Outro dia me deparei com este manifesto escrito em 1973. Nem sabia que naquela época já existiam movimentos de Fat Acceptance (aceitação da gordura; prefiro usar um termo mais abrangente: aceitação do corpo). Pensei que fosse um fenômeno muito mais recente. O interessante de pesquisar este tema é que a gente começa a ver não apenas inúmeras conexões entre o
feminismo e o movimento de aceitação do corpo, como também entre fat e queer (que significa homossexual, no caso, lésbica, já que a cobrança pelo corpo perfeito é muito mais frequente para mulheres que homens; portanto, há bem mais mulheres entre ativistas de movimentos de aceitação do corpo do que homens. Mas queer não se resume apenas à homossexualidade. Inclui também ser diferente). Tanto gord@s quanto gente queer são pessoas à margem, o que torna ainda mais errado que tantos gays sejam gordofóbicos. Bom, o manifesto não fala nisso. Tomei a liberdade de traduzi-lo. Escandalizem-se:1. Acreditamos que as pessoas gordas têm todo o direito ao respeito e ao reconhecimento humanos.

2. Estamos zangadas com o mau tratamento devido a interesses comerciais e sexistas. Esses têm explorado nossos corpos como objetos do ridículo, criando assim um mercado imensamente lucrativo que vive de vender a falsa promessa que esse ridículo pode ser evitado ou aliviado.
3. Vemos nossa luta como aliada de outros grupos oprimidos contra classismo, racismo, sexismo, preconceito etário (ageism), exploração financeira, imperialismo, e outros.
4. Exigimos direitos iguais para pessoas gordas em todos os aspectos da vida, conforme prometido pela Constituição dos EUA. Exigimos igual acesso a bens e serviços na esfera pública, e um fim à discriminação contra nós nas áreas de emprego, educação, i
nstalações públicas, e serviços de saúde. 5. Destacamos como nosso principal inimigo a assim chamada indústria de “redução”. Esta inclui clubes de dieta, spas, médicos de dieta, livros de dieta, comida de dieta, suplementos de comida, procedimentos cirúrgicos, inibidores de apetite, drogas e equipamentos de redução. Exigimos que essa indústria se responsabilize pelas suas promessas falsas, reconheça que seus produtos são perigosos à saúde pública, e publique estudos de longo prazo provando qualquer eficácia estatística dos seus produtos. Fazemos essa exigência sabendo que mais de 99% de todos os programas de perda de peso, quando avaliados num período superior a cinco anos, fracassam totalmente, e também sabendo dos perigos extremos e comprovados de mudanças frequentes no peso [o efeito sanfona].

6. Nós repudiamos a “ciência” mistificada que falsamente afirma que não somos saudáveis. Isso tem criado e mantido discriminação contra nós, em conluio com os interesses financeiros das empresas de seguro, da indústria da moda, das indústrias de redução, das indústrias de comida e medicamentos, e das instituições médicas e psiquiátricas.
7. Recusamos ser subjugadas aos interesses de nossos inimigos. Queremos retomar o poder sobre nossos corpos e nossas vidas. Estamos comprometidas a buscar esses objetivos juntas.
Pessoas gordas do mundo, uni-vos! Não temos nada a perder.
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