LEIA NA ÍNTEGRA O POEMA ‘ECLIPSE’ DA OBRA INÉDITA ODE TRISTE PARA AMORES INACABADOS DE AUTORIA DO POETA E ENSAÍSTA RIBAMARENSE FERNANDO ATALLAIA
Eclipse
Muitas luas da varanda já surtaram
Sóis de outono em perpassados arco-íris se aproximam
Em riste
Muitas sombras em mil luas distraídas noivaram seus assombros
Espanto nas jugulares das meninas da Cidade Balneária
Volte princesa
Volte para casa
Não há chão neste lamento
Nem luz própria de internatos
Volte camélia
Retornai o quão breve
Ao despontar!
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Índia Gamela na atualidade:retorno cantado em versos enquanto ela bronzeia as peles na Praia de Banho da cidade balneária |
No Barbosa um afunilado percorre naus de pensamento
Há o tempo do retorno para Bianas afundadas
Do véu das sereias do Caúra ao tilintar dos naufrágios dos lamuriados
Ela segue em debandada pelas trilhas líquidas da tristeza
E se some ao léu rente aos olhos das miragens
Volte princesa
Traga a realeza dos marinheiros de tabacos
Dos sem vivos de maresia aos sem mortos de mares de fachada
Hoje sangrou menos no futuro e um orvalho morno se avizinha
Da dor de um presente estraçalhado das joias de uma viela sem resquícios
Volte!
São José de Ribamar
Cidade de índias gamelas das carnes canelas surrando
Imaginários
São tantos josés arribamados nas crostas da miséria
Por isso retorne donzela
Por luxúria arquejos e necessidade
Do pão da vida às cachaças da ferida
O que não implora ser mais um entre tantos arrefecidos
Das praias de banho no enxaguar da memória
Pede nos ventos da escória: retorne princesa!
Volte filha pródiga
Dos mares.

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