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Monday, October 10, 2011

PRÉ – CONCEITO

(Sobre a Marcha das Vadias Itabuna. Texto publicado originalmente em: http://linguadefogo2.wordpress.com/)


Por Valéria Ettinger


Preconceito no dicionário significa: é Conceito ou opinião formado antes de ter os conhecimentos adequados. 2 Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão. (http://michaelis.uol.com.br).

Partindo do conceito acima, conclui-se que o preconceito é gerado pela falta de informação, pelo desconhecimento dos fatos, acontecimentos e atitudes. É comum criarmos padrões a partir do que nos foi dito ou revelado, sem antes investigarmos e analisarmos se a opinião do outro ou, se o que o outro manifestou, é verdadeiro. É raro recorrermos ao dicionário ou a própria história para confirmarmos a verdade das palavras e dos comportamentos sociais e, com isso, vamos repetindo atitudes e falas que geram um grave “apartheid” social.
Tenho como exemplo a “marcha das vadias”, que ocorreu em Itabuna no último dia 08/10/2011, ao caminhar pela avenida do cinqüentenário exibindo faixas, cartazes que tratavam de todos os tipos de violência contra mulher, via-se um povo nas calçadas atônitos sem entender o que estava ocorrendo. E muitos perguntavam: o que é isso? O que querem? Mas, muito poucos se juntaram ao bando de manifestantes. Ressalto que foram vistos poucos políticos por lá, mas com certeza esses mesmos que lá não estavam irão construir suas plataformas políticas como defensores da violência contra as mulheres.
Como a passeata estava povoada por professores, sindicalistas, jovens e a comunidade LGBT, alguns, inclusive, acreditaram que era um manifesto político ou dos “gays”, como se chama pejorativamente. No entanto, pouquíssimos perguntaram: por que “marcha das vadias”? Mas muitos, em suas mentes pensantes foram tirando conclusões a partir do que se via e do pouco que se sabia.
Penso que a nossa sociedade está doente e produzindo mais doentes a partir dessa padronização de comportamentos. Vivemos um mundo onde as pessoas, por absorverem os estereótipos, se afastam das pessoas e se conectam com formas pré-concebidas e mercadológicas, sem ao menos investigar sobre a verdade.
Não vejo preconceitos contra políticos corruptos, contra usurpadores da nossa dignidade, contra um padrão de beleza que gera meninas anoréxicas e depressivas, não vejo preconceitos contra a concentração de riquezas, contra os abusos do mercado financeiro que vem provocando a miséria no planeta, não vejo preconceitos contra as imagens negativas veiculadas nos meios de comunicação, contra programas do tipo BBB. Mas vejo muito preconceito contra aqueles que manifestam que 1305 mulheres em Itabuna, no ano de 2011, foram violentadas, seja moralmente ou fisicamente, que manifestam a morte de homens e mulheres que querem ter o direito de escolher a sua orientação sexual, que manifestam a liberdade de culto dos seus ancestrais a partir das energias da natureza, que manifestam o direito de ser criança ou de envelhecer. E ai eu pergunto: que mal essas pessoas estão fazendo? O mal de querer ser livres e serem tratadas como gente, dentro de suas diferentes condições?…
É necessário unirmos forças para acabarmos com os estereótipos, pois só assim poderemos construir uma sociedade livre, justa, solidária e sem preconceitos (art. 3º CF). E como disse Raul Seixas: “Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Itabuna-BA, 09 de outubro de 2011.






Valéria Ettinger é  Professora 
Universitária na área do Direito.


Thursday, October 6, 2011

POR QUE MARCHA DAS VADIAS?



“A vida só é possível reinventada” (Cecília Meireles)
                                                            
No próximo dia 08 de outubro estaremos em marcha pela principal avenida de Itabuna-Bahia. A nossa cidade sairá na vanguarda, sendo uma das poucas do interior brasileiro a realizar a Marcha das Vadias. Com isso, nos vinculamos a um movimento internacional denominado Slut Walk, iniciado em Toronto, no Canadá, no mês de abril deste ano, em protesto à atitude de um policial que, em uma palestra, advertiu estudantes universitárias da possibilidade de estupro, por estas usarem roupas de “vagabundas” (slut, em inglês). Depois do Canadá, outros países realizaram, em 2011, a Slut Walk: Argentina, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Holanda, Nova Zelândia, França. No Brasil, o movimento recebeu o nome de Marcha das Vadias e vem sendo realizado nas principais cidades do país, a exemplo de  Recife, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis, Natal, Juiz de Fora (MG) e Campinas (SP).
Considerando que o episódio ocorrido em Toronto não é um fato isolado, a principal motivação da Slut Walk / Marcha das Vadias é o protesto contra as formas de violência que atingem as mulheres. Segundo dados do Relatório da Anistia Internacional, de cada 5 mulheres, 1 será vítima ou sofrerá uma tentativa de estupro até o fim da vida; mais de 1 bilhão de mulheres já foram espancadas ou forçadas a manter relações sexuais (estupro); 1 em cada 3 mulheres no planeta foi submetida a algum tipo de abuso; 20% das mulheres são alvo de estupro. 
No Brasil, de acordo com dados do Conselho Estadual de Direitos da Mulher (Cedim), da ONG Cfêmea e do Instituto Patrícia Galvão, a cada 12 segundos uma mulher é violentada; 54% dos estupros são cometidos pelos maridos; 69% das mulheres já foram agredidas ou violentadas por homens, sendo que apenas 7 % dos estupros são cometidos por desconhecidos; apenas 14% das vítimas de agressão sexual notificam a ocorrência do crime; 1 em cada 10 mulheres sofre ao menos um estupro. Eis uma infeliz realidade: 1,3 milhões de mulheres são agredidas, por ano, neste “Brasil varonil”. São 150 agressões a cada hora e, por dia, 10 mulheres mortas, segundo dados do Mapa da Violência no Brasil.
Em Itabuna, de acordo com informações fornecidas pela Delegacia Especializada em Atenção à Mulher (DEAM), entre o início de janeiro e o dia 03 de outubro de 2011 foram registrados 1.305 casos de violência contra mulheres, meninas e jovens. A maioria desses casos é de ameaça (435) e de lesão corporal (394). Entendemos que todos esses índices (locais, nacionais e internacionais) representam, lamentavelmente, a ponta de um imensurável iceberg, afinal, a maioria das vítimas não registra as denúncias, em virtude das ameaças empreendidas pelos agressores, majoritariamente representados pelos seus próprios companheiros, familiares ou conhecidos.
Como se não bastassem tais índices, as mulheres, no mais das vezes, ainda são culpabilizadas pelas violências que sofrem. Daí as idéias circulantes: “aquela mulher foi estuprada porque se veste como uma vagabunda/vadia”, “apanhou porque pediu”, dentre tantas outras. Analisando esse contexto de normalização da violência, chegamos à seguinte constatação: as sociedades deveriam educar os homens para não violentar, em vez de transformar as mulheres, de vítimas, a culpadas por essas agressões.
Se ainda existem números assustadores com relação à violência praticada contra mulheres no Brasil, tais índices não dão conta das manifestações de machismo que se ocultam no bojo de um pretenso discurso de igualdade. Não existe igualdade nos espaços sociais nos quais ainda se reproduzem práticas discriminatórias e agressivas: assédio moral e sexual no trabalho, a tese da legítima defesa da honra para inocentar homens assassinos de mulheres consideradas adúlteras, insinuações sobre a baixa capacidade intelectual feminina, deboches quando mulheres precisam ir à delegacia para denunciar algum tipo de abuso.
Então, por que o nome Marcha das Vadias? O movimento se faz necessário na medida em que a sociedade precisa ser provocada a repensar os seus valores e práticas. A estratégia da provocação encontra ancoragem na reapropriação do termo “vadia”, palavra não neutra utilizada costumeiramente para imputar negatividade(s) à conduta feminina. Por conta disso, a Marcha das Vadias se constitui como uma ação política, um protesto irreverente às formas de condenação de todas as mulheres que conseguem ultrapassar as margens impostas por arbitrariedades sociais, ou que são subjugadas por essas mesmas regras. Para isso, lançamos o incômodo ao enfatizarmos a palavra “vadia” para que, a partir daí, possamos repensar o contexto de onde emergem tais formas de violência.
Em Itabuna, formamos um grupo aberto composto por mulheres, LGBT e também homens de todas as idades, profissões e classes sociais. Estamos junt@s numa grande mobilização e decidimos também nos denominar VADIAS, para denunciar e protestar contra toda sorte de violência que as mulheres sofrem. A Marcha das Vadias é um ato que não se esgota no momento mesmo em que vamos às ruas,  o dia 08 de outubro representa o início da nossa mobilização política, que possui o caráter permanente e, justamente por isso, prevê ações formativas realizadas a paritr do diálogo com outros movimentos sociais e instituições representativas ou responsáveis pela defesa dos direitos das mulheres. Fazemos nossas as palavras do artista pernambucano Chico Science: “um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar”. É com esse espírito que convocamos a comunidade local a se engajar nessa luta que, antes de tudo, é coletiva.

COLETIVO MARCHA DAS VADIAS ITABUNA
05 de outubro de 2011






O QUE? Marcha das Vadias Itabuna-Bahia
QUANDO? 08 de outubro de 2011,concentração às 09:00 horas
ONDE? Jardim do Ó (concentração), Av. Cinquentenário (percurso)


Marcha das Vadias no Facebook:

Monday, July 4, 2011

MANIFESTO MARCHA DAS VADIAS - Rio de Janeiro

Carta Manifesto da Marcha das Vadias de Rio de Janeiro –
Por que marchamos?


No Rio de Janeiro, marchamos porque apenas nos primeiros três meses desse ano foram 1.246 casos registrados de mulheres e meninas estupradas, uma média de quatorze mulheres e meninas estupradas por dia, e sabemos que ainda há várias mulheres e meninas abusadas cujos casos desconhecemos; marchamos porque muitas de nós dependemos do precário sistema de transporte público do Rio de Janeiro, que nos obriga a andar longas distâncias sem qualquer segurança ou iluminação para proteger as várias mulheres e meninas que são violentadas ao longo desses caminhos; marchamos porque foi preciso a criação de vagões femininos no trem e no metrô para que não fossemos sexualmente assediadas durante o uso desses transportes.

No Brasil, marchamos porque aproximadamente 15 mil mulheres são estupradas por ano, e mesmo assim nossa sociedade acha graça quando um humorista faz piada sobre estupro, chegando ao cúmulo de dizer que homens que estupram mulheres feias não merecem cadeia, mas um abraço; marchamos porque nos colocam rebolativas e caladas como mero pano de fundo em programas de TV nas tardes de domingo e utilizam nossa imagem semi-nua para vender cerveja, vendendo a nós mesmas como mero objeto de prazer e consumo dos homens; marchamos porque vivemos em uma cultura patriarcal que aciona diversos dispositivos para reprimir a sexualidade da mulher, nos dividindo em “santas” e “putas”, e muitas mulheres que denunciam estupro são acusadas de terem procurado a violência pela forma como se comportam ou pela forma como estavam vestidas; marchamos porque a mesma sociedade que explora a publicização de nossos corpos voltada ao prazer masculino se escandaliza quando mostramos o seio em público para amamentar nossas filhas e filhos; marchamos porque durante séculos as mulheres negras escravizadas foram estupradas pelos senhores, porque hoje empregadas domésticas são estupradas pelos patrões e porque todas as mulheres, de todas as idades e classes sociais, sofreram ou sofrerão algum tipo de violência ao longo da vida, seja simbólica, psicológica, física ou sexual.

No mundo, marchamos porque desde muito novas somos ensinadas a sentir culpa e vergonha pela expressão de nossa sexualidade e a temer que homens invadam nossos corpos sem o nosso consentimento; marchamos porque muitas de nós somos responsabilizadas pela possibilidade de sermos estupradas, quando são os homens que deveriam ser ensinados a não estuprar; marchamos porque mulheres lésbicas de vários países sofrem o chamado “estupro corretivo” por parte de homens que se acham no direito de puni-las para corrigir o que consideram um desvio sexual; marchamos porque ontem um pai abusou sexualmente de uma filha, porque hoje um marido violentou a esposa e, nesse momento, várias mulheres e meninas estão tendo seus corpos invadidos por homens aos quais elas não deram permissão para fazê-lo, e todas choramos porque sentimos que não podemos fazer nada por nossas irmãs agredidas e mortas diariamente. Mas podemos. Já somos chamadas de vadias porque usamos roupas curtas, já fomos chamadas de vadias porque transamos antes do casamento, já fomos chamadas de vadias por simplesmente dizer “não” a um homem, já fomos chamadas de vadias porque levantamos o tom de voz em uma discussão, já fomos chamadas de vadias porque andamos sozinhas à noite e fomos estupradas, já fomos chamadas de vadias porque ficamos bêbadas e sofremos estupro enquanto estávamos inconscientes, por um ou vários homens ao mesmo tempo, já fomos chamadas de vadias quando torturadas e curradas durante a Ditadura Militar. Já fomos e somos diariamente chamadas de vadias apenas porque somos MULHERES.

Mas, hoje, marchamos para dizer que não aceitaremos palavras e ações utilizadas para nos agredir enquanto mulheres. Se, na nossa sociedade machista, algumas são consideradas vadias, TODAS NÓS SOMOS VADIAS. E somos todas santas, e somos todas fortes, e somos todas livres! Somos livres de rótulos, de estereótipos e de qualquer tentativa de opressão masculina à nossa vida, à nossa sexualidade e aos nossos corpos. Estar no comando de nossa vida sexual não significa que estamos nos abrindo para uma expectativa de violência, e por isso somos solidárias a todas as mulheres estupradas em qualquer circunstância, porque tiveram seus corpos invadidos, porque foram agredidas e humilhadas, tiveram sua dignidade destroçada e muitas vezes foram culpadas por isso.

O direito a uma vida livre de violência é um dos direitos mais básicos de toda mulher, e é pela garantia desse direito fundamental que marchamos hoje e marcharemos até que todas sejamos livres. Somos todas as mulheres do mundo! Mães, filhas, avós, putas, santas, vadias…todas merecemos respeito!


Joana Maria Pedro

joanamaria.pedro@gmail.com
Coordenadora do PPGICH -Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar
em Ciências Humanas


Professora do Programa de Pós-Graduação em História.
Uma das Coordenadoras do IEG - Instituto de Estudos de Gênero –


Thursday, June 23, 2011

MARCHA DAS VADIAS EM SALVADOR (BAHIA)




Slut  é  um termo em inglês que significa “vagabunda”. Slut Walk é  um movimento que foi iniciado em Toronto, no Canadá, em maio de 2011, depois que um policial, ao proferir uma palestra sobre segurança num campus universitário, argumentou que as estudantes deveriam evitar se vestir como vagabundas para não se tornarem alvo fácil de estupros.
A partir disso, países como Argentina, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Holanda e Nova Zelândia realizaram a Slut Walk, como protesto à culpabilização feminina em casos de estupro. Aqui no Brasil o movimento ganhou o nome de “Marcha das Vadias” e já foi realizado em cidades como Juiz de Fora - MG, Brasília -DF, Natal-RN, Florianópolis – SC, São Paulo –SP, Recife - PE.
Uma das marcas da Slut Walk ou Marcha das Vadias é a irreverência associada ao ativismo político. O movimento tem se configurado como importante espaço para a reivindicação de direitos sociais (mulheres, LGBT). As organizadoras e participantes defendem o uso do termo “slut” ou “vadia” como uma provocação ao debate, marcado pela reapropriação do termo.
Agora chegou a vez de Salvador – BA. No dia 2 de julho (dia da independência da Bahia) vai acontecer a Marcha das Vadias. Nesta entrevista, algumas das organizadoras do movimento debatem as principais motivações da marcha.

 
 
Operária das Ruínas – Como surgiu a idéia de realizar a Marcha das Vadias em Salvador? 
 
A Marcha é uma atividade que nasceu como instrumento para fazer enfrentamento à opressão contra mulheres a partir do episodio ocorrido em maio de 2011, no Canadá, e se espalhou por todo mundo. No Brasil já vem ocorrendo em diversas capitais. E em Salvador, cidade em que o movimento social de mulheres é historicamente vanguarda na luta pelos direitos, não poderia deixar de lançar suas vozes.
Assim, inicialmente foi mobilizado um evento no facebook da Marcha Daspu com Dendê (agendada para ocorrer na Ladeira da Montanha), que não aconteceu, pois ninguém compareceu. Depois disso, a militante Sista Katia teve a iniciativa de criar o evento e um grupo no facebook para organizar a Marcha das Vadias em Salvador. Chamou uma primeira reunião no Instituto de Geociências da UFBA, na qual compareceram Sista Katia, Sandra Muñoz, Rafaela Moreira, Paula Regina, Luana Peixoto, Leila Grave, quando ficou definida a data da Marcha para 02 de julho de 2011.
Posteriormente, foram realizadas mais duas reuniões na Biblioteca Central dos Barris, quando prosseguimos encaminhando as demandas para a concretização da Marcha e cujas relatorias encontram-se postadas no referido grupo do Facebook, por Rafaela Moreira e Taisa Ferreira, respectivamente. Na segunda 27/06, às 18hs realizaremos a quarta reunião de organização da Marcha das Vadias de Salvador, na Biblioteca Central dos Barris.

 
Operária das Ruínas – Quais são os principais objetivos da Marcha?

Denunciar a violência sofrida por mulheres, gays,
lésbicas, transsexuais, bissexuais, idosas, meninas, crianças, adolescentes etc.
Defender o respeito à liberdade sexual.
Marcar que somos donas do nosso corpo e não objetos sexuais.
Fazer reivindicações por políticas públicas para mulheres.
Exigir políticas públicas que defendam e façam cumprir a Lei Maria da Penha.
Exigir mudanças na legislação quanto aos crimes relacionados ao estupro. Afinal, as mulheres não podem ser apontadas como provocadoras do crime, como muitos defendem e legitimam. Portanto, é preciso conferir visibilidade à questão do estupro sofrido por mulheres do mundo inteiro. Questão essa que se configura como pauta importante do movimento feminista e de mulheres em geral, e que nunca foi tratada de forma séria na sociedade patriarcal e capitalista.


 
 
Operária das Ruínas – A Marcha das Vadias (em Salvador) conta com o apoio de instituições políticas, sociais e culturais? O movimento tem caráter institucional ou independente?

As instituições são representadas por mulheres que estão participando do processo de construção da Marcha, como o NEIM/UFBA, LESBIBAHIA, VULVA LA VIDA, WENDOSALVADOR, Movimento Estudantil, Coletivo Kiu, Associação Beco das Cores, etc.
Mesmo pertencendo a entidades, estamos organizando a Marcha de forma independente, coletiva, democrática e transparente.
Portanto, a Marcha das Vadias (em Salvador) é independente também por estar aberta as outras minorias sociais. Convidamos a participarem da marcha: mulheres, homens, crianças, gays, lésbicas, a sociedade baiana, que é contra todas as formas de violência contra a mulher e está cansada de ver as estatísticas de crime aumentarem e as políticas publicas não darem conta.

 
 
Operária das Ruínas – Quais as reivindicações priorizadas pela Marcha das Vadias, levando em conta o contexto soteropolitano, baiano, na defesa dos direitos femininos?

Políticas públicas para mulheres;
Descriminalização e legalização do aborto;
Parto humanizado;
Efetivação da Lei Maria da Penha;
Reestruturação e ampliação da casa-abrigo;
Ampliação do orçamento público para atender às mulheres;
Estado Laico (liberdade de crença religiosa);
Proteção às mulheres carcerárias;
Inclusão do kit homofobia nas escolas;
Educação com recorte de gênero para irmos desconstruindo o machismo.
Estamos reivindicando, principalmente, o direito de decidirmos sobre os nossos corpos e sobre a nossa vida. De termos condições materiais, psicológicas, afetivas de sermos mulheres!
 

Operária das Ruínas – Questões polêmicas como a união homoafetiva, a descriminalização do aborto e da maconha são contempladas pelo Movimento Marcha das Vadias?

Sim.

 
Operária das Ruínas – Como as organizadoras do movimento entendem a “inversão de papéis” nos casos de estupro (e outras formas de violência), em que as mulheres, de vitimas, passam a ser taxadas como “provocadoras” das agressões?

A idéia da Marcha é denunciar este tipo de distorção, pois independente da roupa que a mulher use isso não pode ser utilizado como argumento para legitimar um ato criminoso como o estupro ou outras formas de violência, nem muito menos para desresponsabilizar o agressor que o comete.
 
 

O que: Marcha das Vadias ( Slutwalk Salvador).

Quando: 02 de julho de 2011,
às 08:00 horas.


Onde: concentração no Largo da Lapinha, Salvador - BA.
 

 
Mais informações no evento criado no Facebook:



 
As charges que ilustram esta entrevistas são de autoria de Latuff 
e podem ser encontradas em:  
http://mulheresemmarcha.blogspot.com/


 
Esta entrevista foi respondida coletivamente, com a participação de:

Alexandra Bunchaft- NEIM/UFBA
 
Cristiane Melo
 
Daniela Galdino - CEAO/UFBA, UNEB
 
Daniela Nascimento - NEIM/UFBA.
 
Paula Regina - Centro Acadêmico de Geografia/UFBA, Coletivo Contra Corrente
 
Sandra Muñoz - LESBIBAHIA
Sista Kátia - WENDOSALVADOR, VULVA LA VIDA 
Taisa Ferreira - Coletivo Kiu/ Associação Beco das Cores / NEIM – UFBA
Wagner Pyter - Movimento Exu Tranca Ruas, Coisasprafazer Salvador, salvadorsobretrilhos.blogspot.com e MovimentoPopular.com.br
 
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