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Friday, January 27, 2012

FELIZ ANIVERSÁRIO, BLOGUINHO! 4 ANOS

Lolinha de férias em Canoa Quebrada, duas semanas atrás

No começo da semana este humilde bloguinho que vos fala fez quatro anos de vida. Minha primeira postagem foi em 23 de janeiro de 2008 (os posts de antes desta data foram escritos antes do blog existir, por isso quase não têm comentários). De lá pra cá, um monte de coisa aconteceu. Na época em que comecei o blog eu fazia doutorado-sanduíche em Detroit. Depois voltei pro Brasil, escrevi a tese, defendi, estudei prum concurso, fiz e passei no concurso, e desde março de 2010 sou professora de Literatura em Língua Inglesa na Universidade Federal do Ceará (vai fazer dois anos já, incrível!). Outro dia estive pensando em como este blog vem sendo escrito por uma mesma pessoa (moizinha) em três lugares tão distantes: Detroit, Joinville, e Fortaleza.
Eu mudei muito também. Continuo com o mesmo maridão (que me acompanhou em todas essas cidades lindas), com o mesmo corpitcho redondo, com o mesmo gato amarelo deslumbrante. Continuo sendo de esquerda e contra preconceitos, como sempre fui, desde que me conheço por gente, mas eu não era tão feminista antes de começar este blog. Certo, me considero feminista desde criancinha, só que antes meu feminismo não era muito estruturado ou pensado. Tive que me autoanalisar e rever vários conceitos, adequar vocabulário (por exemplo, antes do blog eu não sabia que não se deve mais usar homossexualismo, e sim homossexualidade), aprender. E tem sido ótimo. Exaustivo, às vezes, porque post diário não é fácil. Mas ótimo mesmo assim.
De 2008 pra cá, o blog tem crescido muito, sempre. No início eu não fazia a menor ideia e perguntava se mil visitas em dez dias era um bom número. Hoje o blog tem, em média, mais de 5 mil visitas por dia, e umas 8,500 pageviews (até o começo de fevereiro chega a 5 milhões de pageviews no total). Em outubro de 2010 comemorei pelo blog ter chegado a um milhão de visitas; no final de agosto do ano passado, os 2 mi. Esta semana passou de 3 milhões. Tem também 2,450 posts (1,918 escritos de 2008 pra cá), e 80 mil comentários que, se dividos por 1918, dá uma média de 41 por post (fora aqueles que são deletados -- ano passado finalmente aprendi a apagar trolls). Agora o blog tem 3,429 seguidor@s (eram 1,155 no ano passado). E meu Twitter, 7,351 (eram 1,728 em janeiro de 2011).
Isso tudo faz com que eu costume dizer que este é um dos maiores blogs feministas do Brasil. O que não significa que seja o melhor, e muito menos o porta-voz do feminismo (nunca me coloquei como porta-voz de coisa alguma), apenas um dos mais visitados, mais comentados, e mais atualizados (no sentido de ter posts todo dia). Só.
Mas esses números todos me deixam feliz e orgulhosa, porque é um trabalhão fazer o blog, porque eu atraio pessoas altamente qualificadas (e loucos desvairados também, mas em proporção infinitamente menor), e porque eu sinto, a julgar pelos emails, tweets e mensagens que recebo, que influencio algumas pessoas, principalmente as jovens, e que ajudo a fazer pensar. O feedback é enorme e positivo, e é desse convívio que eu me alimento (fora um chocolatinho de vez em quando).
Na realidade, houve três momentos em que o blog realmente cresceu. Ele ficou um tempão (mais de um ano, entre 2009 e 10) oscilando entre as 35 mil e as 40 mil visitas por mês. E o salto pras mais de 60 mil se deu em setembro de 2010, quando finalmente entrei no Twitter (o Twitter realmente ajuda a divulgar um blog. Hoje, 12% das visitas chegam ao meu blog através do Twitter, não necesariamente do meu perfil no Tw. Mas quase 19% vem do Facebook, e olha que ainda não tomei coragem de entrar no FB!). Depois o blog ficou meio ano nas 80 mil visitas, até que foi a 95 mil, em maio do ano passado. E no mês seguinte, em junho, veio um recorde que dificilmente será batido, o de 327 mil visitas num mês. Isso por causa do Marcelo Tas, que ameaçou me processar. E, ok, por minha causa, que em vez de me acovardar e dizer “Sim senhor, vou já remover o post que te ofendeu”, decidi contar toda a história. Em julho, mês que eu e muita gente tirou férias, o número despencou (98 mil visitas), mas, de agosto pra cá tem se mantido numa média de 150 mil visitas por mês (com um pico estranho de 260 mil em outubro). O que eu vejo como um número formidável pra quem escreve sozinha, sobre assuntos que contrariam o senso comum, e sem receber dinheiro pra isso.
Pois é, dinheiro. Grana. Bufunfa. Ao contrário do que juram alguns detratores -- que sou filiada ao PT (não sou, nunca fui; sou eleitora do PT, assim como dezenas de milhões de brasileiros), ou que recebo dinheiro do governo (recebo pra lecionar numa universidade federal, como, aliás, milhares de professores; não pra escrever o blog; inclusive, duvido muito que o governo saiba sequer da minha existência) --, posso dizer que blog não deixa ninguém rico. Em dezembro de 2009 instalei o único anúncio aqui no blog, que é este do Submarino ao lado. Daquela data até dezembro de 2010, recebi do Submarino R$ 1,034, uma média de 80 reais por mês. Funciona assim, pra quem não sabe: a pessoa compra qualquer produto pelo Submarino clicando aqui pelo blog, e uma porcentagem que varia entre 2% e 8% do valor vem pra minha conta, geralmente uns meses depois. Em 2011 vocês foram muito mais generos@s, e eu ganhei R$ 2,3368 no ano (média de 197 por mês). Sou muitíssimo grata a vocês, e espero que continuem comprando por aqui, mas ainda não será desta vez que poderei me aposentar e viver do blog. Fora essa gaita (pedi um sinônimo de dinheiro pro maridão, e ele só podia me passar essa gíria jurássica, claro), também ganho alguns mimos adicionais, como os chocolates da Aiaiai, as assinaturas de revista da LisAnaHD, e um ou outro livro da mão das próprias autoras. Mas o principal mesmo é o carinho de vocês.
Carinho este que se manifesta nos muitos convites que tive para dar palestras em 2011. Entre palestras, mesas redondas e debates, foram dezesseis dos quais participei. Os pontos altos foram Mossoró (minha primeira palestra sobre feminismo na vida), UnB, USP e Unicamp. Sou doutora e tal, mas tenho ciência que fui chamada mais pelo alcance do blog que pela minha produção acadêmica. E em todos os lugares fui super bem tratada. Pra 2012 já tenho três atividades marcadas: 11 de fevereiro estarei em SP para o Campus Party, 6 de março na UFRJ para uma aula inaugural, e 12 de março para uma palestra na Faculdade de Direito de Franca (SP). Me chamem que eu vou (desde que as atividades não coincidam com minhas aulas na UFC, e desde que despesas com passagens e estadia sejam pagas). Também fica o convite para quem é de Fortaleza para participar do meu curso de extensão Análise dos Preconceitos na Mídia. É aberto a tod@s. Começa em março, na UFC.
Ah sim, não posso me esquecer jamais de falar dos guest posts. Adoro publicá-los, porque eles quase sempre trazem uma vivência diferente da minha. E vocês mandam textos com uma variedade gigantesca de temas -– autoaceitação, abuso infantil, aborto, a exaustão do automóvel, autismo, lesbianismo, liberdade, sistema de saúde, linguística, ativismo, câncer, racismo, massagem tântrica, educação, entre tantos outros (aí embaixo colocarei os posts mais comentados do ano passado, e vocês verão como vários guest posts estão entre eles). Em 2011 publiquei 82 guest posts, e já tenho mais vinte agendados. Minha admiração e gratidão por eles são imensas. Sei o quanto o blog perderia sem essas tantas vozes.
Por tudo isso é que o blog me dá prazer e vontade de prosseguir. É verdade que, com o aumento da popularidade, aumenta também o número de haters e trolls. É verdade também que não me lembro de antes na minha vida ter recebido ameaças de morte. E em 2011 foram várias. Mas é como me perguntou, assustada, uma colega e amiga: “Vale a pena?”. Eu respondi: “Valeria a pena desistir de escrever por conta de alguns malucos?” Então continuo, cada vez com mais garra.

Eis os posts mais populares do ano passado, em número de comentários:
Liberdade relativa: Marcelo Tas quer me processar - junho, 1065 comentários

CQC anti-amamentação, vai pra PQP - junho, 612 com.
Como não conquistar as mulheres - dezembro, 447 com.
Guest post: Relacionamento aberto, o amor fora do padrão - Dária, dezembro, 390 com.
Mascu jura que mulher só gosta de cafa - dezembro, 390 com.
Meu feminismo é meu pastor e nada me faltará - setembro, 352 com.
Padrões que se repetem sempre - agosto, 332 com.
Guest post: Ateofobia, negação da lógica ateísta e incitação à intolerância - Robson, out, 321 com.
Guest post: O parto que não pertence à mulher - Nanda, outubro, 318 com.
Blog de ódio divulgado e denunciado à exaustão - dezembro, 318 com.
Os pró-vida querem que os pró-escolha morram - setembro, 317 com.
Guest post: Especismo deve ser tema de todas as lutas - Deborah e Patricia, julho, 313 com.
Rafinha se demite e já vai muito tarde - novembro, 313 com.
Rafinha suspenso do CQC por ofender gente que importa - outubro, 303 com.

Guest post: Fiz um aborto e não sofri - Walx, fevereiro, 294 com.
Qual a maior abominação? Ser gay ou comer moluscos? - outubro, 291 com.

Feio é o seu racismo - novembro, 287 com.
Masculinistas são frustrados. Palavra de mascus - agosto, 283 com.

Vamos tornar grosserias na rua inaceitáveis - janeiro, 280 com.
Sobre assédio e discriminação na sala de aula - outubro, 265 com.
As poses das superheroínas - dezembro, 261 com.
Ninguém mais acredita em evolucionismo - setembro, 254 com.

O pensamento vivo (modo de dizer) dos masculinistas - fev, 248 com.
Guest post: Quero ser uma gordinha bem resolvida - Marília, novembro, 246 com.
"Meu caso virou minha causa", diz Rhanna - outubro, 240 com.

Grosserias na rua? Ninguém merece - outubro, 228 com.
A eterna parada dos sem noção - junho, 224 com.
"O mundo é assim", diz colunista sobre caso de racismo - dez, 224 com.
Tá tudo dominado - outubro, 218 com.
A ciência explica os casais felizes para sempre - novembro, 215 com.
Como decidir se um filme é ou não feminista? - outubro, 212 com.

Mulher, esse ser irresponsável que só quer abortar - janeiro, 210 com.
Assim me diz a bíblia - abril, 205 com.
Homem, sua vez de lutar contra a violência - dezembro, 203 com.

Guest post: Não quero ser uma ativista limpinha e cheirosa - Deborah, junho, 202 com.
Tenho tanta inveja da Gisele quanto ela tem do meu doutorado - outubro, 195 com.
Politicamente incorreto não é transgressor, Rafinha - maio, 194 com.

Guest post: Engravidei duas vezes - Anônima, abril, 192 com.
Qual a diferença entre sanctos e outros mascus? - dezembro, 192 com.
Fantasia de halloween tamanho único - outubro, 191 com.
Respostas as minhas acusações mais frequentes - junho, 181 com.
Piadas de estupro podem ser engraçadas? - junho, 178 com.
Guest post: Violência sexual e falta de empatia - Anônima, março, 177 com.
Inveja da Gisele? Vergonha de quem se recusa a pensar - set, 176 com.

Guest post: Silêncio danoso em torno do vaginismo - Anônima, agosto, 174 com.
Guest post: Como o machismo limita a vida de um homem - Rubens, março, 173 com.
Não basta ser machista. Tem que ser racista também - setembro, 173 com.

A terrível história da líder de torcida estuprada - junho, 170 com.
Como a propaganda combate a Aids - dezembro, 170 com.
A lei Maria da Penha vs. os homens retrógrados - agosto, 169 com.
Homexplicanismo, merecimento, e pedestais desmoronando - novembro, 168 com.
Padrões que prejudicam atletas para popularizar o esporte - julho, 166 com.
Insultos politicamente corretos para usar contra as mulheres - dezembro, 165 com.
Culpado por atropelamento? Pedestre, claro - outubro, 162 com.
Entrevista com Dani, moça atacada na boate em boate em BH - outubro, 160 com.
Guest post: A PM na USP não protege as mulheres - Frente Feminista, novembro, 156 com.

Seja homem: explore sua masculinidade - outubro, 155 com.
Estado laico, quero um pra viver - agosto, 154 com.
Letícia e os machistas ridículos - setembro, 148 com.
Troll fest de lógica linear dos mascus - março, 150 com.
Guest post: Invadindo um espaço que não me pertence - Deborah, novembro, 150 com.
Estrangeiros notam que Brasil mudou. Avisem os brasileiros - setembro, 147 com.
Guest post: Eu sempre gostei de mulher - Susanna, setembro, 143 com.

Saturday, July 30, 2011

2 MILHÕES DE VISITAS! IABADABADU!

Pelo menos tenho o printscreen enviado pelo Alfeu

Opa! Preciso correr e escrever sobre os dois milhões de visitas antes que o blog ultrapasse este número. Minha primeira dúvida é se são dois milhões de visitas ou duas milhões de visitas. Agora que escrevi o troço por extenso tá em parecendo que são dois milhões, mas de toda forma digitei no Google pra saber, e os blogs espertinhos que comemoraram tal marca optaram pelo numeral 2, só pra não se comprometerem. Assim fica fácil!
Confesso que ando meio cansada dessas comemorações. Em junho foi meu aniversário (tava rindo aqui relendo os diálogos espirituosos do maridão, que viajou ontem e volta hoje, espero, o que explica a total falta de fotos comemorativas), agora em agosto será o 21o ano de “casamento” (quando chegar a data eu explico as aspas). E parece que foi ontem que celebrei o terceiro aniversário do blog (em janeiro), ou mesmo a marca do um milhão de visitas, no final de outubro (as primeiras mil visitas foram em fev 08, dez mil em abril 08, quinze mil em maio 08, 25 mil em junho 08, 50 mil em agosto 08, cem mil em nov 08, duzentas mil em março 09, e meio milhão em nov 09, aí aprendi a celebrar mais esporadicamente. Demorei, mas aprendi! Só coloco os links das outras comemorações porque aqueles posts estão muito mais inspirados que este).
O que levou o blog a outro patamar foi mesmo minha entrada no Twitter (ai meu deus, outra comemoração: primeiro ano de Twitter no final de agosto). Durante muitos e muitos meses de 2009 e 2010 o blog ficou estacionado nas 35, 40 mil visitas por mês. Havia pequenas oscilações mês a mês, mas era pouca coisa. E eu já estava bastante conformada. Achava que 40 mil era um número decente de visitas vindas de leitor@s fieis. Mas foi só entrar no Twitter que o blog rapidamente passou as 50 mil visitas, e depois as 70 mil (ok, coincidindo com as eleições — todo blog que fala de política dispara no número de visitas durante o período eleitoral). Hoje quase 19% das visitas do blog vem através do Twitter, e boa parte (mas não sei quantas) pela minha conta no Twitter. Ou seja, quem tem blog e acha que dá pra divulgá-lo sem entrar no Twitter, you're doing it wrong. Mas óbvio ululante, todo mundo já sabia disso e vivia me falando pra eu entrar, e eu aqui, resistindo, feito uma boba. Hoje todo mundo me diz pra entrar no Facebook — que já representa 13% das visitas do blog, então é óbvio que essas pessoas estão certas. Mas tenho medo. O Twitter já é viciante, e eu já fico muito, muito mais tempo que posso na internet. São inúmeras horas por dia, e desse jeito não sobra tempo pra fazer mais nada (tipo escrever e publicar artigos acadêmicos, algo imprescindível quando se é professora universitária de uma federal).
Ish, não tem a menor chance de eu publicar este post antes dos 2 milhões. (Agora já passou da marca faz tempo! O Alfeu me enviou um printscreen, que publico acima. Fico feliz que o número 2 milhões tenha sido alguém que conheço pessoalmente. Como prêmio, vou deixar o Alfeuzinho ganhar de mim no xadrez. Ahn, pra quem não sabe, essa gracinha que é o Alfeu mora em Lages, vive viajando pra jogar torneios internacionais, é cinéfilo, e um dos jogadores mais fortes de SC e do Brasil. Cartas pra redação!).
Então, continuando, depois de chegar às 80 mil visitas num mês, em outubro, o blog ficou nesse patamar (caindo pra 61 mil em dezembro, mês de férias) durante meio ano. A explosão mesmo veio em maio, quando o blog inexplicavelmente, sem nada de especial acontecendo (apenas alguns posts mais populares), teve 95 mil visitas e impressionantes 155 mil page views. E aí no começo de junho aconteceu toda a polêmica com o Marcelo Tas — que, a julgar pela falta de notícias, desistiu de me processar (ainda bem!) — e os números do blog foram totalmente atípicos, porque definitivamente não é comum ter 83 mil visitas em um dia. Em junho foram 327 mil visitas e 466 page views, um número absurdo que o blog jamais terá novamente. E zuzo bem. Este blog, além de feminista (ou seja, ele trata de muitos assuntos indesejados), é feito por uma só pessoa (sem contar querid@s leitor@s que colaboram com excelentes guest posts) que não é absolutamente nenhuma celebridade e que não vive da internet, porque senão morreria de fome. Então ficarei estupidamente satisfeita se o blog conseguir se firmar numas 120 mil visitas e 200 mil page views por mês. Acho um número fantástico. Não há dúvida que a briga com o Tas e com o CQC em geral trouxe muit@s nov@s leitor@s, principalmente seguidor@s no Twitter. Tanto que durante este mês de julho, mês de férias em que (imagino) a maior parte dos blogs vê seus números despencarem, o bloguinho terá umas 97 mil visitas e 170 mil page views, um número estrondoso pra quem viajou durante metade do mês. Quer dizer, eu deixei vários posts agendados e tal, mas parece que não é a mesma coisa — se eu não estou aqui, vocês não estão aqui, suas/seus dependentes químic@s!
Bom, como este já é o post mais chato do universo y sus arrededores, cheio de números, vou aproveitar pra dar mais alguns: até agora, em três anos e meio de bloguinho, foram 58 mil comentários, 2249 posts, 3.327.000 page views, 2616 seguidor@s no blog, e 5450 no Twitter. Pessoalmente eu acho que boa parte dos meus posts aqui são meros detalhes, e o que conta mesmo é o debate que vocês trazem pras caixas de comentários. Nisso eu não sou modesta — não conheço outro blog com comentaristas tão inteligentes, divertid@s, perspicazes, como @s que aparecem aqui. Sei que tenho minha parcela de responsabilidade em atrair tanta gente boa e competente, mas insisto: quem aparece aqui só pra ler os posts, e pula os comentários, não sabe o que está perdendo.
Muitíssimo obrigada a tod@s vocês. Eu me sinto muito amada, viu? E escrevo sempre pensando em vocês, e não nos trolls (que parecem ter tirado férias também, zeus seja louvado) ou no meu hate club, que, à medida em que o blog cresce, cresce também (parece inevitável, tipo Gremlins na água). São vocês que me mantem informada, que sugerem pautas, que abrem novas perspectivas, que me levam pra outros caminhos, enfim, que me fazem dedicar uma parte imensa do meu dia a escrever sem me cansar. Só posso agradecer. De coração.

Monday, June 6, 2011

MEU ANIVERSÁRIO NO MEIO DE MUITO CARINHO

Lolinha contempla o abismo

Bom, pessoal, depois de uma certa idade (uns vinte e poucos anos, creio eu), a gente para de comemorar aniversário. Você não? Pelo menos comigo é assim. Claro, é legal receber um abraço (presente não, que não sou consumista), mas não é mais um dia tão especial como quando tínhamos nossos cinco aninhos. Enfim, hoje é meu aniversário. Nem adianta fazer um post sobre qualquer outro assunto porque sempre vai aparecer alguém aqui pra dar os parabéns e transformar a caixa de comentários numa celebração.
Como aniversário é uma coisa meio sem graça (tudo que alguém precisa saber é que estou fazendo 44 anos, que o maridão prometeu me tratar com doses extras de carinho durante a minha SEMANA de aniversário — eu me aproveito um pouquinho —, e que minha mãe fará um bolo de chocolate no próximo final de semana), vou falar de mais uns assuntos relacionados. O tema quente do momento continua sendo euzinha vs Marcelo Tas. Agradeço imensamente todo o apoio que venho recebendo de vocês aqui no blog. Um monte de gente quer inclusive colaborar financeiramente, mas prefiro aguardar um tiquinho. Se o Tas realmente entrar com o processo, aí eu aceito a contribuição de vocês, sim, por supuesto.Também recebi emails de vári@s professor@s universitári@s e jornalistas que estão abismad@s com a tentativa de intimidação e querem me ajudar, e de advogad@s oferecendo seus serviços. Muit@s blogueir@s e tuiteir@s das mais diferentes correntes (quer dizer, os mascus e a direita em geral me odeiam, e acham que censura só existe quando é o Estado que censura alguém, não quando, por exemplo, um jornal despede uma colunista por ela ir contra a linha editorial do veículo) escreveram posts e tweets me dando apoio, inclusive a cantora Zelia Duncan e o deputado Jean Wyllys. E foi ótimo ter sido lembrada na Marcha das Vadias. A Natália conta que, em frente ao clube de comédia de dois integrantes do CQC, as manifestantes gritaram “Tas Me processa”.
Mas um dos apoios que me deixou mais feliz foi o de mamães blogueiras, que organizaram uma blogagem coletiva para defender a amamentação em público, repudiar as babaquices do CQC sobre o assunto, e se colocarem do meu lado. São mais de 33 posts na Rede Mulher e Mãe, todos ótimos, mostrando que a briga não é entre o Tas e eu, mas entre a misoginia repressora e a liberdade da mulher (eu adorei em especial este da Bruxa). Será que o Tas vai processar todas nós? E hoje a Patricia começou uma nova blogagem coletiva.
A gente cansou de ver
nesses dias que tá cheio de machinho mal-mamado (como disse a Clarisse, se nós somos mal-amadas, eles são mal-mamados) que adoraria que mães amamentassem em casa ou ao menos tivessem a decência de se esconder num banheiro ou de usar um paninho. Descobri que existem artifícios para ocultar essa pouca vergonha que é o seio materno:Agora em modelos e cores mais joviais que as tradicionais burcas. À venda nos EUA.

Mas ainda acho que são os incomodados que devem andar sempre com um paninho no bolso. Assim que um conservador desconfiar que uma mulher com bebê de colo irá amamentar o rebento, ele deve cobrir imediatamente os olhos com o paninho. Bonus points: o mesmo paninho serve também pra quando o conservador vir duas pessoas do mesmo sexo fazendo a menor demonstração de carinho. Se o conservador for do tipo “Como vou explicar pro meu filho dois homens se beijando, ó deus?!”, recomendo que leve um paninho extra pra cobrir os olhinhos sensíveis do pimpolho.
Termino este post com dois diálogos que tive com o maridão esses dias. Este foi na sexta:
Eu: Amore, e se você tivesse que dar uma declaração em público sobre o seu amor por mim?
Ele: Em público? Bom, vamulá: a Lolinha é a luz da minha alma, o amor da minha vida, a flor do meu jardim cheio de ervas daninhas...
Eu: Continua, amor. Parou por quê?
Ele: Tô dando pausa pros aplausos.
[Eu bato duas palmas e peço:] Pronto, já foi. Agora continua.
Ele: Só isso de aplausos? Vamulá, gente, vocês podem mais! A Lolinha merece!
[Depois de longas risadas, ele continua:] A Lolinha tomou conta do meu coração, tomou conta da minha vida, tomou conta da minha razão...
Eu, interrompendo: Aí fica dúbio.
Ele, sem ouvir: ...tomou conta do meu bolso, tomou conta da minha conta bancária, tomou conta de tudo. Minha vida é um inferno!

E este foi no sábado:
Eu: Lembra que, quando escrevi o post sobre o CQC, eu te disse que tinha gostado do que escrevi?
Ele: Lembro.
Eu: Mas o texto não teria tido um décimo da repercussão que teve se o Tas não tivesse ameaçado me processar.
Ele: É verdade. Você acha que a gente vai perder a casa?
Eu (ignorando): A maior parte dos caras morre de medo de um processo. Já vi acontecer: ao menor sinal de ameaça, eles tiram o post do ar na hora, põem o rabinho entre as pernas, nunca mais tocam no assunto. E eu não fiz isso. Eu peitei o Tas. E me orgulho disso.
Ele: Eu também, amor! (torcendo) Lolinha, Lolinha! (no mesmo tom) Contas separadas, contas separadas!

É bom saber que, se tod@s vocês me abandonarem, eu sempre poderei contar com a solidariedade a toda prova do maridão. Obrigada!
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