Uma leitora anônima deixou um comentário interessante no post do bingo da gordofobia, que rendeu boas discussões.Lola, descobri seu blog não tem muito tempo mas já aprendi a adorar. Seus posts sempr
e me fazem pensar...quero deixar aqui uma opinião que espero que te faça refletir também... Em um outro post você falava de como os mascus são frustrados porque só querem meninas tipo Sandy. Que as gordinhas e as feinhas não eram notadas. E que as meninas tipo Sandy só queriam caras bonitões também... Vc mesma, de alguma forma, classificou-se como menos atraente/sensual do que uma menina padrão. Claro que é possível não seu padrão e ser tão sensual/atraente (ou seja lá o que for) quanto uma Sandy. O importante é vc se sentir bonita. A Sofia Loren já dizia que nada torna uma mulher tão bonita quanto ela mesma se achar irresistível. Então eu te pergunto, você se acha bonita? Se acha sensual? Se a resposta f
or "sim", então vc é uma gordinha feliz. Se a resposta for "não", aí temos um problema.É engraçado como a maioria das pessoas que todo mundo gosta de sacanear são pessoas que já tem a auto-estima baixa. Tenho uma amiga que é gordinha e não vejo ninguém enchendo o saco dela com isso, tampouco a vejo reclamando disso. Vale dizer que essa amiga é super-estilosa, e é referencia de estilo para outras amigas. Aprendi com ela a me maquiar mais, inclusive.
Ser gordinha, ter os traços brutos, ser baixa, não ter bunda, ter peitão, todo mundo tem defeitos. A diferença é a importancia que vc dá a esses defeitos. E antes que o povo aqui me ataque, eu gostaria de dizer que na minha vida, ser sensual e bonita é importante para MIM. Não é uma questão de atrair homens ou admiração alheia. É uma questão de me olhar no espelho e gostar do que vejo.
Querida Anônima, acho que você não entendeu muito bem o que eu disse, porque eu nã
o disse nada do que você diz que eu disse. Pra começar, nem sei o que é uma “menina tipo Sandy”. É uma moça virgem? É branca? É bonitinha e meio sem sal? Não faço ideia. Segundo, mascus são frustados por uma série de motivos (um deles é a incapacidade em rediscutir masculinidade num mundo em transformação), mas o principal é que eles não pegam ninguém, e culpam as mulheres (que, segundo eles, só gostam de ricos ou cafas) para explicar seu fracasso. Agora, gordinhas são muito notadas pelos mascus! Eles não falam em outra coisa. Gordas são alvos preferenciais de mascus, uma de suas obsessões. A raiva deles é que “até” gordas (que, para eles, estariam no último degrau da atração sexual) pegam homens, enquanto eles, machos honrados que são, ficam na mão. E são ignorados até pelas gordas! Ah, e tampouco falei que meninas tipo Sandy (que
não sei o que são) querem só caras bonitões. Eu não me classifiquei como menos atraente ou sensual que uma menina padrão. Eu estou fora do padrão de beleza, não só pelo meu peso, mas também pela minha idade (44 anos). Como não acho a Sandy sensual ou atraente (pra mim), bem, eu me sinto muito mais sensual e atraente do que ela. Minha opinião, lógico. Pois é, em geral eu me sinto atraente, mas depende do dia. Acho bastante difícil que alguém se sinta lind@ o tempo todo. É como felicidade -– alguém é feliz full time?
Discordo totalmente do seu critério para avaliar quem é ou não uma gordin
ha feliz. Então só quem se sente atraente é feliz? Por que alguém que se sente inteligente não pode ser feliz? Não estou dizendo que quem é bonit@ não pode ser inteligente, nada disso. Só dando um exemplo. Por que alguém que se sente engraçada não pode ser feliz? A beleza física não tem o mesmo peso pra todo mundo. Pra algumas pessoas, é a coisa mais importante do mundo. Pra outras, há várias outras características mais relevantes. Eu acho o maridão lindo e sexy, mas o que mais me atraiu a ele foi seu senso de humor. Ou, sei lá, um conjunto de motivos. Tudo é tão relativo... É um clichê, mas é verdade. Não existe um selo de unanimidade pra nada,
nem pra quem está dentro do padrão de beleza. Tem gente que não acha o Brad Pitt bonito, tem quem não ache a Angelina bonita. Ok, é bem provável que a maior parte do mundo ocidental os ache lindos. Mas o gosto não é o mesmo. E isso vale tanto pra beleza quanto pra “feiúra”. O que é feio pra muita gente pode ser lindo pra outras. É isso que mascus, trolls, e demais fiscais da normalidade tentam impedir. Assim, não basta insultar a gorda -– tem que insultar o namorado ou marido da gorda, que ousou gostar de alguém que, para eles, não têm nenhum valor (pois o único valor que uma mulher pode ter é o decorativo).Em geral, o que costuma ser visto como atraente nem é tanto beleza, e sim autoconfiança. É aquele fenômeno que tanta gente já experimentou: por que, quando a gente tá sozinh@, @s pretendentes são minguad@s? Aí basta a gente começar a namorar pra chover na nossa horta. Raramente a gente muda de rosto ou de corpo por causa de um namoro, então
como se explica? É que quando a gente está num relacionamento saudável a gente fica mais feliz, sente-se bem, flutua no ar, ri mais, sorri mais. E tudo isso chama a atenção.O chato é que é muito difícil fingir que se tem alta autoestima. Mas acho que a gente está tão bitolada pelo que nos ditam que acha que só dá pra ter autoestima por causa da aparência física. Por que isso deveria ter um peso maior que outras qualidades? E se você quiser exalar autoconfiança por ser super competente no trabalho, ou por ser uma boa ouvinte, ou por fazer as pessoas rirem, ou por ser uma ótima mãe/pai, ou por ser uma aluna brilhante, ou por ter muitos amigos, ou por tratar bem pessoas e animais, ou até por ter um blog influente? Você não precisa convencer todo mundo que é inteligente, porque isso, assim como a beleza e tudo na vida, é super relativo. O importante é você se sentir inteligente. Algumas pessoas vão te achar inteligente, outras vão pensar que você é completamente idiota. Aposto que Einstein passava p
or isso. Aposto que Einstein não se achava inteligente todo santo dia. Aposto que Einstein era inteligente pra um monte de coisas, e meio tapadinho pra várias outras.Também discordo sobre as pessoas sacanearem quem já tem autoestima baixa. Claro, quem não têm autoestima vira um alvo mais fácil. Só que as pessoas também atacam pra derrubar. Eu não tenho autoestima baixa e sou atacada a torto e a direito. As pessoas atacam também pra se sentirem parte de um clubinho. É um tipo de elo de ligação odiar alguém ou um grupo. E quem tá cheio de ódio ataca totais desconhecidos. Pensa só numa gordinha caminhando na rua, se exercitando. Aí passa um nojentão num carro e grita “Sua baleia horrorosa!”, ou algo assim. O cara nem conhece a moça. Ela só está andando, e não vamos cair no clichê que toda gorda tem baixa autoestima ou anda encurvada ou sei lá o quê. A verdade é que atacar diz muito mais sobre a pessoa que ataca do que sobre quem é atacada. Sério, você pode imaginar que a vida de alguém que sente a necessidade mórbida de insultar
uma completa desconhecida seja um mar de rosas? Quando nós nos gostamos, criamos uma casca grossa. Ficamos menos vulneráveis aos ataques. Vemos que a vida infeliz não é a da moça gorda que se exercita na rua, e sim daquele que a xinga. Fica tudo muito mais simples, sabe?
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