Tuesday, April 3, 2012

MANIFESTO DA LIBERTAÇÃO DAS GORDAS

Outro dia me deparei com este manifesto escrito em 1973. Nem sabia que naquela época já existiam movimentos de Fat Acceptance (aceitação da gordura; prefiro usar um termo mais abrangente: aceitação do corpo). Pensei que fosse um fenômeno muito mais recente. O interessante de pesquisar este tema é que a gente começa a ver não apenas inúmeras conexões entre o feminismo e o movimento de aceitação do corpo, como também entre fat e queer (que significa homossexual, no caso, lésbica, já que a cobrança pelo corpo perfeito é muito mais frequente para mulheres que homens; portanto, há bem mais mulheres entre ativistas de movimentos de aceitação do corpo do que homens. Mas queer não se resume apenas à homossexualidade. Inclui também ser diferente). Tanto gord@s quanto gente queer são pessoas à margem, o que torna ainda mais errado que tantos gays sejam gordofóbicos. Bom, o manifesto não fala nisso. Tomei a liberdade de traduzi-lo. Escandalizem-se:

1. Acreditamos que as pessoas gordas têm todo o direito ao respeito e ao reconhecimento humanos.
2. Estamos zangadas com o mau tratamento devido a interesses comerciais e sexistas. Esses têm explorado nossos corpos como objetos do ridículo, criando assim um mercado imensamente lucrativo que vive de vender a falsa promessa que esse ridículo pode ser evitado ou aliviado.
3. Vemos nossa luta como aliada de outros grupos oprimidos contra classismo, racismo, sexismo, preconceito etário (ageism), exploração financeira, imperialismo, e outros.
4. Exigimos direitos iguais para pessoas gordas em todos os aspectos da vida, conforme prometido pela Constituição dos EUA. Exigimos igual acesso a bens e serviços na esfera pública, e um fim à discriminação contra nós nas áreas de emprego, educação, instalações públicas, e serviços de saúde.
5. Destacamos como nosso principal inimigo a assim chamada indústria de “redução”. Esta inclui clubes de dieta, spas, médicos de dieta, livros de dieta, comida de dieta, suplementos de comida, procedimentos cirúrgicos, inibidores de apetite, drogas e equipamentos de redução. Exigimos que essa indústria se responsabilize pelas suas promessas falsas, reconheça que seus produtos são perigosos à saúde pública, e publique estudos de longo prazo provando qualquer eficácia estatística dos seus produtos. Fazemos essa exigência sabendo que mais de 99% de todos os programas de perda de peso, quando avaliados num período superior a cinco anos, fracassam totalmente, e também sabendo dos perigos extremos e comprovados de mudanças frequentes no peso [o efeito sanfona].
6. Nós repudiamos a “ciência” mistificada que falsamente afirma que não somos saudáveis. Isso tem criado e mantido discriminação contra nós, em conluio com os interesses financeiros das empresas de seguro, da indústria da moda, das indústrias de redução, das indústrias de comida e medicamentos, e das instituições médicas e psiquiátricas.
7. Recusamos ser subjugadas aos interesses de nossos inimigos. Queremos retomar o poder sobre nossos corpos e nossas vidas. Estamos comprometidas a buscar esses objetivos juntas. Pessoas gordas do mundo, uni-vos! Não temos nada a perder.

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