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Saturday, May 12, 2012

GUEST POST: ESTOU MAIS SEGURA

As god is my witness, eu raramente publico elogios que recebo. Publico muito mais desaforos e insultos do que declarações de amor. Só que a proporção dos afagos é, olha, não sei os dados estatísticos com certeza, de pelo menos dez pra um. Então permitam-me publicar este aqui, que foi mandado pela D. já faz um tempinho. 

Conheci seu blog por acaso há pouco tempo e me apaixonei!
Tenho 20 anos e acho que como a grande maioria, eu tinha uma ideia oposta do feminismo, mas através dos seus textos e de outros blogs que passei a visitar, abri meus olhos pra uma outra realidade. Fui notando como eu era e ainda sou cheia de preconceitos, como criticava aquelas mulheres "que ficavam com todo mundo" e como meus pais ainda acreditam no patriarcado e me criaram pra ser "moça pra casar".
Nunca me achei muito bonita, sempre tive uns problemas com a minha aparência, pois não poderia escapar da ascendência portuguesa e sou peludinha, hehe, e como várias outras, queria ser mais magra. Mas lendo mais sobre o feminismo, comecei a me sentir bem na minha própria pele. E hoje passei por uma situação que me impulsionou a escrever pra você. Estou saindo com um cara bem legal, inteligente, mas que não é nenhum modelo de beleza, ele é daqueles nerds, sabe, e foi isso o que me atraiu nele, o conteúdo e não só o exterior. E pra mim, ele pensava da mesma forma.
Durante uma conversa esta tarde, ele me falou que eu tenho um certo "bigode" e que eu deveria me depilar... com frequência. Eu achei algo estranho, vindo de um cara culto e bem-educado, mas eu não abaixei a cabeça e não fui correndo pra uma pinça mais próxima. Me senti ofendida, porém percebi que se não fosse o feminismo e seu blog pra me fazerem sentir linda do jeito que sou, iria desabar em lágrimas e provavelmete mudar algo que, na verdade, nunca me incomodou.
Por isso escrevo este email pra você, pra agradecer por ter me tornado uma pessoa mais segura. Acredito que ainda tenho um longo caminho pela frente pra me aceitar plenamente e deixar de lado certos preconceitos tão arraigados em mim.
Por favor, continue com seu blog maravilhoso para que muitas outras meninas por aí comecem a amar o que papai-do-céu nos deu. [Nota: D, se deus existe, o que não acredito, deus é mãe].
Um beijo enorme! E obrigada!

Friday, January 27, 2012

FELIZ ANIVERSÁRIO, BLOGUINHO! 4 ANOS

Lolinha de férias em Canoa Quebrada, duas semanas atrás

No começo da semana este humilde bloguinho que vos fala fez quatro anos de vida. Minha primeira postagem foi em 23 de janeiro de 2008 (os posts de antes desta data foram escritos antes do blog existir, por isso quase não têm comentários). De lá pra cá, um monte de coisa aconteceu. Na época em que comecei o blog eu fazia doutorado-sanduíche em Detroit. Depois voltei pro Brasil, escrevi a tese, defendi, estudei prum concurso, fiz e passei no concurso, e desde março de 2010 sou professora de Literatura em Língua Inglesa na Universidade Federal do Ceará (vai fazer dois anos já, incrível!). Outro dia estive pensando em como este blog vem sendo escrito por uma mesma pessoa (moizinha) em três lugares tão distantes: Detroit, Joinville, e Fortaleza.
Eu mudei muito também. Continuo com o mesmo maridão (que me acompanhou em todas essas cidades lindas), com o mesmo corpitcho redondo, com o mesmo gato amarelo deslumbrante. Continuo sendo de esquerda e contra preconceitos, como sempre fui, desde que me conheço por gente, mas eu não era tão feminista antes de começar este blog. Certo, me considero feminista desde criancinha, só que antes meu feminismo não era muito estruturado ou pensado. Tive que me autoanalisar e rever vários conceitos, adequar vocabulário (por exemplo, antes do blog eu não sabia que não se deve mais usar homossexualismo, e sim homossexualidade), aprender. E tem sido ótimo. Exaustivo, às vezes, porque post diário não é fácil. Mas ótimo mesmo assim.
De 2008 pra cá, o blog tem crescido muito, sempre. No início eu não fazia a menor ideia e perguntava se mil visitas em dez dias era um bom número. Hoje o blog tem, em média, mais de 5 mil visitas por dia, e umas 8,500 pageviews (até o começo de fevereiro chega a 5 milhões de pageviews no total). Em outubro de 2010 comemorei pelo blog ter chegado a um milhão de visitas; no final de agosto do ano passado, os 2 mi. Esta semana passou de 3 milhões. Tem também 2,450 posts (1,918 escritos de 2008 pra cá), e 80 mil comentários que, se dividos por 1918, dá uma média de 41 por post (fora aqueles que são deletados -- ano passado finalmente aprendi a apagar trolls). Agora o blog tem 3,429 seguidor@s (eram 1,155 no ano passado). E meu Twitter, 7,351 (eram 1,728 em janeiro de 2011).
Isso tudo faz com que eu costume dizer que este é um dos maiores blogs feministas do Brasil. O que não significa que seja o melhor, e muito menos o porta-voz do feminismo (nunca me coloquei como porta-voz de coisa alguma), apenas um dos mais visitados, mais comentados, e mais atualizados (no sentido de ter posts todo dia). Só.
Mas esses números todos me deixam feliz e orgulhosa, porque é um trabalhão fazer o blog, porque eu atraio pessoas altamente qualificadas (e loucos desvairados também, mas em proporção infinitamente menor), e porque eu sinto, a julgar pelos emails, tweets e mensagens que recebo, que influencio algumas pessoas, principalmente as jovens, e que ajudo a fazer pensar. O feedback é enorme e positivo, e é desse convívio que eu me alimento (fora um chocolatinho de vez em quando).
Na realidade, houve três momentos em que o blog realmente cresceu. Ele ficou um tempão (mais de um ano, entre 2009 e 10) oscilando entre as 35 mil e as 40 mil visitas por mês. E o salto pras mais de 60 mil se deu em setembro de 2010, quando finalmente entrei no Twitter (o Twitter realmente ajuda a divulgar um blog. Hoje, 12% das visitas chegam ao meu blog através do Twitter, não necesariamente do meu perfil no Tw. Mas quase 19% vem do Facebook, e olha que ainda não tomei coragem de entrar no FB!). Depois o blog ficou meio ano nas 80 mil visitas, até que foi a 95 mil, em maio do ano passado. E no mês seguinte, em junho, veio um recorde que dificilmente será batido, o de 327 mil visitas num mês. Isso por causa do Marcelo Tas, que ameaçou me processar. E, ok, por minha causa, que em vez de me acovardar e dizer “Sim senhor, vou já remover o post que te ofendeu”, decidi contar toda a história. Em julho, mês que eu e muita gente tirou férias, o número despencou (98 mil visitas), mas, de agosto pra cá tem se mantido numa média de 150 mil visitas por mês (com um pico estranho de 260 mil em outubro). O que eu vejo como um número formidável pra quem escreve sozinha, sobre assuntos que contrariam o senso comum, e sem receber dinheiro pra isso.
Pois é, dinheiro. Grana. Bufunfa. Ao contrário do que juram alguns detratores -- que sou filiada ao PT (não sou, nunca fui; sou eleitora do PT, assim como dezenas de milhões de brasileiros), ou que recebo dinheiro do governo (recebo pra lecionar numa universidade federal, como, aliás, milhares de professores; não pra escrever o blog; inclusive, duvido muito que o governo saiba sequer da minha existência) --, posso dizer que blog não deixa ninguém rico. Em dezembro de 2009 instalei o único anúncio aqui no blog, que é este do Submarino ao lado. Daquela data até dezembro de 2010, recebi do Submarino R$ 1,034, uma média de 80 reais por mês. Funciona assim, pra quem não sabe: a pessoa compra qualquer produto pelo Submarino clicando aqui pelo blog, e uma porcentagem que varia entre 2% e 8% do valor vem pra minha conta, geralmente uns meses depois. Em 2011 vocês foram muito mais generos@s, e eu ganhei R$ 2,3368 no ano (média de 197 por mês). Sou muitíssimo grata a vocês, e espero que continuem comprando por aqui, mas ainda não será desta vez que poderei me aposentar e viver do blog. Fora essa gaita (pedi um sinônimo de dinheiro pro maridão, e ele só podia me passar essa gíria jurássica, claro), também ganho alguns mimos adicionais, como os chocolates da Aiaiai, as assinaturas de revista da LisAnaHD, e um ou outro livro da mão das próprias autoras. Mas o principal mesmo é o carinho de vocês.
Carinho este que se manifesta nos muitos convites que tive para dar palestras em 2011. Entre palestras, mesas redondas e debates, foram dezesseis dos quais participei. Os pontos altos foram Mossoró (minha primeira palestra sobre feminismo na vida), UnB, USP e Unicamp. Sou doutora e tal, mas tenho ciência que fui chamada mais pelo alcance do blog que pela minha produção acadêmica. E em todos os lugares fui super bem tratada. Pra 2012 já tenho três atividades marcadas: 11 de fevereiro estarei em SP para o Campus Party, 6 de março na UFRJ para uma aula inaugural, e 12 de março para uma palestra na Faculdade de Direito de Franca (SP). Me chamem que eu vou (desde que as atividades não coincidam com minhas aulas na UFC, e desde que despesas com passagens e estadia sejam pagas). Também fica o convite para quem é de Fortaleza para participar do meu curso de extensão Análise dos Preconceitos na Mídia. É aberto a tod@s. Começa em março, na UFC.
Ah sim, não posso me esquecer jamais de falar dos guest posts. Adoro publicá-los, porque eles quase sempre trazem uma vivência diferente da minha. E vocês mandam textos com uma variedade gigantesca de temas -– autoaceitação, abuso infantil, aborto, a exaustão do automóvel, autismo, lesbianismo, liberdade, sistema de saúde, linguística, ativismo, câncer, racismo, massagem tântrica, educação, entre tantos outros (aí embaixo colocarei os posts mais comentados do ano passado, e vocês verão como vários guest posts estão entre eles). Em 2011 publiquei 82 guest posts, e já tenho mais vinte agendados. Minha admiração e gratidão por eles são imensas. Sei o quanto o blog perderia sem essas tantas vozes.
Por tudo isso é que o blog me dá prazer e vontade de prosseguir. É verdade que, com o aumento da popularidade, aumenta também o número de haters e trolls. É verdade também que não me lembro de antes na minha vida ter recebido ameaças de morte. E em 2011 foram várias. Mas é como me perguntou, assustada, uma colega e amiga: “Vale a pena?”. Eu respondi: “Valeria a pena desistir de escrever por conta de alguns malucos?” Então continuo, cada vez com mais garra.

Eis os posts mais populares do ano passado, em número de comentários:
Liberdade relativa: Marcelo Tas quer me processar - junho, 1065 comentários

CQC anti-amamentação, vai pra PQP - junho, 612 com.
Como não conquistar as mulheres - dezembro, 447 com.
Guest post: Relacionamento aberto, o amor fora do padrão - Dária, dezembro, 390 com.
Mascu jura que mulher só gosta de cafa - dezembro, 390 com.
Meu feminismo é meu pastor e nada me faltará - setembro, 352 com.
Padrões que se repetem sempre - agosto, 332 com.
Guest post: Ateofobia, negação da lógica ateísta e incitação à intolerância - Robson, out, 321 com.
Guest post: O parto que não pertence à mulher - Nanda, outubro, 318 com.
Blog de ódio divulgado e denunciado à exaustão - dezembro, 318 com.
Os pró-vida querem que os pró-escolha morram - setembro, 317 com.
Guest post: Especismo deve ser tema de todas as lutas - Deborah e Patricia, julho, 313 com.
Rafinha se demite e já vai muito tarde - novembro, 313 com.
Rafinha suspenso do CQC por ofender gente que importa - outubro, 303 com.

Guest post: Fiz um aborto e não sofri - Walx, fevereiro, 294 com.
Qual a maior abominação? Ser gay ou comer moluscos? - outubro, 291 com.

Feio é o seu racismo - novembro, 287 com.
Masculinistas são frustrados. Palavra de mascus - agosto, 283 com.

Vamos tornar grosserias na rua inaceitáveis - janeiro, 280 com.
Sobre assédio e discriminação na sala de aula - outubro, 265 com.
As poses das superheroínas - dezembro, 261 com.
Ninguém mais acredita em evolucionismo - setembro, 254 com.

O pensamento vivo (modo de dizer) dos masculinistas - fev, 248 com.
Guest post: Quero ser uma gordinha bem resolvida - Marília, novembro, 246 com.
"Meu caso virou minha causa", diz Rhanna - outubro, 240 com.

Grosserias na rua? Ninguém merece - outubro, 228 com.
A eterna parada dos sem noção - junho, 224 com.
"O mundo é assim", diz colunista sobre caso de racismo - dez, 224 com.
Tá tudo dominado - outubro, 218 com.
A ciência explica os casais felizes para sempre - novembro, 215 com.
Como decidir se um filme é ou não feminista? - outubro, 212 com.

Mulher, esse ser irresponsável que só quer abortar - janeiro, 210 com.
Assim me diz a bíblia - abril, 205 com.
Homem, sua vez de lutar contra a violência - dezembro, 203 com.

Guest post: Não quero ser uma ativista limpinha e cheirosa - Deborah, junho, 202 com.
Tenho tanta inveja da Gisele quanto ela tem do meu doutorado - outubro, 195 com.
Politicamente incorreto não é transgressor, Rafinha - maio, 194 com.

Guest post: Engravidei duas vezes - Anônima, abril, 192 com.
Qual a diferença entre sanctos e outros mascus? - dezembro, 192 com.
Fantasia de halloween tamanho único - outubro, 191 com.
Respostas as minhas acusações mais frequentes - junho, 181 com.
Piadas de estupro podem ser engraçadas? - junho, 178 com.
Guest post: Violência sexual e falta de empatia - Anônima, março, 177 com.
Inveja da Gisele? Vergonha de quem se recusa a pensar - set, 176 com.

Guest post: Silêncio danoso em torno do vaginismo - Anônima, agosto, 174 com.
Guest post: Como o machismo limita a vida de um homem - Rubens, março, 173 com.
Não basta ser machista. Tem que ser racista também - setembro, 173 com.

A terrível história da líder de torcida estuprada - junho, 170 com.
Como a propaganda combate a Aids - dezembro, 170 com.
A lei Maria da Penha vs. os homens retrógrados - agosto, 169 com.
Homexplicanismo, merecimento, e pedestais desmoronando - novembro, 168 com.
Padrões que prejudicam atletas para popularizar o esporte - julho, 166 com.
Insultos politicamente corretos para usar contra as mulheres - dezembro, 165 com.
Culpado por atropelamento? Pedestre, claro - outubro, 162 com.
Entrevista com Dani, moça atacada na boate em boate em BH - outubro, 160 com.
Guest post: A PM na USP não protege as mulheres - Frente Feminista, novembro, 156 com.

Seja homem: explore sua masculinidade - outubro, 155 com.
Estado laico, quero um pra viver - agosto, 154 com.
Letícia e os machistas ridículos - setembro, 148 com.
Troll fest de lógica linear dos mascus - março, 150 com.
Guest post: Invadindo um espaço que não me pertence - Deborah, novembro, 150 com.
Estrangeiros notam que Brasil mudou. Avisem os brasileiros - setembro, 147 com.
Guest post: Eu sempre gostei de mulher - Susanna, setembro, 143 com.

Wednesday, January 11, 2012

ALGUÉM LÁ EMBAIXO GOSTA DE MIM

Ha ha, domingo foi épico! Um mascutroll disse que o maridão era fake, invenção minha pra fingir que tenho acesso a um homem. Outro mascu jurou que os Sanctos eram criação minha pra me fazer de vítima e difamar o masculinismo. Eu comecei a me sentir bastante esquizofrênica.E teve alguém que não conheço que desconfiou que sou uma evangélica disfarçada de feminista em missão pra destruir o feminismo brasileiro. Ou seja, eu atuo em várias frentes!As pérolas abaixo (com leves adaptações para efeito cômico) aconteceram em apenas um dos primeiros dias do ano, e no Twitter. Sem que eu me correspondesse com nenhuma dessas pessoas, porque a maior parte eu nem sei quem é. Nunca troquei uma só palavra com praticamente nenhuma delas, elas não comentam no meu blog, não falam comigo no Twitter. E elas nem parecem ser de direita, mas imagino que falar mal de alguém deve fortalecer os laços de amizade. E esses foram só os tweets que eu fiquei sabendo. Fora os que falam mal de mim todos os dias mas, como dou block, nem tchuns.

- O quê?! Aquele post de uma leitora sua era pra ser irônico?! Você não sabe o que é ironia! Aquilo me ofendeu como homem branco e hétero. E você é uma mal-amada! Como que eu sei? Pela sua foto!
- Cada donut que aquela vaca gorda come é uma garantia que ela não chegará aos 50 anos.
- Um dia ela vai explodir de tanta raiva!
- Odeio o blog dela. Odeio as figurinhas nos posts. Odeio o que ela escreve. Odeio a forma como ela escreve. Odeio seu cabelo. Odeio seu marido. Odeio seu gato. Odeio onde ela trabalha. Mas não a leio, não. Nem a sigo. Ela não é nada pra mim.
- Lolinha animando a galera. Pelo menos pra isso ela serve.
- Aquela uma que não ouso falar o nome está deturpando o nome do feminismo! Feminismo é o que eu digo que é. Feminismo é posar de lingerie e criar blog anônimo ridicularizando outras feministas que me criticaram por eu ter posado de lingerie anos atrás. E homens inteligentes da internet ficam linkando posts daquela feminista lá que não sabe nada de feminismo, e não do meu blog anônimo satirizando o feminismo. Condescendentes!
- Haters?! Como ela é presunçosa ao pensar que tem haters! Ninguém liga pra ela! Eu tenho muito mais o que fazer! Eu tenho uma vida! Mudando de assunto, vocês viram a barbaridade que aquela imbecil androfóbica asquerosa publicou faz cinco minutos?
- Ela se faz de vítima só porque tem um pessoal aí que fica ameaçando ela de morte! Vitimista! Intelectualmente desonesta!
- Lolinha doutora pela universidade da dó na arte da vitimização.
- Ela escreve mal pacas mas não é misândrica. Ei! Eu te defendo e você me dá unfollow?! Valeu, hein, Dona Lola!

O melhor que pode fazer uma pessoa como eu, cercada de amigos e inimigos imaginários, é pedir que o espírito do Chico baixe em mim. Deus sim tem a manha de lidar com os haters.

Saturday, October 29, 2011

A TPM FAZ O MEU PERFIL, E FEMINISTA FAZ A MINHA CAVEIRA

Gente, talvez vocês já tenham visto, talvez não. Ontem saiu uma entrevista que dei pra querida Marcela por telefone e email. Foi uma espécie de perfil que ela publicou no site da revista TPM. Acho que ficou muito legal. Tinha uns errinhos e tal, mas eu apontei pra ela e ela prontamente os corrigiu. Um deles foi chamar o maridão de Carlos. Isso foi estranho, porque toda vez que alguém erra o nome dele, fala Luis. Sério mesmo, toda santa vez! Luis é o irmão dele, mas quem erra o nome do Silvio não sabe disso. Bom, Carlos foi a primeira vez. E ainda bem que não disseram que o nome era Mário, se não lá ia eu ouvir 346 piadinhas daquelas que rimam Mário com armário.
Adorei ter falado com a Marcela, que foi uma simpatia só. E certamente esta foi a mais completa de todas as quinze entrevistas que dei este ano. Só posso agradecer!

Mas uma coisa me irritou um pouco. Não tem nada a ver com a Marcela ou com a TPM, mas com a recepção da entrevista. É que tem feminista que se sentiu incomodada com a entrevista. Não interessa quem é, não quero citar nomes, pode muito bem ter sido mais de uma. Então. Uma ou outra não gostou que eu me declare feminista desde os oito anos de idade. Porque feminismo é uma prática política, e criança não faz política, e ninguém tem a menor ideia de opressão quando pequena, e que eu vivo falando do meu feminismo precoce. Minha nossa senhora do chuveiro elétrico, dai-me resistência! Eu não digo que sou feminista desde que me conheço por gente pra me exibir ou pra querer ser uma feminista alpha female melhor que as outras, até porque não estou competindo com ninguém. Não meço feminismos (“o meu é maior que o seu!” -– que papo mais fálico, pelamor!). Não julgo se a pessoa que se diz feminista é ou não uma (na definição genial de um troll) ingrata com o patriarcado. Nem fico avaliando se a pessoa pode ou não ter se descoberto feminista quando diz que se descobriu feminista. Eu digo que sou feminista desde a mais tenra idade porque esta foi a minha realidade (até rimou). Eu me recordo de pouca coisa de quando eu era criança (porque pra mim faz um tempão), mas do meu feminismo eu me lembro muito bem. E não foi uma ou outra frase num diário. Até os 14 anos eu já tinha escrito quatro livros. É, livros. Não publicados, óbvio (isso foi só quando eu fiz 19, um livro de poesia). Durante parte da minha infância esteve na moda um troço chamado The Nothing Book (o livro do nada). Eram livros bonitos, capa grossa, grandões, só que com nada dentro. Era um livro vazio que a pessoa preenchia. E foi isso que eu fiz, com montes de desenhos, colagens, textos, opiniões... Tenho vários registros de textos sobre o poder das mulheres, contra a opressão, pela liberdade, inclusive falando de revolução sexual. Claro que meu feminismo mudou bastante -– na verdade, só criou um discurso mais coerente quando comecei o blog, quase quatro anos atrás. Mas quando eu era criancinha eu já tinha pais feministas que me influenciavam; eu sabia o que era feminismo (direitos iguais, isso me bastava), lia a revista americana Ms., conhecia chavões feministas como “If a man's home is his castle, let him clean it” (se o lar de um homem é seu castelo, deixe que ele o limpe), ou “A woman needs a man like a fish needs a bicycle” (uma mulher precisa de um homem tanto quanto um peixe de uma bicicleta). Ter tido essa experiência não me faz melhor que ninguém. Mas é a minha experiência. E não vou ficar com vergonha de contá-la só porque não foi a de todas as feministas.
Tá, mas isso não é nada. O que me deixou chateada foi um tweet (que não foi enviado pra mim, mas era sobre mim, junto com vários outros dizendo que o que eu falo e faço representam um desserviço pro feminismo): “Você pode ser feminista de esquerda contra o mito da beleza, mas pentear o cabelo não custa nada. Just sayin'.
Esse tipo de coisa eu ouço todo dia. Mas ouço de gente de direita, de fãs do CQC, de pessoas que odeiam feministas. Dos trolls de sempre. Isso vindo de uma feminista me choca um pouco, porque, ahn, julgar uma mulher pela sua aparência é uma das coisas que gostaríamos de evitar. Quer dizer, a feminista que diz algo assim é inteligente. Ela sabe que tal ofensa será usada contra ela, se é que já não foi quinhentas vezes. É como uma mulher chamar outra de vadia. Você não está xingando uma mulher, está xingando todas. Inclusive você mesma.
É tanta patrulhinha inútil, tanta agressão gratuita, que eu fico pensando: será inveja? Mas inveja de quê? Tem espaço pra todas. A internet é enorme, ué.
E eu adoro meu cabelo nessa foto! Gosto muito mais do que quando o cabelo fica todo certinho. Não é tão comum ficar assim, encaracoladinho, em camadas. Acontece às vezes, pouco depois de ser lavado. Muita gente cisma com o meu cabelo por essa foto, e eu acho tão estranho isso. Como se só existisse uma forma certa pro cabelo! Como se cabelo não tão liso estivesse despenteado, ou sujo. Como se eu devesse me conformar com um padrão de beleza específico até pra tirar uma mera foto, mesmo quando eu prefiro meu cabelo de outro jeito!
O que é mais chato é que a feminista que preferiu se concentrar no meu cabelo (lindão, and proud of it) ou em me encaixar num esquema pré-modulado de como deve ser a descoberta do feminismo, provavelmente não prestou atenção no meu recadinho, que foi: “Sejam mais críticas com o mundo e menos críticas com vocês mesmas e com outras mulheres. Já temos um mundo bastante hostil em relação a nós, um mundo que, apesar de estar em franca mudança, ainda é muito desigual. Então definitivamente não precisamos de mais inimigas”.
É no que eu acredito. Desde que me conheço por gente. E já naquela época meu cabelo era tão rebelde quanto eu sempre fui.

Sunday, October 9, 2011

PALESTRAS PARA MINHA GALERINHA JOVEM

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Começou ontem em Fortaleza, e vai até terça, o II Festival Latino-Americano das Juventudes, organizado pelo Juventude da CUT no Brasil. Hoje, das 14:30 às 17, estarei numa mesa sobre internet como política pública da juventude, junto a Gabriel Medina e Alex Capuano. Foi principalmente por causa dessa mesa que realizei a enquete ao lado: pra saber quão jovens são minhas leitoras e leitores. Eu já havia feito uma pesquisa dessas, mas faz tempo, em junho de 2009. Na ocasião, 506 pessoas responderam, e descobri, para minha surpresa, que 27% do meu leitorado tinha 19 anos para baixo; a maior parte, 41%, tinha entre 20 e 30 anos.
Os resultados desta nova enquete não são muito diferentes. A maior mudança é que muito mais gente votou. Desta vez foram 6446 pessoas, quase treze vezes mais gente que dois anos atrás. Agora são só 13% @s leitor@s com menos de 19 anos. ! É muita gente! E pensar que quase cinquenta minileitor@s com menos de 12 anos me leem me deixa muito preocupada! Mas fico muito feliz em poder atrai-los.
Incríveis 60% do pessoal que me lê encontra-se na faixa etária dos 20 aos 30 anos. Ou seja, vocês são uns brotos! (forcei, tá? Essa gíria é mais antiga que eu!). 15% estão na faixa seguinte, dos 31 aos 40. E só 5% é da minha idade, ou seja, entre 40 e 50 (estou com 44 até junho). Acima de 51 anos, 2%. Pode isso? Vocês parecem tão adultos, tão maduros!
Bom, eu já sabia que vocês eram jovens, só não imaginava tanto. Não estou reclamando: sei que a internet é um lugar de jovens pra jovens. E eu sempre me dei muito bem com adolescentes, por exemplo. Dei muita aula de inglês pra fofinh@s de 13 anos! Meus queridos alunos na faculdade têm em média 20, 22 anos, suponho. Super novos também! E até agora nosso relacionamento tem sido ótimo, porque eles são muito receptivos, muito abertos, interessados e divertidos.
Fiquei contente com o convite da Juventude da CUT. Por causa da minha agenda frenética, eles mudaram a data da minha participação duas vezes. É que terça à tarde vou pra SP participar de um evento sobre Consumo e Criança que acontecerá na quarta de manhã. O pessoal da organização prefere falar do evento apenas depois. Prometo anotar tudo que aprender, e comentar com vocês em breve.
E nem contei sobre as duas palestras que dei na Unicamp no final de setembro (veja uma delas aqui; é longa). Foi bárbaro! O pessoal, muito querido, me recepcionou muito bem (a pessoa na foto ao lado é a Renata, uma das poucas com mais de 30 anos por lá). Quase rivalizou com minha acolhida na UnB. Quase! (também adorei a da USP, mas lá o auditório não lotou).
Olha, adoro muito isso tudo: conhecer gente, ser ouvida, trocar ideias. Só que falta tempo. Eu gostaria de ter fins de semana e feriados, essas coisas que as pessoas juram que existem. Mas isso vai ficar pras férias. Chega logo, fim de dezembro!

Sunday, September 25, 2011

O PERIGO DA PALAVRA E A PALAVRA EM PERIGO, NA UNICAMP

Terça-feira estarei na Unicamp para a SELLL: Semana de Estudos Literários, Letras e Linguística Unicamp 2011. Adorei o nome dado à semana, “O perigo da palavra e a palavra em perigo” (veja a programação aqui). Isso abrange muita coisa, e deve render excelentes discussões. O curioso é que fui convidada pra participar no final de maio, antes de todo o imbroglio com um dos membros do CQC. Muito agradecida!
Na terça, às 14 horas, estarei numa mesa redonda chamada “A Palavra em Perigo: Liberdade de Expressão”, com as professoras Dina Maria Martins Ferreira, da UECE (ainda não conheço a Dina, que mora em Fortaleza também), e Eleonora Cavalcante Albano, da IEL/Unicamp. Logo em seguida haverá um coffee break, a exibição do curta metragem Levante sua Voz, e uma oficina (marcada para às 16:30) sobre “O Politicamente Incorreto”, com a minha participação. Ainda estou preparando minha contribuição, mas vou falar da minha experiência com o blog, talvez com uma ou duas revelações surpreendentes (que ainda não fiz aqui e tenho medo de fazer, mas vocês me conhecem e sabem que é difícil eu ficar calada).
Tem muito mais na SELLL, já que a programação vai até sexta. Espero que quem more em Campinas possa participar, porque parece um evento variado e completo.
Infelizmente, eu vou chegar em Campinas na segunda à meia noite, se os voos não atrasarem, e já embarco de volta pra Fortaleza no final da tarde de terça. É que dou aula na quarta, e sempre faço o possível para não ter que cancelar aulas, pois a reposição é complicada. Bom, espero ver vocês na terça. Um leitor querido e antigo, o Lord Anderson, quer almoçar comigo. Vamos marcar alguma coisa pra terça antes da mesa. Quem puder ou quiser ir também está convidado. Marquem aí, ou no Twitter, e, ahn, não se esqueçam de me avisar.
Eu já estive em Campinas umas duas vezes, mas faz tanto, tanto
tempo que não me lembro quando foi. Ah, e estou louca pra conhecer o Diego!
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