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Como sempre acontece em tantas universidades, este ano na Unicamp também houve abuso nas atividades de recepção aos calouros. Algumas calouras reclamaram, a questão foi levada pro Centro Acadêmico, e notou-se (como é igualmente comum) que não havia espaço para reflexão sobre o machismo no meio universitário. Pra preencher essa lacuna, alun@s da Unicamp decidiram promover um ciclo de debates sobre machismo e opressão de gênero na universidade, nos movimentos sociais e na mídia. É por isso que estarei lá no dia 28, próxima segunda. Fui convidada justamente para falar sobre esses trotes. Mas sou professora, e quem é alun@ conhece melhor a dinâmica dos trotes, essa praga hierárquica e repulsiva disfarçada de tradição e brincadeira. Queria pedir pra vocês compartilharem experiências humilhantes de trotes, para que eu possa ter mais exemplos pra minha palestra.
Conheço alguns casos. Inclusive já tratei de vários no blog. Em 2010, durante o InterUnesp, jogos universitários realizados em Araraquara, cerca de 50 rapazes da Unesp derrubaram agumas alunas gordas e montaram nelas, como se fossem peões dominando touros. Os outros gritavam: “Pula, gorda bandida!”. Isso foi organizado no Orkut, e os mascus sanctos se vangloriam que foi obra deles (bem capaz). Os três organizadores do Rodeio de Gordas receberam apenas cinco dias de suspensão. Já o Ministério Público forçou um acordo para que Roberto Negrini e Raphael Dib Tebchrani pagassem cerca de 20 mil reais cada um em cestas básicas para instituições (ironicamente, feministas e LGBTTT). Um dos três organizadores, Daniel Prado de Souza, recusou-se a assinar o acordo. Se for condenado, terá de pagar 50 cestas básicas. Fica aqui a torcida para que seja. 
No início do ano passado, calouras da Agronomia da UnB tiveram que chupar linguiças com leite condensado em cima, simulando sexo oral (e, pra aumentar a humilhação, quem segurava a linguiça era o presidente do grêmio, vestido de presidenta). Também houve a “brincadeira” de chupar linguiça com camisinha. Enquanto as calouras, uma de cada vez, chupavam a linguiça, um coro de cerca de 250 estudantes cantava “Ovo, ovo, ovo, vai até o ovo”. Os responsáveis pelo evento tiveram a cara de pau de negar o cunho sexual da recepção.Agora em abril, na faculdade de Direito da UFPR, um dos partidos acadêmicos do curso lançou um guia para calour@s, chamado de “Manual de Sobrevivência: Como Cagar em Cima dos Humanos”, principalmente dos direitos das humanas, que teriam obrigação de dar. Houve nota de repúdio, e o grupo feminista do curso fez uma manifestação contra o manual e o machismo na sua faculdade. Muito a contragosto, o responsável disse que, “SE ofendeu alguém”, pedia desculpas.
O que esses três casos, em cursos e universidades bem diferentes, têm em comum? Eles mostram o descaso que se tem com as mulheres. Alunas, principalmente calouras (o patamar mais baixo na pirâmide social universitária), estão lá para servir a alunos, de uma forma ou de outra. É claro que esse tratamento misógino não é exclusividade das universidades. Ele está em todo lugar. O que choca é que ele persista até num meio privilegiado como o universitário, que deveria ser o ápice da educação formal. Muitas calouras entram na univesidade como foram instruídas -– a baixar a cabeça e fazer o que os homens mandam, sem reclamar. Já os alunos veem essas alunas como se fossem suas. O corpo delas não é delas, é deles. 
Este excelente (e forte) vídeo da Frente Feminista da PUC-SP diz muito. Começa mostrando clichês machistas na mídia, e logo vem a pergunta: “Você acredita que está muito longe disso? Acredita que por estar na faculdade te olham de outra forma?” Em seguida surge uma calourada em que as alunas batem bumbo e os alunos cantam: “Seus peitos moles eu cansei de chupar. […] Ó caloura pucquiana, vc não sente dor / Não tenho tanta p*rra / Não sou fornecedor”. Não está claro no vídeo o que é e não é uma performance.
Mas alguma dúvida que essas coisas existam? Nos Jogos Jurídicos, olimpíadas e recepções aos calouros, as faculdades fazem charangas, equipes da bateria para cantar e tocar músicas de torcida para provocar outras equipes/cursos. Por exemplo, aqui está o Proibidão da Atlética da PUC-MG. No repertório de charangas do Direito da UFMG (também chamada de “Vetusta”) há atrocidades assim: “Moreninha vagabunda / Não estudou, só deu a bunda / Foi pra Fumec / Êeeêee / Só sabe f*der. / Loirinha muito rica / Só sabia ch*par p*ca / Foi pra Fumec / Êeeêee / Só sabe f*der. / Ô gorda submissa / Foi pra PUC rezar missa / Lambe minha gl*nde / Êeeêe / Vai emagrecer”. Essas são cantadas em coro por estudantes festivos.
O negócio é tão enraizado que muitas alunas apoiam os trotes e insistem que “a maldade está nos olhos de quem vê”. Uma veterana da Agronomia UnB que defendeu o trote de chupar linguiça (na época dela, ela teve que pegar uma cenoura no meio das pernas de um colega) ilustra bem a situação: “Todos podem fazer o que bem entendem, menos a gente”. E cita o exemplo de um programa de TV em que as participantes têm de pegar notas de dinheiro com a boca. Ou seja, se a mídia é machista, se o mundo é preconceituoso, por que a universidade também não pode sê-lo? De brincadeirinha, claro. E só brinca quem quer.
Em abril último, muita gente lançou nota de repúdio aos atos de violência moral e psicológica ocorridos nos rituais de recepção aos novos alunos da Faculdade de Direito da USP/Ribeirão Preto. Na Festa de Coroação, um grupo de calouras foi proibido de sair do recinto por não querer participar da “brincadeira” “Bixete pega o disquete”. Trata-se de um desfile em que as “bixetes” tem que se abaixar no final do percurso. No “juramento”, os calouros homens prometem não usar seus pênis. Já as calouras, que começam seu juramento com as palavras “Eu, bixete vagabunda...”, dizem que seguirão belas e pertencerão apenas aos veteranos. Este ano, na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora, calouras tiveram que carregar placas escrito “Cara de sapatão” e “Cara de p*ta”. Em 14 de abril ocorreu um caso de abuso sexual contra uma estudante da mesma universidade durante a Calourada do Instituto de Artes e Design. Felizmente, a UFJF tem um Coletivo Feminista, o Maria Maria, que está fazendo pressão. Seu lema é “mudar a vida das mulheres para mudar o mundo, mudar o mundo para mudar a vida das mulheres”.
Pois é, grupos feministas existem e são importantes. Tanto que alunos vivem tentando deslegitimar qualquer protesto de mulheres sobre qualquer coisa. Recebi um email em março de uma aluna reclamando que o CA de Direito da USP chamou uma bandinha de mulatas seminuas para sambar na faculdade. Isso é ofensivo porque, numa universidade com tão poucos negros e pardos (apenas 0,2% dos professores da USP não são brancos), parece que a única forma que moças negras e pardas teriam de entrar é como faxineiras ou mulatas de carnaval. O Coletivo Feminista Dandara, que faz várias campanhas contra o machismo, muitas vezes encontra resistência de alun@s que não querem mudar coisa alguma.
Na mesma semana que recebi o convite da Unicamp, recebi também email de uma aluna da Unifesp Guarulhos. Lá eles estão em greve há mais de um mês, e o clima entre alunos pró e anti greve não anda bom. Numa assembleia recente, os alunos decidiram continuar a greve, e a votação foi apertada. Quando uma das manifestantes quis hastear uma bandeira, um manifestante anti-greve iniciou um bate boca e logo passou a chamar a moça de vadia e vagabunda. Alunas lançaram um manifesto e foram rechaçadas por uma ala conservadora da universidade “que simplesmente não se envergonha de mostrar seu machismo assumidamente em espaços públicos de debate”. Pra demonstrar que a aluna não está exagerando, reproduzo um entre dezenas de comentários deixados por alunos no blog aberto para repudiar o machismo: “Manifesto aqui minha total solidariedade para com os alunos que ofenderam a menina, toda feminista é vádia, até por que o feminismo prega precisamente isso, somente os cegos pela devassidão moral é que não entendem”. Isso vindo de um aluno da faculdade! 
Num espaço com tanto preconceito, é lógico que haverá lugar para trotes humilhantes, ameaças, palavrões que valem só pra mulheres, e, em casos mais extremos, rodeios em alunas fora do padrào de beleza e até estupros. Se existe uma boa notícia neste post é que há resistência: a nossa, e a de todas as pessoas que veem que as universidades refletem o mundo encontrado “lá fora”, e lutam para mudar esse mundo.
Mas existe outra boa notícia. A partir deste ano, os órgãos que avaliam tanto universidades públicas quanto privadas incluirão o tipo de trote na equação. As avaliações cobrem trinta indicadores (infraestrutura, planejamento etc), e a questão dos trotes será um deles, entrando na política de atendimento ao estudante. Vamos ver se, correndo o risco de ver sua instituição rebaixada, reitorias sejam mais atuantes em coibir trotes violentos, e alun@s entendam a universidade como lugar de transformação, de tolerância, de diversidade. Afinal, ninguém precisa estudar pra perpetuar a desigualdade.
Em outubro, por conta de uma mesa redonda da qual iria participar, pedi pra vocês que narrassem casos de assédio sexual e discriminação por parte de professores. Foram mais de 250 comentários, de todos os cantos do país, contando a mesma história de desrespeito às alunas, impunidade e desca
so das instituições. Um desses casos, um que aconteceu na UFPE no ano passado, finalmente foi levado adiante. O julgamento será nesta segunda, dia 27 de fevereiro, na 13a vara da Polícia Federal de Pernambuco, às 14 horas. Neste guest post, uma graduanda da universidade conta o que aconteceu, e faz um apelo: "A violência não é um problema só de quem a sofre, é um problema de tod@s nós. Ontem foi ela, amanhã pode ser você". UPDATE: Veja no final a condenação, que saiu em maio.Um dia as máscaras caem. Alguns indivíduos acreditam na impunidade, amedrontam, ameaçam e violentam, certos de que seu status, seu dinheiro e seu prestígio lhe darão segur
ança, mas um dia se deparam com pessoas para as quais toda essa casca de nada vale, pessoas que colocam a boca no trombone.Pois bem, pode parecer que estou divagando, mas estou somente iniciando mais um relato de violência contra a mulher. Mais um entre milhões que acontecem todos os dias, e confesso que muito me desanima ver que as estatísticas pouco têm diminuído e muitas vezes são até invisíveis em certos casos, como em ambientes acadêmicos. Então vamos lá...Em meados do ano passado, uma aluna e funcionária da Universidade Federal de Pernambuco afirmou ter sido estuprada por um professor. Como qualquer orientanda, numa bela tarde, ela tinha uma reunião marcada com ele em sua sala para discutir sobre sua pesquisa, cujo próprio acusado se convidou para orientar. Ele inicia a conversa falando da sua enorme coleção de máscaras e blá bla bla
bla bla... A aluna, por sua vez, começa a falar sobre o projeto; afinal de contas, era para isso que ela estava lá. Nesse momento, ele pega em suas mãos e diz: “Você está muito tensa, relaxe”. A partir daí, o circo dos horrores se forma e mais uma violência se concretiza. Prendendo as mãos dela, ele apalpa seus seios. Ela então, se solta e junta suas coisas, e sai da sala. Ele vai atrás dela, e a segue pelas escadas do prédio da faculdade, cínico e no intuito de continuar a violentá-la psicologicamente. Em um dado momento, ele apalpa sua bunda, ela se esquiva e pede para que ele pare. “Só se você pegar na minha”, foi sua resposta. Ao chegar ao térreo, ela busca ajuda em seu ambiente de trabalho e é encaminhada à coordenação de sua pós-graduação. Chorando e desesperada, ela espera quatro horas até a coordenadora aparecer e pedir para que ela se acalme. A coordenadora insinu
a que ela pode ter se confundido, que talvez ele não tivesse feito aquilo, mas por ela estar nervosa, pode ter imaginado coisas. Oi? Então ela imaginou ter sido apalpada? Imaginação fértil, não é? E para finalizar com chave de ouro, a coordenadora pergunta a ela se não quer que ligue pro professor e peça para ele lhe pedir desculpas...Corajosamente, ao sair da universidade, a aluna vai à Delegacia da Mulher e presta queixa. As delegadas no plantão indiciam o professor por estupro [já que, segundo a lei 12015 de agosto de 2009, para que haja estupro não é mais preciso a conjunção carnal; logo, o que era antes tido como Atentado Violento ao Pudor é hoje considerado estupro] e encaminham o caso ao Ministério Público Estadual. Entretanto, o promotor que recebe o caso rejeita a acusação e afirma no processo que tudo não havia passado de uma “passada de mão”
, palavras dele.
Por que isso aconteceu? Podemos especular? Primeiro, o acusado é uma pessoa muito influente, pois trabalha na área de segurança pública. Segundo: para muitos desses cidadãos que estão no poder, violência de gênero é algo que não existe e tudo acaba por se resumir em falácias, mentiras por parte das vítimas e absolvição do agressor.
Para completar, é marcada uma audiência de conciliação! Colocar frente a frente vítima e acusado. Acreditando na incompetência do Ministério Público de julgar o caso, o advogado da vítima entra na instância federal.A própria leva todo o processo à Promotoria Federal e depois de quinze dias entra em contato com o promotor que pega seu caso. No processo ele pede a exoneraç
ão do acusado, dá veracidade à versão da vítima, e encaminha o caso para a juíza.Nesse momento a aluna está esperando ser chamada para que o processo de depoimento e tudo mais comece. Por mais incrível que possa parecer, a justiça está fazendo a sua obrigação, que é investigar o que houve, e punir, caso o acusado seja considerado culpado. Tudo parece ir bem se não fosse o esquecimento do caso por parte tanto da universidade, quanto dos professores e profissionais e, sobretudo, por parte dos alunos. Esse caso não foi o primeiro do professor. Junto com esta vítima, outra também o denunciou. Há outros que por medo as mulheres, alunas, professoras e profissionais não denunciam. Não é o primeiro dentro da instituição. É sabido por todo mundo que violências, sejam elas simbólicas, psic
ológicas e físicas acontecem no ambiente acadêmico, lugar da ciência, dos letrados e de toda sapiência, mas isso não é divulgado. As vítimas sofrem sozinhas e caladas, e a universidade fecha os olhos para isso. E o pior de tudo: os próprios professores sabem, mas nas suas funções de educadores nada podem fazer, empurram a poeira para debaixo do tapete e dizem: “É, isso acontece mesmo, mas não podemos acusar ninguém sem provas”, ou “A pessoa pode alegar perseguição política”. No fim das contas o corporativismo predomina, e nada é feito.No entanto, para mim há uma omissão e uma negligência que me parecem ainda pior: a dos alunos. Simplesmente não falam sobre o assunto. Logo que ocorreu esse último caso (até onde sabemos), eles fizeram algum burburinho, mas hoje? Uma borracha foi pass
ada em suas memórias. Não sabem eles que com esse silêncio ajudam para que mais e mais pessoas, sejam homens ou mulheres, sejam violentad@s e passem por mais e mais situações desse nível.Por isso venho, através desse relato, trazer uma reflexão: é necessário que tomemos partido. Chega de imparcialidade que só leva à impunidade; violência contra as mulheres existe sim e está batendo a nossa porta. Não precisa, se não quiserem, defender a versão da vítima, o que deve ser exigido é a apuração do caso e o não esquecimento. Cobrar, cobrar, cobrar. Cobrar para que o professor seja afastado enquanto o processo acontece. No momento não importa se ele é isso ou aquilo -- ele está sendo acusado pela justiça e continua dando aula.Se a justiça é para todos, que julguemos todos igualmente e não ofereçamos regalias. Mas enquanto a violência contra a mulher for tratada com esse desrespeito e conivência por parte de
todos, mais e mais meninas e mulheres serão vítimas. Vítimas de seus “educadores”, de seus pais e, por que não, de toda a sociedade. No caso especifico das universidades, depois de muita luta, nós mulheres conseguimos entrar no espaço acadêmico, e não podemos aceitar ser expulsas de lá pela violência.P.S.: A condenação saiu em maio, e desta vez a Justiça foi exemplar. O professor da UFPE e cientista político Jorge Zaverucha foi condenado a um ano e nove meses de prisão (a ser cumprido em regime aberto, mas com restrição de direitos), a pagar R$ 50 mil de indenização à aluna e dez cestas básicas por mês (durante toda a sua pena) para uma entidade beneficente, e a perder seu cargo na Federal. Obviamente, seus advogados vão entrar com recurso, pois a punição foi dura. Espero que ela seja mantida. Muitos parabéns à aluna, que teve a coragem de denunciar, e a tod@s que se mobilizaram em seu apoio. Eu, de minha parte, tenho orgulho de ter publicado este guest post. Obrigada.
Gente querida, venho aqui pedir toda a colaboração de vocês. É o seguinte: semana que vem, entre os dias 19 e 21 de outubro, teremos os Encontros Universitários da Universidade Fe
deral do Ceará. Uma professora muito querida que é coordenadora do Projeto Casa (todos os novos docentes passam por um estágio probatório de três anos e, enquanto isso, devem participar de várias atividades; eu gosto, temos bons debates e palestras, e é uma oportunidade de conhecer professores de várias áreas), revelou-se fã do meu blog e pediu sugestões pra uma mesa. Eu sugeri, e ela aceitou, um tema que vem me incomodando: o modo como professores lidam com alunas. Várias alunas minhas já reclamaram de professor que fica olhando pro decote, que
fala gracinhas inapropriadas, que não as levam a sério... Quando estive na UnB (saudades, meninas!) para a semana de Direito e Gênero, uma das alunas na minha sessão perguntou o que pode ser feito contra professores que desrespeitam alunas. Eu não me lembro de ter passado por nada disso como estudante, mas eu fiz Pedagogia (esmagadora maioria de alunas e professoras), e, na Pós-Graduação em Inglês na UFSC, além do número muito maior de mulheres, não parecia haver espaço pra desrespeito. No entanto, volta e meia recebo emails de leitoras relatando alguma barbaridade. Semana passada, no post sobre grosserias na rua, uma leitora deixou o seguinte comentário:Na faculdade, fui apresentar um seminário com um macacão curto. Amigas me disseram que o professor praticamente tentou ver meu útero quando eu passei por ele. Outro dia, na mesma aula
, eu estava com um casaco larguíssimo de lã e o professor ainda assim conseguiu encarar os meus seios. Ele me adicionou no orkut e no facebook. Eu nunca dei trela. No final da disciplina, tirei nota máxima E ME REVOLTEI. Eu sabia que minhas amigas tinham se esforçado o mesmo que eu e fizeram basicamente as mesmas coisas que eu no curso, mas não tiraram a mesma nota. Só eu e outras duas garotas para quem ele também arrastava asa ganhamos a nota máxima. Espalharam pro restante da turma que eu tinha ganhado aquela nota porque dei em cima do professor. Eu NUNCA fiz nada, nunca dei bola pros assédios dele, nunca dei a menor brecha e ainda assim fiquei estigmatizada por uma coisa que vinha dele. EU ODEIO AQUELA NOTA MÁXIMA! Será que esses alun
os que disseram que a leitora recebeu a nota máxima por ter dado em cima do professor eram mascus? Porque é isso que eles creem: que mulher não precisa estudar ou trabalhar (pra quê, se é só casar com homem rico?), e que mulher que tira boa nota é porque deu (muito mais que "dar em cima") pro professor. Porque, obviamente, apesar de já sermos a maioria nas escolas e faculdades do país, não temos competência pra ir bem nos estudos por conta própria.
Então. Sabemos que há alunas que saem, namoram e casam com professores, e nã
o temos nada com isso. Mas parece ser muito mais frequente o assédio indesejado de professores a alunas, e, em cursos com minoria de mulheres, alunas serem discriminadas ou tratadas com desdém. Como eu respondi na mesa da UnB, sou otimista e ingênua, uma Pollyanna Deslumbrete, como me apelidou a Somnia, e portanto prefiro acreditar que muitos professores sequer sabem que estão passando dos limites. Acho que boa parte deles, se soubesse o que as alunas acham das “encaradas” e das gracinhas, tentaria mudar. É absurdo como a questão do gênero, uma questão tão importante, é geralmente deixada de lado nas discussões sobre práticas pedagógicas. Na minha graduação em Pedagogia, nunca falamos de gênero, apesar de serem conhecidos os estudos que mostram que alunas são tratadas de modo diferente que alunos (por professores e professoras
, que costumam decorar mais nomes de meninos que meninas, que fazem perguntas mais desafiadoras e dão mais tempo de resposta a meninos etc). Nos Encontros Universitários, teremos uma mesa em que eu, uma professora convidada da UnB, e uma aluna de Sociologia falaremos sobre essa questão de gênero. Desde já, quem mora no Ceará está convidad@ a comparecer e participar (será na sexta, dia 21, à tarde, no campus do Pici). Mas peço que vocês, neste espaço, relatem as experiências que têm ou tiveram sobre o assunto. O objetivo da mesa não é, de forma alguma, uma “caça aos bruxos”. Mas o assédio é um problema que incomoda muitas alunas e, se nossa vontade é fazer da universidade um lugar mais acolhedor, temos que abordar este tema. Queremos
fazer uma reflexão e propor algumas soluções. Logo, nos relatos, não incluam nome do professor ou nada disso. Não precisa nem colocar a instituição. Talvez apenas a área seja interessante. Eu quero compartilhar os relatos de vocês na mesa. Muito obrigada! Sei que posso contar com minhas querid@s leitor@s.
Terça-feira estarei na Unicamp para a SELLL: Semana de Estudos Literários, Letras e Linguística Unicamp 2011. Adorei o nome dado à semana, “O perigo da palavra e a palavra em perigo” (veja a programação aqui). Isso abrange muita coisa, e deve render
excelentes discussões. O curioso é que fui convidada pra participar no final de maio, antes de todo o imbroglio com um dos membros do CQC. Muito agradecida!Na terça, às 14 horas, estarei numa mesa redonda chamada “A Palavra em Perigo: Liberdade de Expressão”, com as professoras Dina Maria Martins Ferreira, da UECE (ainda não conheço a Dina, que mora em Fortaleza também), e Eleonora Cavalcante Albano, da IEL/Unicamp. Logo em seguida haverá um coffee break, a exibição do curta metragem Levante sua Voz, e uma oficina (marcada para às 16:30) sobre “O Politicamente Incorreto”, com a minha participação. Ainda estou preparando minha contribuição, mas vou falar da minha experiência
com o blog, talvez com uma ou duas revelações surpreendentes (que ainda não fiz aqui e tenho medo de fazer, mas vocês me conhecem e sabem que é difícil eu ficar calada). Tem muito mais na SELLL, já que a programação vai até sexta. Espero que quem more em Campinas possa participar, porque parece um evento variado e completo.Infelizmente, eu vou chegar em Campinas na segunda à meia noite, se os voos não atrasarem, e já embarco de volta pra Fortaleza no final da tarde de terça. É que dou aula na quarta, e sempre faço o possível para não ter que cancela
r aulas, pois a reposição é complicada. Bom, espero ver vocês na terça. Um leitor querido e antigo, o Lord Anderson, quer almoçar comigo. Vamos marcar alguma coisa pra terça antes da mesa. Quem puder ou quiser ir também está convidado. Marquem aí, ou no Twitter, e, ahn, não se esqueçam de me avisar.
Eu já estive em Campinas umas duas vezes, mas faz tanto, tanto tempo que não me lembro quando foi. Ah, e estou louca pra conhecer o Diego!
Talvez este post não interesse a muita gente, se bem que pode ser legal pra leitor@s mais recentes, que não sabem que, dois anos atrás, eu tava fazendo concurso pra Universidade Federal do Ceará. Pois é, olha como o tempo voa: a professora hiper que
rida que foi a presidente da banca de seleção do meu concurso se aposentou este ano, e abrimos um novo concurso para preencher a vaga. Como se deve — é regra entre as federais —, o concurso era pra vaga de professor-adjunto, ou seja, só pra quem tem doutorado. Isso foi em junho, e eu nem cheguei a mencionar aqui. Mandei emails pra alguns amig@s e colegas de SC e foi só. Infelizmente, só três pessoas se inscreveram (ninguém que eu conhecesse), e dessas três, só uma apareceu, fez a primeira prova, e não passou. Então agora saiu o edital pro novo concurso. As inscrições vão só até o dia 19 de setembro, e a exigência é de mestrado (em Letras-Inglês). A pessoa aprovada dará aulas principalmente de Li
teratura em Língua Inglesa, mas também pegará disciplinas só de inglês. Eu não estou na banca de seleção nem nada. Até gostaria de estar, mas tem que ter anos de experiência docente pra fazer parte. E, considerando que sempre vem candidato da UFSC, e que fiz meu mestrado e doutorado lá há pouco tempo e ainda tenho amizade com bastante gente, é bom que eu não faça parte mesmo, pra que não haja nenhum tipo de favorecimento. Mas ó só que demais: eu já passei por esse mesmo concurso (com os mesmos quinze pontos!) em agosto de 2009. E na
rrei tudo no blog. É um super guia das minhas dúvidas, de como me preparei, de como funciona o concurso... Então comento agora os posts que escrevi naqueles tempos, porque sei que quem digitar no Google Irish Literary Movement: Celtic Twilight, por exemplo, fatalmente será mandado pra cá (aconteceu no concurso de dois anos atrás -- todos os candidatos me conheciam pelo blog). Em janeiro de 09, seis meses antes de defender minha tese de doutorado, eu já sabia bem o que queria. Ok, este post não tem muito a ver com o concurso em si, mas é uma amostra de que tudo deu certo. Mais certo que isso, só se eu não tivesse tanto trabalho e pudesse descansar nos fins de semana e feriados! (tem certeza que quer ser professor@ de universidade pública?).Este post aqui lo
go depois que eu defendi a tese, e fala, entre outras coisas, de como minha inscrição foi indeferida! Antes disso, em dezembro de 2008, mencionei um concurso em São João Del Rei, MG. Cheguei a me inscrever e levei de Floripa a Joinville, de ônibus, 25 livros que peguei em bibliotecas da UFSC pra estudar, mas não fiz o concurso (e nem preciso dizer que não me preparei nadinha). Não fiz porque, naquela época, eu ainda era mestre e, embora o concurso aceitasse inscrições de mestres e doutores, os mestres só fariam as provas caso algum doutor não passasse. Não tem jeito, cada lugar é diferente mesmo...Lembro que dois outros concursos que eu podia fazer abriram na mesma época. Mas havia chance das datas das provas coincidirem, e era tudo ponto diferente. Se eu fizesse os três, no total teria que preparar absurdos 33 pontos em menos de dois meses. Impos
sível! Fiz muito bem em escolher o concurso da UFC, que escolhi mais pelo lugar mesmo. Eu queria morar em Fortaleza mais que em Curitiba (que adoro, mas é frio pra caramba) ou em Maringá (que não conheço, mas todo mundo diz que é uma bela cidade). Quando minha inscrição foi finalmente aprovada na UFC, aí eu decidi começar a estudar. Ou pelo menos eu anunciei pro mundo que começaria urgentemente a estudar (aí acho que demorei mais uns dez dias pras vias de fato). Neste post, eu estava começando a me preparar, as datas do concurso já tinham sido divulgadas, eu já havia comprado as passagens pra Fortaleza, mas ainda estava cheia de dúvidas sobre o edital (adoro a imagem e legenda que usei: “tudo nos trilhos pro concurso”, com a foto de uma modelo prestes a ser decapitada por um trem). Mas só pra esclarecer (volto a falar n
isso nos posts seguintes), meu concurso foi assim, e tudo indica que este também será: são três pontos os sorteados na prova didática. Um obrigatoriamente entre os sete primeiros pontos (de Linguística), e dois entre os oito restantes (de Literatura). Daí você precisa escrever três ensaios curtos, um sobre cada ponto, no período de quatro horas. Sem consulta, claro. E sem tempo pra dar uma olhada no que você preparou pra cada ponto. Ou seja, tem mesmo que vir com todos os quinze pontos na memória.Aqui tem um post divertido sobre como um blogueiro americano, o Nate (faz tempo que não falo com ele! O blog dele, infelizmente, é um daqueles que falava mais so
bre política, e que caem muito em tempos não-eleitorais; no caso dele, após as eleições presidenciais americanas de 08), me "ajudou" na preparação pro concurso. O legal de ter tudo anotado é que descubro que, faltando uma semana pro concurso, eu só tinha oito dos quinze pontos preparados. Faltava metade! E, pra decorar os que eu já tinha preparado, valia até grudar a papelada na parede do banheiro!Bom, este post é do dia que eu estava viajando de Joinville pra Fortaleza. E, pelo jeito, preparei quatro pontos em três dias. Crianças, não tentem fazer isso em casa.Neste post eu já escrevo de Fortaleza, após a primeira prova. Fica uma importante lição inicial: pra quem vem de longe, cuidado com as passagens aéreas. Quero dizer, não confie muito nos horári
os das conexões. Deixem uma boa folga. No dia em que viajei, o aeroporto de Navegantes – SC, estava fechado. Neblina demais. Eu tinha comprado passagem com a esperança de chegar em Fortaleza às 13 horas de segunda (a prova era no dia seguinte, às 8 da manhã). Por causa desses problemas, passei segunda inteira num hotel em Campinas (estudando, claro), e só aterrisei em Fortaleza às duas da manhã de terça! Se precisasse de mais alguma conexão, teria perdido a prova. Segunda lição: chegue ao local do concurso meia hora antes. Eu achava que meu hotel era perto da UFC (e era!), mas o trânsito estava horrível, e eu cheguei lá em cima da hora. Três minutos depois e eu teria perdid
o o concurso. E aí imagine a decepção: você estuda um monte, gasta um monte pra ir de uma região a outra do país, e não pode nem fazer o concurso?!Eu lembro da sensação de ter ido bem no primeiro teste. Lembro de ligar pro maridão depois da prova escrita pra dizer que achava que tinha passado naquela fase. Falo de tudo isso no post, e ainda da leitura das provas, o que acho um ótimo procedimento de transparência. E pretendo estar lá no dia da leitura das provas deste concurso agora pra poder ver quem são @s candidat@s e o que el@s escreveram. O post seguinte é sobre minha alegria ao saber que tinha passado na primeira prova (dos doze candidatos que fizeram a prova, só quatro foram aprovados pra outra etapa), e o sorteio do ponto pra prova didática. Tá tudo lá, explicadinho. Neste eu conto como minha prova didática não foi bem porque eu me enrolei no tempo. Mas tem boas dicas de como fazer o recorte do tema, já que é só uma aula de 50 minutos, e você não vai querer falar de toda a história do Harlem Renaissance, por exemplo, em menos de uma hora. Eu invente
i que tínhamos começado a falar sobre o tema em outra aula, antes de um feriado, e que precisávamos recapitular (isso precisa estar no plano de aula). E depois entrei numa análise do final de um romance. O último post é o do resultado, e de como esse resultado foi comunicado. E da minha imensa surpresa em ter passado em primeiro lugar. Talvez eu lembre pra sempre do telefonema que fiz pro maridão. Sei que toda vez que passo por aquele orelhão na universidade (pois é, eu não tenho celular), eu penso no meu concurso. É uma boa sensação. Sem falar que ultimamente aquele orelhão vem sendo ocupado por um gatinho. Ele às vezes se aloja embaixo do orelhão e quem quiser ligar tem que fazer alguns contorcionismos pra desviar do dono do pedaço.Há muitos outros posts, lógico, sobre a burocracia dos exames médicos, a espera angustiante pra ser chamada — levou meses! —, a mudança de SC pro Ceará, a posse, mas
sobre o concurso mesmo, são só esses. Só! Onde mais tem um roteiro tão completo sobre um concurso pra uma federal?Não sei quando será a prova, mas deve ficar mais pro final de outubro. O tempo pra preparar os pontos é o de praxe nos concursos: de um a dois meses. Inscreva-se, capriche na preparação, e venha trabalhar no meu departamento!
Amanhã começo o meu novo curso de extensão! Este se chamará Análise dos Preconceitos na Mídia, e será bastante parecido com o curso que dei no semestre passado, Crítica da Mídia, mas um pouco mais direcionado a preconceitos (machismo, racismo, homofobia, gordofobia, etc etc) e privilégios. O último curso foi
muito interessante. Mais de 60 pessoas se inscreveram, várias dessas pessoas compareceram, mas apenas dezesseis cumpriram a carga mínima (frequência de 75% das aulas) para obter o certificado. Aliás, se o certificado levar muito mais tempo pra sair (porque demora mesmo), eu vou acabar me cansando e fazendo eu mesma uma certidão pra entregar. Enfim, é comum que em cursos totalmente gratuitos muita gente se inscreva, e pouca gente conclua. Para este semestre, vou cobrar muito mais d@s alun@s. Desta vez pedirei que, em cada aula, dois ou três alunos apresentem um estudo de caso, para que a gente possa debater os assuntos e analisar onde a teoria se aplica. Semestre passado o curso foi às sextas, das 11 às 13, mas, como há vários cursos n
a UFC e grupos de estudo nesse dia da semana, mudei o dia para segunda-feira no mesmo horário. Pra mim seria melhor se fosse em dias menos corridos, como terça e quinta, mas, como tem gente que vem de outras cidades e passa a semana em Fortaleza, tem mesmo que ser na segunda ou sexta. O curso é quinzenal. A princípio, essas serão as datas dos encontros: 5/9, 19/9, 26/9, 10/10, 17/10, 31/10, 7/11, 21/11. Mas estão sujeitas a mudanças (caso eu tenha alguma reunião no horário, ou congresso em outra cidade, ou todo mundo dizer que vai se ausentar). Como a gente quase sempre precisa do dvd, tentarei agendar as aulas para a sala de reuniões do Departamento de L
etras Estrangeiras (campus Benfica). A sala é mais confortável que a Interarte porque, além de não ser preciso instalar o dvd e abrir e fechar meia dúzia de cadeados (o que é importante pra mim, já que tenho aula toda segunda das 9 às 11, e outra das 14 às 16, então é bem corrido mesmo), ela tem cadeiras, não carteiras, e é possível formar um circulo. A desvantagem é que cabe menos gente, mas acho que não será um problema.Eu adoro essa parte de extensão, porque assim a gente não fica presa só ao grupo de L
etras (que é por si só adorável). A turma anterior (e a maior parte prometeu continuar) era ótima porque havia gente de várias áreas diferentes. Mas eu adoraria que mais gente de fora da academia viesse. O curso é aberto a toda comunidade. Desta vez houve pouco tempo pras inscrições e tava tudo um pouco confuso na secretaria (porque os servidores continuam em greve), mas é só chegar lá na sala de reuniões do DLE amanhã, que acho que haverá lugar pra tod@s. Bom, todas as pessoas simpáticas e inteligentes que vivam ou visitem Fortaleza estão convidadas. Vejo vocês amanhã!