoração (é um curso que só existe em três universidades em SP. De pública, no Brasil todo, só na USP, na UFRJ e na UFSM). É muito emocionante saber tudo isso de alguém que você não conhece pessoalmente. 
Bom, lá por 2009, não sei ao certo, a Li me enviou um email perguntando se poderia publicar um livro meu sobre crônicas de cinema. Minhas crônicas estavam paradonas no blog, sem ir a lugar nenhum mesmo, então é claro que eu disse claro. Depois disso a Li fez praticamente tudo. Ela selecionou o que considerava minhas melhores crônicas e sugeriu dividi-las em categorias (uma delas, por exemplo, é Dilúvio, ou seja, filmes que me fizeram chorar de inundar as salas de cinema), e pediu pra eu escrever um capítulo de introdução pra cada categoria, contextualizando as crônicas e os filmes. Eu pedi pra mudar algumas crônicas, disse que eu gostava daquela, dessa não (óbvio que a de Senhor dos Anéis, que em 2002 me rendeu mais de cem emails rábidos, tem que estar no livro). 
A Li queria também que o maridão, presença tão frequente nos textos e na minha vidinha, escrevesse uma apresentação, mas expliquei que seria mais fácil o mundo acabar este ano. Finalmente, acho que consegui forçá-lo a redigir umas três ou cinco linhas sobre o prazer que é estar ao lado de uma pessoa tão delicada e meiga como eu faz tanto tempo (em agosto serão 22 anos junto). O livro está dedicado a essa minha paixão. Infelizmente, porque ele trabalha e porque é caro ir pra SP por um dia e porque somos pão duros miseráveis, ele não estará amanhã no lançamento. Mas, com sorte, minha mãe, La Mamacita, dará o ar de sua graça (por coincidência, calhou da noite de autógrafos coincidir com sua viagem pra ver minha irmã e sobrinho). Se eu fizer um lançamento em Fortaleza, é quase certo que serei capaz de arrastar o maridão.
Mas, falando assim, parece que foi tudo fácil. Parece que a Li não teve que cobrar várias vezes os tais capítulos introdutórios, que só sairam aos 45 minutos do segundo tempo, pra variar. Devo toda a publicação do livro a Li, que me escreveu esses dias: “Desde que eu inventei de cursar editoração eu quis publicar seus textos. Eles têm um valor muito grande para se resumirem à efemeridade de jornais ou à alta rotatividade da internet. Você não imagina o quanto eu fiquei contente e empolgada quando você aceitou ser minha cobaia. Essa semana fui a uma entrevista de emprego e levei o livro como portfólio, e o entrevistador gostou muito. É uma sensação de realização que eu não senti nem quando passei no vestibular, numa turma de apenas 15 vagas”.
Obrigada, Li querida! Espero que pelo menos você esteja lá amanhã. A gente divide os salgadinhos. Se houver (e brigadeiro, alguma chance?).
Não preciso nem dizer que, continuando nesse ritmo de não encontrar tempo pra ir ao cinema, meu próximo livro será sobre feminismo.
Ah, acabei de saber que o preço do livro será de 22 reais. E amanhã, no dia do lançamento, sairá por uma verdadeira pechincha: apenas R$ 11! (falei pro maridão, e ele disse: "Uau! Por que você não compra um?"). E com direito a um livro rabiscado (tentem entender minha letra).
Na terça, dia 22, às 10 horas, estarei num super evento do Centro Acadêmico XI de Agosto, do Direito da USP. Eis a página no Facebook e o cartaz atualizado (a deputada Manuela D'Ávila estará lá também, e acho que será a primeira palestra da Letícia, do Cem Homens; olha a emoção!). Quanto a este evento sobre feminismo, não estou preocupada que ninguém apareça, porque acho que vai ficar cheio mesmo. É imperdível, gente!
E minha agenda segue assim, frenética. Volto pra Fortaleza terça mesmo, já que tenho montes de aulas esta semana (e eu adoro lecionar e evito ao máximo cancelar aulas). Aí domingo (27/5) à noite vou pra Campinas. Vai ter um evento muito bacana na Unicamp no dia 28, quer dizer, já na outra segunda-feira. Vou pedir a ajuda inestimável de vocês num post de terça.
E no dia 4 de junho, ainda não falei pra ninguém, estarei em João Pessoa. É pruma palestra nos Correios, e não sei se será aberta ao público. Mas se alguma paraibana ou paraibano bonitão quiser me mostrar a cidade (será a segunda vez da minha vida aí. A primeira foi três dias de férias com o maridão em janeiro. Amei João Pessoa, se deixar eu me mudou praí), creio que terei mais tempo livre que em SP ou em Campinas.
Por enquanto é só, pessoal. Como sempre, minha vida é um livro aberto. Entrem sem bater.

Sunday, April 15, 2012

SOBRE INSEGURANÇAS, OVOS E TOMATES

Um dia antes da minha palestra no Rio, recebi um email de uma leitora querida. Apesar da boa intenção da moça, esse não é o tipo de mensagem que você manda pra alguém antes de uma palestra. Ela contava que havia muitas pessoas que me odiavam, que inclusive me conheciam pessoalmente (no Rio? Impossível! Fazia mais de vinte anos que eu não pisava lá), que eu era uma ególatra (acertaram a rima, pelo menos: chocólatra), e que eu havia negado apoio pra alguma causa delas (outra mentira –- nunca recusei nada, faço o melhor pra ajudar, divulgo no twitter, publico guest post, só que infelizmente tem vezes que eu, completamente sem tempo, não consigo responder emails). Respondi pra querida leitora que é assim mesmo, que não se tem controle sobre o ódio dos outros, e que, à medida em que se vai ficando mais conhecida (sendo que não tenho nenhum devaneio acerca da minha fama: sou uma sub-sub-sub-celebridade, lida por um grupinho de pessoas na internet), a gente ganha admirador@s, mas também ganha desafetos. Normal. Não vou deixar de escrever ou de dar aulas e palestras ou de fazer tudo que eu quiser fazer porque tem gente que não vai com a minha cara, né?
Mas pouco depois recebi dois tweets, quase ao mesmo tempo, ultra meigos: um de um rapaz que escreveu “Owww querida, te vi pela primeira vez no vídeo do debate com o Lobão. Te achei tão fofa! :D Daquelas que da vontade de abraçar!” (eu respondi que pessoas gordas são realmente abraçáveis, e é verdade –- pergunte pra uma criança se ela não adora abraçar gente cheinha), e de uma moça que disse: “Sonho: a Lola palestrar lá na minha faculdade e eu poder dar nela um grande abraço de agradecimento por tudo que ela me acrescentou”.
Ah, fiquei muito feliz e decidi contar pro maridão, já que eu havia lido o email da leitora pra ele também. Sobre o primeiro, do rapaz querendo me abraçar, o maridão gritou “Sai pra lá, Mané!”. Sobre o segundo, ele só fez “Ahhh”. Aí seguiu-se este diálogo:

- Viu como tem gente que gosta de mim?
Ele, olhando pro gato Calvin: - Claro que tem, minha flor.
- Eu vi você olhando pro Calvin. E o Calvin pode não ser gente, mas ele vale mais que muita gente. Tô ansiosa, amor. Você acha que vão jogar tomates em mim lá na UFRJ?
- Com o preço que tá o tomate?! Pode esquecer.
- E ovos? Podem jogar ovo em mim?
- Ovo tá mais caro ainda! Tomara que joguem ovos! Leva uma sacolinha pra recolher alguns.

Claro que correu tudo muito bem na UFRJ, conheci pessoas incríveis, fiz contatos acadêmicos importantíssimos, e ainda ganhei brownie e desenhos. Mas na véspera eu tava carente e insegura (talvez porque ainda não tivesse acabado de preparar minha apresentação).
Se ano que vem alguém me convidar pra dar uma palestra na páscoa, espero que vocês joguem uns ovinhos de chocolate em mim, tá?

Sunday, April 1, 2012

DIÁLOGOS ETÍLICOS

Eu não bebo nada além de água (sem gás) porque, na minha opinião, nenhum líquido tem gosto melhor que água. Bebida alcoólica, nem pensar. Aquilo em geral é amargo, e tenho dificuldades em entender como alguém pode gostar de um treco desses. O maridão já bebeu mais álcool, hoje quase que não bebe, mas ele adora sucos e toma pouca água. Pra uma pessoa que bebe entre 6 e 8 litros de água por dia (meu caso), é muito estranho saber que existe gente que detesta água e tem que se obrigar a bebê-la. Mas enfim, o diálogo que se segue não é sobre nada disso. É que em algum momento em que o maridão via TV eu passei em frente, vi um comercial de rum, e quis saber:
- Rum tem gosto de quê?
- Como que eu vou explicar? Você não conhece o gosto de nenhuma bebida alcoólica.
- Pois é. Mas é parecido com licor?
- Não, nada a ver.
- Ah, já sei. Tem a ver com vinho, né?
- Tem. Os dois são líquidos.
- Não é só isso. Eles têm a mesma cor.
- Vinho e rum não têm a mesma cor!
- E os dois têm álcool. Já são pelo menos três semelhanças.
- Um é destilado, o outro é fermentado.
- Ah, amor, se você quer se ater a detalhes...

Mais diálogos estúpidos: desejo, beijos, apelidos, exercício, loteria, herança, cheiros, educação, sensualidade, mais sensualidade, engano, canela, energia, nova fonte de energia, dominó, romantismo, mini-kabongs, autoestima, reflexos, fidelidade, comunicação, efeito isidoro, dar razão, amolação.

Sunday, February 12, 2012

TEMPORADA DE GOLFINHOS O ANO TODO EM PIPA

Nascer do sol em João Pessoa (quer dizer que alguém estava acordado pra tirar a foto, e não era eu). Esta é a terceira parte das nossas férias pelo nordeste. Parte 1 e parte 2.

Lemos o que tinha pra ler sobre Genipabu, ao norte de Natal, e não nos interessou muito. Andar de bugue por dunas de areia ou descer de esquibunda não me comove. Andar de dromedário parece bem melhor, mas, segundo o guia de viagem, custa entre R$ 35 e 60 por pessoa para um passeio de menos de meia hora. E tem o lado de explorar um bicho.
Ah, antes de chegar a Natal entramos em Pitangui, que é linda, tem lagoa no meio das dunas... mas atravessamos a cidade e não encontramos uma só pousada, nem um restaurante aberto, e constatamos que ela não é muito turística. Os folhetos juram que é. A lagoa badalada sem dúvida é. Mas e o resto?Hostel em que ficamos em Pipa, RN

Enfim. Depois de Natal seguimos pra Pipa, que conta com uma infraestrutura incrível, com dezenas de pousadas, hotéis e restaurantes. E algumas praias muito lindas. O pessoal de lá garantiu que Pipa recebe mais turistas que Natal, mas não sei se posso acreditar nisso. Fomos a umas seis pousadas próximas à praia do centro. Duas estavam lotadas; uma cobrava R$ 250 a diária. Mas havia vários hostels (albergues) também. Como só íamos ficar um dia, conseguimos um quarto fabuloso (com varanda, rede, e espaço pra umas dez pessoas) num ótimo hostel. E a moça deixou a diária por R$ 80 pra gente.
Lagoa da praia do centro de Pipa ao anoitecer (eu tô no meio da foto)

O mar da praia do centro em Pipa (que dizem ser a mais famosa) é ótimo, mas essa praia é como Prainha, em Aquiraz (pertinho de Fortaleza). Mar, faixa de areia, e uma lagoa do outro lado. Então é claro que eu adorei a lagoa. Entrei na lagoa à noite (o enjoado do maridão não quis entrar) e no dia seguinte não só entrei como comemos pastel numa mesinha à beira. Comer à beira de uma lagoa, olhando pro mar... O que mais se pode querer da vida?Mesinhas na lagoinha da Praia do Centro, em Pipa. Mar ao fundo

Fizemos um passeio de lancha pra conhecer as outras praias e ver golfinhos. O passeio custa R$ 30 por pessoa e dura uma hora. E o mais legal é que a temporada de golfinhos em Pipa dura... o ano todo. Um outro turista, professor (conhecemos vários professores, todos de férias, que nem a gente), disse pra gente fazer o passeio em lancha, porque ela pode ser desligada, enquanto o barulho de motor de outros barcos afugenta os golfinhos. Não sei, porque o pior do nosso passeio de lancha foi o cheiro de gasolina. Isso e a péssima ideia maridística de sentar na proa. Porque a lancha corre, pula, voa, e a gente fica completamente encharcada. Só se molhar tudo bem, o chato foi que toda a água do oceano entrava ou nos meus olhos ou na minha boca. Mas foi legal e valeu a pena. Infelizmente, o mar não estava pra golfinho. Vimos vários, mas não deu pra captar nenhum em foto. O único golfinho que vi por inteiro foi quando ele estava surfando submerso embaixo de uma onda. Uma das praias de Pipa, já quase no fim do dia

Nesse passeio de barco conhecemos um professor de engenharia da UFRN que tinha acabado de fazer concurso pra poder se transferir pra UFPB, em João Pessoa. O sujeito, jovem e simpático, estava tirando férias com a mulher e o filhinho de 4 anos, ultrafofo. Só que logo no início da conversa o professor dispara, sério: “Eu queria chegar em casa e encontrar a comida pronta. Mas hoje em dia nenhuma mulher quer ficar em casa. No tempo da minha vó é que era bom!”. Aí eu não aguentei; “Há! Bom pra quem?!”. O cara ainda lamentou que está difícil conseguir uma boa empregada, mas logo em seguida mudamos de assunto e ficamos mais entretidos perseguindo golfinhos.
Eu tenho certeza que numa hora em que a lancha tava parada vi uma barbatana de tubarão, mas deixa quieto (e eu adoro tubarão).Casalzinho feliz em alguma praia da viagem (acho que era Cabo Branco)

De Pipa fomos pra João Pessoa. Minha primeira vez na Paraíba! Fiquei completamente encantada com a cidade arborizada, o centro velho, com toda aquela arquitetura linda. Tocamos pro litoral e, andando pela avenida à beira-mar, fiquei pensando se todas aquelas pousadas suntuosas seriam pro nosso bico. Mas João Pessoa me pareceu mais em conta que Natal. Conseguimos uma pousada em frente à praia de Cabo Branco por R$ 115 a diária, com piscina e tudo o mais. O único porém é que não havia quase nenhum restaurante por perto, algum que desse pra ir andando. Calçadão em Cabo Branco, quase em frente à pousada

Bom, ficamos na pousada Maresias dois dias. Tentamos encontrar a Praia do Jacaré, em Cabedelo, onde pode-se ver o por do sol ouvindo o bolero de Ravel. Na verdade, tentamos duas vezes, e nos perdemos, daí desistimos. Acabou virando uma piadinha interna entre eu e o maridão. Toda ocasião que a gente não era capaz de encontrar um lugar, a gente simulava uma conversa com algum transeunte que nos diria: “Ah, Fim do Mundo é logo ali... Tão fácil de achar como a Praia do Jacaré!”. Alguém já foi a esse lugar e ouviu o bolero ou é só lenda urbana?

Sunday, February 5, 2012

NATAL, LOTADO E LINDO

Eu cobrindo um pedaço da praia de Areia Preta

Continuo nossa saga de duas semanas por três estados do Nordeste. De Touros para Natal são só 90 km, e a viagem foi rápida e tranquila. O problema foi só entrar em Natal numa sexta à tarde -- era carro que não acabava mais. A cidade parecia lotadíssima, e estava mesmo. Como não tínhamos a menor ideia onde ficaríamos, fomos pro litoral (mas na parte mais central de Natal, nada de Ponta Negra que a gente sabe que é cara mesmo), e paramos o carro num beco com linda vista para parte da praia de Areia Preta. Nesse bequinho havia quatro (eu disse quatro!) pousadinhas improvisadas muito, muito chinfrins. Quer dizer, a gente nem chegou a ver algum quarto, porque todas estavam lotadas. E o preço cobrado pela diária era de R$ 120! Uma senhora atenciosa que morava em algum lugar do beco nos levou a outros hotéis e pousadas. Todos lotados também. Acabamos ficando, a dois quarteirões de lá, numa pousada de dois irmãos espanhóis. Era bem simples e os quartos não tinham nada (nem frigobar nem TV, só ventilador), mas era limpo e o preço era justo -– R$ 78 a diária pro casal. Chama-se Pousada Ibérica, caso alguém queira pagar pouquinho em Natal. Mas saiba que foi o pior café da manhã de toda a viagem. Olha, já vi muitos quartos sem TV. Mas café da manhã sem queijo e presunto, foi a primeira vez! Vista da praia de Areia Preta, em Natal

À noite fomos a um rodízio de pizza lá perto e caminhamos até um shopping que é uma feira de artesanato (parece que recebe 80 mil visitantes por ano). No caminho, passamos por um posto de atendimento ao turista. Entramos. Muitos mapinhas e folhetos, lugar pra sentar, e uma vista privilegiada pro mar. O senhor lá, que já trabalha nisso há 35 anos, foi muito atencioso. Aliás, em todo lugar que passamos, fomos super bem recebidos, sem exceção. Mas é o que eu havia notado desde a primeira vez que pisei no nordeste, em 1990: não tem povo igual. Ô gente boa, viu? (se bem que nas nossas viagens no Sul também fomos bem tratados).
Seu Francisco estava indo muitíssimo bem até que disse ser evangélico e passou a falar como o mundo está perdido por tanta criminalidade, drogas, prostituição, pedofilia e... homossexualismo. E isso veio assim, do nada. O assunto não foi adiante porque as nossas caras devem ter passado um atestado de reprovação. Porém, tirando esse “lapso” (ele era extremamente conservador. À certa altura, disse pro maridão, “Sua senhora é muito simpática”, porque tudo era dito pro homem da casa), ele nos ajudou a encontrar um outro hotel e até a efetuar uma reserva. Quando estávamos saindo, seu Francisco disse que foi uma sorte incrível a gente ter encontrado o posto, e ele, pra nos ajudar: “E ainda tem gente que não acredita em Deus!”. Como tem, seu Chico! Tem gente pra tudo! Tem até quem acredita que o Estado deve ser laico e que um posto de atendimento ao turista deve ser útil em atender o turista, sem interferências externas tipo deus! Êta gente incrédula!
No dia seguinte, nos mudamos pra Marina Travel, em frente à Praia dos Artistas. Ficava na mesma avenida do posto, mas mais adiante. Foi o hotel mais caro que ficamos em toda a viagem (e também o mais chique): R$ 235 a diária. Lolinha em pose de femme fatale em Natal

Por algum motivo que Freud explica, o maridão pão-duro miserável que não queria ficar num hotel tão caro e que costuma tirar dezenas de fotos de tudo que é pedra e conchinha que esbarra pelo caminho não tirou nem uma fotinho do hotel, nem da Praia dos Artistas. Portanto, essas fotos vem do Google. Mas adorei a praia. Tem uns grandes recifes que separam o mar em dois, e as ondas só chegam do outro lado fraquinhas. À tarde fica com uma boa profundidade. Só sei que a gente ia à praia, ficava no mar, atravessava a rua, passava no chuveirinho, entrava na piscina do hotel. E, à noite, nosso jantar foi no calçadão à beira-mar: churrasquinho! Tava delicioso, e custou inacreditáveis 2 reais cada. Comemos um monte, e jogamos gamão (jogamos muito gamão nessa viagem, e nos primeiros dias eu só perdia pro maridão, que tem uma sorte imbatível. Mas depois a ordem natural da minha vasta superioridade no jogo foi reestabelecida). Quando já era tarde da noite, vimos uma manchete no jornal local no saguão do hotel: uma pesquisa dizia que a aprovação a Dilma tinha subido no Rio Grande do Norte, mas a da governadora do estado, Rosalba – DEM, e principalmente a da prefeita Micarla, do PV, estavam despencando. Micarla só tem 13% de aprovação. Deve ser uma das prefeitas mais mal-avaliadas no país). Conversei com o pessoal da recepção e eles deram vários exemplos da péssima gestão da governadora e prefeita. Um deles disse que era uma pena, porque já há poucas mulheres na política, e “essas duas vêm fazer um papelão desses”.
No dia seguinte fomos pra famosa Pipa. Semana que vem eu conto mais. Só pra constar que Natal é divina e maravilhosa e eu moraria lá numa boa (mas adoro Fortaleza e me apaixonei por João Pessoa).

Sunday, January 15, 2012

ESTUPIDAMENTE AMOR

Eu pro maridão, num vibe romântico:
- Você me acha muito carinhosa com você, extremamente carinhosa com você, ou estupidamen... não, essa não.
- Essa última aí!
- Você não pode escolher essa! Eu me corrigi a tempo!

Mais diálogos estúpidos: desejo, beijos, apelidos, exercício, loteria, herança, cheiros, educação, sensualidade, mais sensualidade, engano, canela, energia, nova fonte de energia, dominó, romantismo, mini-kabongs, autoestima, reflexos, fidelidade, comunicação, efeito isidoro, dar razão, amolação.

Sunday, October 23, 2011

AMOLAM-SE FACAS

Foto retirada de um fórum sobre como se defender de zumbis quando chegar o Z-Day. A gente morre e não vê tudo.

Ah, o título acima é uma piada interna, então preciso explicar. Certa vez, muitos anos atrás, maridão e eu caminhávamos por São Sebastião (onde ele dava aulas de xadrez algumas vezes por semana), e passamos por um desses tradicionais cartazes de "Amola-se facas" (porque geralmente a concordância é deixada de lado nos cartazes). E o maridão virou pra mim e, do nada, disse: "Você também pode amolar facas. É só falar com elas". Maior agressão gratuita ever!
Aqui tem mais um diálogo, muito mais recente, desta vez entre o maridão demente e a Lolinha carente. Nós dois deitados na cama.

Maridão: "Vou levantar pra ver o que esse gato quer."
Moi: "E eu? E eu? Eu também quero coisas."
Maridão: "A Lolinha não fica embaixo da cama arranhando quem tá em cima."
Moi: "Mas a Lolinha pode fazer isso, se bem que correria o risco de ficar entalada. A Lolinha também sabe incomodar."
Maridão: "Ah, sabe."

Outros diálogos no mínimo estranhos deste casal junto há 21 anos (and counting): desejo, beijos, apelidos, exercício, loteria, herança, cheiros, educação, sensualidade, mais sensualidade, engano, canela, energia, nova fonte de energia, dominó, romantismo, mini-kabongs, autoestima, reflexos, fidelidade, comunicação, efeito isidoro, dar razão.

Sunday, October 2, 2011

O MARIDÃO BATEU MEU CARRO... DE NOVO!

Toda vez que vc faz uma propaganda ruim, um coelhinho se suicida

Sabe o comercial em que a Gisele veste lingerie pra comunicar ao marido que bateu o carro dele... de novo? Já aconteceu comigo. Mas não foi a Gisele. E muito menos eu. Foi o maridão. Sans lingerie.
Sério mesmo. A gente tinha comprado uma Towner. Foi o primeiro carro que tive. Lógico, não era 0 km, porque não tínhamos dinheiro pra tanto. Mas tinha baixa quilometragem, apenas uns 20 mil. Bom, a Towner ficou uma semana na garagem, sem uso. Não quis sair com ela e nem permiti que o maridão saísse antes que o seguro ficasse pronto, porque é um investimento alto demais. Na manhã em que o seguro ficou pronto, bem cedinho, o maridão saiu, foi trabalhar, e me deixou dormindo (eu só trabalhava mais tarde). Pouco depois, ele me acorda. Senta pertinho de mim, na cama, e com a voz super preocupada, tadinho, diz que bateu o carro. Ele tinha acabado de sair com a Towner pela primeira vez e bateu! Tudo bem que a culpa não foi dele, mas o fato é que ele e um outro carro bateram num cruzamento sem trânsito numa manhã nebulosa de Joinville!
Quando o maridão me deu essas péssimas novas, ele não estava só de cueca. Mas estava tão consternado que eu me senti a maior jararaca. O que ele esperava que eu fizesse? Verdade que fiquei chateada, mas tentei disfarçar, poque ele já estava se sentindo péssimo.
No entanto, o comercial com a Gisele abriu toda uma gama de possibilidades (que o Rob explorou brilhantemente)! E se o maridão tivesse optado por me contar a notícia usando cueca? Rolaria sexo selvagem? Cês tão de sacanagem comigo, né? Ele bateu o carro na primeira vez que saiu com ele!

Se depender dos geniais publicitários que bolaram a campanha da Hope ― que eles insistem que não é machista; afinal, são apenas “fatos cotidianos de um casal” ― o maridão deveria ter agido assim:
[Entra de cueca no recinto, estufando o peito:] “Olá, minha deusa”.
Lolinha, já suspeitando que aí tem truta: “Ahn, oi...”
Maridão, flexionando as pernas: “Gostou da minha cueca nova?”
“É bonita, amor. Mas como assim, nova? Você nunca compra nada novo”.
“Desta vez comprei. Esta e várias outras cuecas. Aliás, comprei tantas cuecas novas que estourei o limite do cartão de crédito... Do seu e do meu. Puff!”
“Ihh... Esse não pode ser você. Você é aquele que, da última vez que precisou de um par de chinelos porque o seu arrebentou por excesso de uso, levou seis meses pesquisando antes de comprar um. E no final ainda comprou o mais barato. Quero meu marido de volta!”
[Fazendo muque:] “Isso é com chinelo. Com cueca eu sou muito mais rápido. Quer tocar?”
“Pra cima de moi não, coração. Você nem sabe qual o limite do nosso cartão de crédito.”
“O importante é que eu tô cheio de cueca nova pra mostrar pra você.” [Insinuante:] “Quer que eu vista o próximo modelo?”
“Quê?! Você comprou mais de um modelo diferente? Não tô te reconhecendo. Quando você compra cueca, o que é raríssimo, você pega aquele pacote de leve cinco e pague quatro. E são todas iguais.”
“Mas agora vim preparado porque quero te dar uma notícia. Sabe quem vem morar com a gente? Mamãe! Não é o máximo?”
“Amor, agora eu tô preocupada. Sua mãe morreu faz quinze anos. Vou chamar um exorcista. Sai daí, Satanás, que este corpo não te pertence!”
“Tá. Só me dá um minuto pra eu trocar de cueca e desfilar com minha próxima cueca nova.”
“Deste quarto você não sai. Desembucha logo, vai.”
[Olhando intensamente nos meus olhos:] “Então, amor, preciso te contar uma coisa. Bati o seu carro... de novo!”
“QUÊ?! A Towner novinha em folha que você acabou de inaugurar? Como assim?! Como alguém pode ser tão desastrado?!” [jogando gato em cima dele].
“Calma, minha paixão! Concentre-se na minha cueca nova!”
Narração em off, voz feminina: “Hope ensina. Você é brasileiro, use seu charme.”
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...