Sabe o comercial em que a Gisele veste lingerie pra comunicar ao marido que bateu o carro dele... de novo? Já aconteceu comigo. Mas não foi a Gisele. E muito menos eu. Foi o maridão. Sans lingerie.
Sério mesmo. A gente tinha comprado uma Towner. Foi o primeiro carro qu
e tive. Lógico, não era 0 km, porque não tínhamos dinheiro pra tanto. Mas tinha baixa quilometragem, apenas uns 20 mil. Bom, a Towner ficou uma semana na garagem, sem uso. Não quis sair com ela e nem permiti que o maridão saísse antes que o seguro ficasse pronto, porque é um investimento alto demais. Na manhã em que o seguro ficou pronto, bem cedinho, o maridão saiu, foi trabalhar, e me deixou dormindo (eu só trabalhava mais tarde). Pouco depois, ele me acorda. Senta pertinho de mim, na cama, e com a voz super preocupada, tadinho, diz que bateu o carro. Ele tinha acabado de sair com a Towner pela primeira vez e bateu! Tudo bem que a culpa não foi dele, mas o fato é que ele e um outro carro bateram num cruzamento sem trânsito numa manhã nebulosa de Joinville!
Quando o maridão me deu essas péssimas novas, ele não estava só de cueca. Mas estava tão consternado que eu me senti a maior jararaca. O que ele esperava que eu fizesse? Verdade que fiquei chateada, mas tentei disfarçar, poque ele já estava se sentindo péssimo.
No entanto, o comercial com a Gisele abriu toda uma gama de possibilidades (que o Rob explorou brilhantemente)! E se o maridão tivesse optado por me contar a notícia usando cueca? Rolaria sexo selvagem? Cês tão de sacanagem comigo, né? Ele bateu o carro na primeira vez que saiu com ele!

Se depender dos geniais publicitários que bolaram a campanha da Hope ― que eles insistem que não é machista; afinal, são apenas “fatos cotidianos de um casal” ― o maridão deveria ter agido assim:
[Entra de cueca no recinto, estufando o peito:] “Olá, minha deusa”.
Lolinha, já suspeitando que aí tem truta: “Ahn, oi...”
Maridão, flexionando as pernas: “Gostou da minha cueca nova?”
“É bonita, amor. Mas como assim, nova? Você nunca compra nada novo”.
“Desta vez comprei. Esta e várias outras cuecas. Aliás, comprei tantas cuecas novas que estourei o limite do cartão de crédito... Do seu e do meu. Puff!”
“Ihh... Esse não pode ser você. Você é aquele que, da última vez que precisou de um p
ar de chinelos porque o seu arrebentou por excesso de uso, levou seis meses pesquisando antes de comprar um. E no final ainda comprou o mais barato. Quero meu marido de volta!”
[Fazendo muque:] “Isso é com chinelo. Com cueca eu sou muito mais rápido. Quer tocar?”
“Pra cima de moi não, coração. Você nem sabe qual o limite do nosso cartão de crédito.”
“O importante é que eu tô cheio de cueca nova pra mostrar pra você.” [Insinuante:] “Quer que eu vista o próximo modelo?”
“Quê?! Você comprou mais de um modelo diferente? Não tô te reconhecendo. Quando você compra cueca, o que é raríssimo, você pega aquele pacote de leve cinco e pague quatro. E são todas iguais.”
“Mas agora vim preparado porque quero te dar uma notícia. Sabe quem vem morar com a gente? Mamãe! Não é o máximo?”
“Amor, agora eu tô preocupada. Sua mãe morreu faz quinze anos. Vou chamar um exorcista. Sai daí, Satanás, que este corpo não te pertence!”
“Tá. Só me dá um minuto pra eu trocar de cueca e desfilar com minha próxima cueca nova.”
“Deste quarto você não sai. Desembucha logo, vai.”
[Olhando intensamente nos meus olhos:] “Então, amor, preciso te contar uma coisa. Bati o seu carro... de novo!”
“QUÊ?! A Towner novinha em folha que você acabou de inaugurar? Como assim?! Como alguém pode ser tão desastrado?!” [jogando gato em cima dele].
“Calma, minha paixão! Concentre-se na minha cueca nova!”
Narração em off, voz feminina: “Hope ensina. Você é brasileiro, use seu charme.”
Sério mesmo. A gente tinha comprado uma Towner. Foi o primeiro carro qu
e tive. Lógico, não era 0 km, porque não tínhamos dinheiro pra tanto. Mas tinha baixa quilometragem, apenas uns 20 mil. Bom, a Towner ficou uma semana na garagem, sem uso. Não quis sair com ela e nem permiti que o maridão saísse antes que o seguro ficasse pronto, porque é um investimento alto demais. Na manhã em que o seguro ficou pronto, bem cedinho, o maridão saiu, foi trabalhar, e me deixou dormindo (eu só trabalhava mais tarde). Pouco depois, ele me acorda. Senta pertinho de mim, na cama, e com a voz super preocupada, tadinho, diz que bateu o carro. Ele tinha acabado de sair com a Towner pela primeira vez e bateu! Tudo bem que a culpa não foi dele, mas o fato é que ele e um outro carro bateram num cruzamento sem trânsito numa manhã nebulosa de Joinville!
Quando o maridão me deu essas péssimas novas, ele não estava só de cueca. Mas estava tão consternado que eu me senti a maior jararaca. O que ele esperava que eu fizesse? Verdade que fiquei chateada, mas tentei disfarçar, poque ele já estava se sentindo péssimo.
No entanto, o comercial com a Gisele abriu toda uma gama de possibilidades (que o Rob explorou brilhantemente)! E se o maridão tivesse optado por me contar a notícia usando cueca? Rolaria sexo selvagem? Cês tão de sacanagem comigo, né? Ele bateu o carro na primeira vez que saiu com ele!

Se depender dos geniais publicitários que bolaram a campanha da Hope ― que eles insistem que não é machista; afinal, são apenas “fatos cotidianos de um casal” ― o maridão deveria ter agido assim:
[Entra de cueca no recinto, estufando o peito:] “Olá, minha deusa”.
Lolinha, já suspeitando que aí tem truta: “Ahn, oi...”
Maridão, flexionando as pernas: “Gostou da minha cueca nova?”
“É bonita, amor. Mas como assim, nova? Você nunca compra nada novo”.
“Desta vez comprei. Esta e várias outras cuecas. Aliás, comprei tantas cuecas novas que estourei o limite do cartão de crédito... Do seu e do meu. Puff!”
“Ihh... Esse não pode ser você. Você é aquele que, da última vez que precisou de um p
ar de chinelos porque o seu arrebentou por excesso de uso, levou seis meses pesquisando antes de comprar um. E no final ainda comprou o mais barato. Quero meu marido de volta!”[Fazendo muque:] “Isso é com chinelo. Com cueca eu sou muito mais rápido. Quer tocar?”
“Pra cima de moi não, coração. Você nem sabe qual o limite do nosso cartão de crédito.”
“O importante é que eu tô cheio de cueca nova pra mostrar pra você.” [Insinuante:] “Quer que eu vista o próximo modelo?”
“Quê?! Você comprou mais de um modelo diferente? Não tô te reconhecendo. Quando você compra cueca, o que é raríssimo, você pega aquele pacote de leve cinco e pague quatro. E são todas iguais.”

“Mas agora vim preparado porque quero te dar uma notícia. Sabe quem vem morar com a gente? Mamãe! Não é o máximo?”
“Amor, agora eu tô preocupada. Sua mãe morreu faz quinze anos. Vou chamar um exorcista. Sai daí, Satanás, que este corpo não te pertence!”
“Tá. Só me dá um minuto pra eu trocar de cueca e desfilar com minha próxima cueca nova.”
“Deste quarto você não sai. Desembucha logo, vai.”
[Olhando intensamente nos meus olhos:] “Então, amor, preciso te contar uma coisa. Bati o seu carro... de novo!”

“QUÊ?! A Towner novinha em folha que você acabou de inaugurar? Como assim?! Como alguém pode ser tão desastrado?!” [jogando gato em cima dele].
“Calma, minha paixão! Concentre-se na minha cueca nova!”
Narração em off, voz feminina: “Hope ensina. Você é brasileiro, use seu charme.”

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