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Saturday, April 14, 2012

GUEST POST: A PSICOPATIA ESTÁ POR PERTO

Quando penso em relacionamentos abusivos, sempre lembro daquele filme com a Julia Roberts, Dormindo com o Inimigo. Apesar de ser ficção (e de nem ser um bom filme), ele mostra um comportamento que costuma se repetir e que muitas vezes acaba em tragédia. No começo o sujeito é o namorado ideal, atencioso, romântico, se bem que arrogante (ele se acha muito especial e moralmente superior a todos). Mas pouco a pouco vão surgindo problemas que a gente deixa passar. São pequenas coisas no início, ceninhas de ciúme, um pouco de controle demais, mas que visam separar a mulher do convívio com amigos e com a família. Em pouco tempo, a mulher sente que ele é só o que tem -- e é isso mesmo que ele quer que ela sinta. Com a mulher emocionalmente e, em vários casos, financeiramente dependente, começam os abusos. E, se a mulher tenta se afastar ou procurar ajuda, vem as ameaças (ameaças que tantas vezes terminam em assassinato, já que dez mulheres são mortas por dia no Brasil, quase sempre por parceiros ou ex-parceiros). E o pior é que este é um padrão -- o homem que age dessa forma com uma mulher provavelmente agirá assim em todos seus relacionamentos.
U
ma leitora, a Talita, teve uma experiência dessas, sobreviveu, e decidiu escrever para nos alertar sobre como age um namorado psicopata.

Recentemente passei por uma situação horrível e imaginei que você poderia alertar outras pessoas sobre essa questão em seu blog: me envolvi com um psicopata. Fui enganada de diversas formas, traída, humilhada, agredida física e verbalmente, depois que descobri suas falcatruas e tentei expô-lo às outras pessoas, que ele também enganava. Ele se aproveitou de minha situação vulnerável, pois sou uma mulher sozinha, sem família e amigos por perto, morando em uma cidade nova. Ninguém acreditou em mim. Pelo menos descobri tudo rápido e me livrei. Outras podem não ter a mesma sorte.
Descrevo aqui algumas formas de identificar um psicopata, baseada na minha experiência pessoal com o cara, e que cai como uma luva com as descrições da doença contidas na Wikipédia. Suas atitudes, no mês e meio em que moramos juntos, me confundiam; ele parecia uma pessoa completamente diferente daquela que conheci e com quem namorava havia 6 meses. Se eu tivesse tido informação sobre o assunto antes, teria me poupado. Talvez você tenha colegas psiquiatras que possam ajudar numa exposição mais adequada sobre esse assunto. De qualquer forma, fica aqui minha advertência, na esperança que outras também saibam identificá-los e livrem-se deles, antes que o pior possa acontecer.
Quando uma coisa é boa demais pra ser verdade, é porque geralmente não é verdade. Se o seu namorado parece príncipe ou santo, cuidado: ele pode ser um psicopata. Parece tema de novelinha, coisa de mau gosto que só acontece com a prima da vizinha da avó. Mas não é. Desconfio dos rótulos psiquiátricos e da frequência das suas aplicações, mas os “psicopatas comunitários”, ou casos “leves”, podem não ser assassinos, mas produzem muitos estragos e parecem representar até 4% da população. 3% é de homens.
Apesar de manipuladores egoístas, incapazes de amar e passíveis das maiores mentiras e maldades, eles parecem o homem que você pediu a deus. Isso porque são charmosos, têm uma tremenda lábia, sabem o que você quer e adaptam-se com perfeição aos seus desejos, te fazendo sentir a mulher mais amada/desejada/linda do mundo. Fazem-se de “corretos”, “íntegros” e “honrados” socialmente e podem adorar usar essas palavras para se descreverem (até parece papo de mascu). São amigáveis e profissionais exemplares. E porque eles mentem com muita calma e olhando nos olhos, as pessoas custam a acreditar que se trata de um sacripanta, mesmo quando existem provas de suas mentiras. Por causa de tudo isso, pode demorar um pouco para notar que existe algo errado com ele (além da perfeição excessiva) e, em muitos casos, você pode descobrir a verdadeira natureza do sanguessuga social apenas depois de estarem vivendo juntos e a sós. Pra evitar isso, informe-se, fique atenta, nunca confie cegamente e tenha um longo namoro, sem meter os pés pelas mãos num compromisso apressado. Sempre vale lembrar que príncipe encantado não existe e que a gente tem que seguir o coração, mas levar o cérebro junto. Seguem umas dicas:
Seja observadora quanto a contradições do bom-mocismo inicial -- possessividade, grude, chantagem emocional, vitimização, choro fácil (teatro). A agressividade costuma vir depois (principalmente quando você começar a questionar pequenas contradições, querer sair com amig@s, usar saias curtas). Passado familiar e amoroso conturbado (abandono de filhos e de mulheres grávidas são injustificáveis, e péssimos sinais). Fazer-se de coitadinho e falar mal da mãe e das ex, também. Se a própria mãe dele achar que ele não presta, talvez você deva acreditar. E não seja uma tapada competitiva, ouça as ex namoradas/mulheres do "apaixonado perfeito": se mais de uma disser que ele é cafajeste, acredite (isso também vale pra identificar o mau caráter comum. As pessoas têm capacidade de mudar até certo ponto). E se acha que com você será diferente, sente-se ultra-segura porque ele te faz sentir a última bolacha do pacote, não se deixe iludir, PSICOPATIA NÃO TEM CURA e você também poderá ser enganada, traída e agredida como as outras, ou coisa pior. Essa doença é, entre outros fatores, genética, então sejamos também responsáveis para não fazer um mal pra humanidade e botar outro psicopatinha no mundo.

Thursday, August 25, 2011

GUEST POST: SAÍ MAIS FORTE DO CÂNCER

Giovana Damaceno é linda, e vocês já já vão ver porquê. Ela é jornalista em Volta Redonda, RJ, tem um blog, e também um livro de crônicas publicado, Mania de Escrever, que pode ser comprado aqui. E ela é tão generosa que me enviou várias fotos para publicar aqui. Este é o tipo de guest post que informa e emociona ao mesmo tempo. Coragem, pessoas! Vão fundo.



Ao receber o pedido da Lola para escrever um guest post sobre minha experiência com o câncer de mama, pensei que seria algo rápido e prático a fazer, mas já escrevi tanto a respeito que chegou a me dar um branco. Por onde começar? O que exatamente interessaria aos leitores da Lola? Então decidi falar um pouco de cada momento, resumindo ao máximo o que levaria mais de um dia para relatar.

Sou jornalista, cronista, escrevo uma coluna para o jornal da minha cidade e também no meu blog. Logo que fui diagnosticada com um câncer de 8cm na mama esquerda, em março de 2009, aos 40 anos, tratei de contar a meus leitores, falar da minha surpresa, confessar minha dor e meu medo, mas já dando a volta por cima, adiantando que daquele limão eu faria uma caipirinha. E esta caipirinha eu estou bebendo até hoje.

Detectei um caroção na mama esquerda por mero acaso. Fazia autoexame regularmente e a última mamografia, de um ano atrás, estava ok. Um dia, no trabalho, dei um tempo do computador e espreguicei. Na descida dos braços, passei ambas as mãos pelas laterais das mamas e levei um susto. Ali estava um ser indesejado, que só seria identificado como câncer meses depois (o primeiro diagnóstico foi de nódulo, com 4cm). É importante frisar que a forma como passei a mão na mama em nada tem a ver com os movimentos normalmente ensinados para fazer o autoexame.

Os primeiros dias após a notícia foram de desespero total. A primeira coisa que se pensa é: vou morrer. E enquanto aguardava os trâmites normais para iniciar a quimioterapia, fui me acalmando, olhando o problema de forma prática (como sempre fiz) e colocando literalmente o tratamento na agenda. Claro que o choque sacode corpo e alma e, pra quem consegue ter o mínimo de equilíbrio (eu consegui, ah!) é um ótimo momento para reflexão: para quê estou passando por isso? Com esta pergunta em mente virei pra Deus e disse: “Estou levando uma sacudida de ombros, eu sei. Pois então eu estou pronta pro sacrifício. Seja o que for que tiver de aprender com isso, conto som Sua força e amparo. Vamos juntos que eu venço esta parada. Câncer gosta de tristeza, portanto ele se abrigou no lugar errado e não vai ficar aqui por muito tempo!”

Foram seis sessões de quimioterapia, a cada 20 dias, que me levaram quase ao fundo do poço. Chamava os dias pós quimio de escuridão. Não encontrei nada melhor pra definir dias de enjoo quase insuportável. Ficava sozinha, em silêncio, na minha cama, sem conversar com ninguém, sem pensar, só enjoando e dormindo, sem comer, só bebendo água bem gelada, com gelo e gotas de limão, um dedinho de cada vez. Fraqueza, vertigens, pernas moles. Quem me conhece não acreditaria que aquela era eu. Só não vomitava porque meu médico, o oncologista Fernando Almeida, prescreveu um coquetel de remédios que seguravam no estômago o pouco que eu conseguia comer. O enjoo parece o mesmo da gravidez, multiplicado centenas de vezes; quem já teve filho pode imaginar, de leve. Sempre aconteciam num período de sete a dez dias após a sessão e depois melhorava um pouco e eu já conseguia comer melhor.

Exatamente no 17º dia depois do início do tratamento meus cabelos se foram. Tratei de passar máquina logo que observei queda mais volumosa, porque não quis ver minhas longas madeixas se soltando da cabeça. Não quis usar peruca. Optei por muitos chapéus, lenços e turbantes. Sempre saía de casa com a cabeça colorida. Pior que ficar careca foi mudar de cor, assim, meio cinza, e com aquela cara redonda, que parecia inchada, sem cílios e sem sobrancelhas. Aliás, não é só cabelo da cabeça que cai; é do corpo todo! Tentei fazer piada disso tudo e fui levando. Fiquei mal mesmo por causa da quimio a partir da terceira sessão. Os efeitos causados pelas drogas são cumulativos e o corpo vai ficando cada vez pior. Tonteira, memória fraca, muita dor pelo corpo todo, como se a carne estivesse apodrecendo. Não podia ficar muito tempo na mesma posição, deitada ou sentada, que tinha a sensação de estar me desintegrando. Tudo com dor. E com muito enjoo. E na boca um gosto amargo/pútrido permanente, que me fez consumir latas de pastilha Valda, tubos e tubos de spray de menta, balas Halls (preta e azul) sem fim. Meu médico também incluiu nas prescrições de remédios uma pílula que me ajudasse a dormir, porque uma das substâncias contidas entre as drogas provocava insônia. Após a sexta e última sessão tive que me conformar em apenas esperar passar. Não conseguia ler, mal via TV, todos os sintomas ficaram ainda mais intensos, até começarem a diminuir depois de vinte dias.

A temida cirurgia veio após o tratamento quimioterápico. Mesmo com o sucesso da primeira etapa do tratamento, que zerou o tumor, seria preciso me submeter à mastectomia para evitar que as células anormais (que formam o tumor) voltassem a se reorganizar. E a opção encontrada pelo meu mastologista, Eduardo Millen, foi o esvaziamento da mama e reconstituição imediata com material retirado do meu abdômen -– o TRAM. No mesmo procedimento cirúrgico -– que durou seis horas -– foi feita a adenomastectomia e a reconstrução por cirurgia plástica. O Eduardo abriu minha mama pela frente, com uma incisão por cima da aréola, esvaziou todo o conteúdo e preservou mamilo e aréola. O cirurgião plástico, Leopoldo Menezes, então entrou em cena. Abriu um corte na barriga, de um lado a outro, como numa cirurgia plástica. No baixo ventre ele cortou os dois músculos e junto com a gordura abdominal trouxe tudo para a mama, por dentro, por meio de um túnel. Meus músculos abdominais hoje sustentam a minha mama, recheada com minha própria gordura abdominal e é também através destes músculos que o novo recheio é irrigado com sangue. No abdômen foi colocada uma tela de polipropileno, para manter tudo mais ou menos de pé (mais ou menos mesmo; barriguinha de tanquinho, nunca mais!). Sem os músculos ganhei a limitação de não poder mais me levantar ou deitar reta; só de lado. Motivo pelo qual não faço exercícios abdominais, por exemplo.

Após a cirurgia e devida recuperação, encarei 25 sessões diárias de radioterapia. Mais tranquilas de fazer, mas nunca sem sequelas. Foi somente por causa da radio que minha nova mama não ficou exatamente perfeita. Estão aqui, inteiros, meu mamilo e aréola, mas a mama ficou mais endurecida embaixo, pois a ‘queimadura’ provocada pela radio causou uma anomalia nas pontas dos músculos que a sustentam, chamada esteatonecrose. Ainda pretendo fazer uma cirurgia de correção de simetria, que vai tornar minha mama direita menor e mais firme, e assim e evitar ao máximo meus péssimos humores na hora de escolher e vestir roupas que disfarcem ou não destaquem a diferença entre as duas (mesmo com enchimentos no sutiã, a diferença não é totalmente disfarçada).

Ao lado, durante todo este tempo, em cada minuto, em cada choro, em cada projeto futuro discutido, estava o maridão (também falo assim, Lola). Chegava a brigar sério comigo quando me via falar com a voz mais mole. “Para com isso que você não é assim! Faço qualquer coisa que você precisar, desde que se dirija a mim com a mesma altivez de sempre!” E eu respirava fundo, levantava a cabeça e pedia: “Pode me trazer um copo d’água, por favor?”, com a voz mais firme que a fraqueza provocada pela quimio me permitia. Um homem que posso dizer que é perfeito. Falo pouco sobre isso porque ninguém acredita e achariam que sou louca. Mas ele é. Se me perguntassem que defeito tem o maridão, não saberia o que responder. Mesmo. Entende a alma feminina como só uma mulher entenderia, é um companheiro exemplar, compreensivo, paciente, e me ama incondicionalmente. Sim, este ser existe e é o meu maridão.

Junto com ele contei com outras pessoas que, reunidas, dei o nome de equipe de apoio. Mãe, filho, duas amigas sensacionais, irmãs, irmãos, cunhadas. Cada um no seu quadrado, dando tudo o que podiam. E meus médicos, a quem vou morrer (daqui a muuuitos anos) agradecendo.

Costumo dizer que me salvei do câncer porque tive fé, não só no Deus que acredito, mas nos meus médicos e principalmente em mim. Como disse, coloquei o tratamento na agenda e fui seguindo aquele roteiro, programando dia após dia. Não deixei de sonhar, refiz meus planos para o futuro, fiz um grande planejamento do que faria depois do fim do tratamento. Isso é importante, muito importante, embora seja difícil não sucumbir ao medo. Mas logo no início do tratamento ouvi de uma mulher que passou pelo mesmo problema que o medo é a maior armadilha. Também descobri rápido para quê estava passando por tudo aquilo: para me mudar, para crescer, para ser uma pessoa melhor, depurada, e isso foi fundamental. Estranho dizer tudo isso assim, num texto, para pessoas que não me conhecem pessoalmente, mas foi assim mesmo. Surgiu uma pessoa corajosa dentro de mim que nunca imaginei que pudesse existir.

Parece tudo muito perfeito, né? Não, não é. Só eu sei o quanto de dor senti, quantas vezes chorei sozinha, a intensidade do pânico que me tomava frequentemente, como era desanimador acordar de manhã e lembrar “estou com câncer...”, as dores da cirurgia, a exaustão de tanta gente me tocando, me virando, mexendo, sacudindo. Ninguém -– ninguém mesmo –- que não tenha passado por isso pode fazer ideia do que seja, física e emocionalmente, viver uma experiência com o câncer. Mas eu decidi que comigo seria diferente e eu fiz a diferença. Até agora estou plenamente saudável, voltei a trabalhar no início de 2010, minha vida profissional é super ativa. Eu e o maridão temos atividade sexual plena, apesar de eu ficar ainda meio constrangida por meu corpo não ser mais perfeitinho. Sem contar a menopausa precoce que as sessões de quimio me deram de presente. Aí rola um probleminha com o calor, que ninguém merece!

Creio que o texto ficou grande demais para este espaço, mas há muitos outros detalhes sobre esta experiência que contei no meu blog. Quem se interessar, é só acessar o marcador “O ano do meu crescimento” que tem tudo lá.

Obrigada, Lola, pela oportunidade. Espero ter esclarecido algo para a mulherada e para os homens também. Qualquer dúvida, estou à disposição.

Saturday, March 26, 2011

SOBREVIVENDO À DENGUE

Escrevi um post imenso que prometi pra duas leitoras do Twitter mas vou deixar pra publicá-lo na segunda, se não se incomodam. Enquanto isso, vou falar da minha saúde, ou falta de. Ontem à tarde, depois de todas as aulas e tal, fui ao médico. O exame sorológico comprovando se eu e o maridão estamos com dengue não deu outra: estamos mesmo. Ou melhor, estávamos. Agora estamos chegando na terceira semana e quase todos os sintomas já desapareceram. O médico nos deu alta, o que me pareceu um tanto estranho porque nem eu nem o maridão ficamos de licença, paramos de trabalhar ou qualquer coisa assim. Comparado aos relatos de dengue que derrubam (a pessoa fica de cama sem força pra nada), até que sobrevivemos bem. Mas faltou avisar o meu fígado, que ainda está doentinho. Sei disso porque muita coisa que como me faz passar mal. Na realidade, a única coisa que não me faz passar mal é sopinha de legumes. E existe um limite pra quanta sopa um ser humano pode aguentar. Mafalda, te homenageio! Anseio por um churrasco. Pra piorar, ontem, no hospital, o maridão desandou a falar de pavê, e eu fiquei morrendo de vontade de preparar um pavê super achocolatado. Vai ter que esperar, eu sei.
Mas só mesmo dependendo das reações do meu corpo pra saber como anda meu fígado, já que a Unimed se recusou a fazer (pela segunda vez) outro exame laboratorial de fígado antes de completar um mês. O médico pediu, o plano de saúde negou, e eu fiquei esperando uma hora no laboratório pra ver se alguém convencia a droga do plano que, sabe, eu tô com dengue, e o primeiro exame revelou problemas no fígado, então talvez um outro exame possa ser importante pra ver se meu fígado tá se recuperando? Finalmente, não aguentei mais e perguntei: “Quanto é esse exame se eu tiver que pagar por conta própria?”. Na realidade eram dois exames além do de sangue que o médico havia pedido, e a Unimed só topava fazer o de sangue. Sabe quanto custavam os outros dois? 26 reais! Era essa miséria que a porcaria do meu plano de saúde se recusou a pagar. Imagina se algum dia eu precisar de um transplante, uma cirurgia... A iniciativa privada é tão boa pra humanidade.
Aí fui fazer o exame de sangue. Foi o quinto desde que começou a suspeita da dengue. Só os primeiros dois não doeram. E nenhum pôde ser feito no meu braço direito porque, aparentemente, eu não tenho veias lá. Ontem não deu certo me furar no braço esquerdo (não que não tentaram), então a enfermeira decidiu tirar sangue da minha mão! Da minha mão, gente! (mas doeu menos que no braço). A enfermeira querida ainda disse que é bom eu nunca precisar de internação hospitalar, porque se eu depender das minhas veias, eu tô perdida. Eu sabia que existia uma boa explicação pra eu nunca me viciar em drogas injetáveis. (Não que eu não teria dificuldade pra me viciar em qualquer tipo de droga, eu que não sei fumar, não sei engolir comprimido, e passei boa parte da minha vida com nariz entupido. Agora que vivo em Fortaleza meu nariz funciona esplendidamente).
O maridão estava de bom humor e se pôs a comparar nossos exames de sangue. Era um tal de “E leucócitos, você tem algum? O quê?! Só 4200? Não sei como alguém pode viver com tão poucos leucócitos. Eu tenho 6 mil”. Aí ele via algum número que eu ganhava dele (como nas plaquetas: agora as minhas estão em 289 mil, contra 221 mil dele), e dizia que aquele troço não devia ser muito importante.
Enfim, estamos ficando bem. Mas esses dias eu li alguma coisa falando de carnaval e pensei: ué, o carnaval já passou? Aí lembrei que passamos o carnaval meio de cama (não no bom sentido).
Mas, como disse a Aiaiai, tenho que estar plenamente recuperada pra páscoa.

Sunday, March 13, 2011

DODÓI

Estou doente. Vai fazer uma semana amanhã. O maridão, com sintomas parecidos, começou uma noite antes de mim. Pois é, dá pra dizer que não tivemos um bom carnaval.
A gente pensou que era dengue, por todos os sintomas (que variaram um pouco entre eu e ele): dor de cabeça, náusea, febre, fraqueza, tontura, dores nas juntas, manchas vermelhas pelo corpo, total falta de apetite. Eu sabia que estava muito mal porque tem um chocolate esperando por mim na dispensa e por enquanto não consigo nem olhar pra ele.
Sexta às quatro, depois das aulas (é, eu dei aula. Os alunos queriam me mandar pra casa, mas acho que precisa estar pior do que eu estava pra cancelar aula), fui ao hospital. O maridão tinha ido mais cedo, e o médico confirmou: dengue. Só que, depois de eu fazer o meu exame de sangue e ser atendida por uma simpática médica grávida (o único médico ever que não só não me mandou emagrecer, como proibiu qualquer tipo de dieta durantes essas horas difíceis), ela disse que não era dengue, porque minhas plaquetas estavam em 260 mil, e pra ser dengue tem que estar abaixo do limite de 150 mil por milímetro. Era uma virose, só que, como os sintomas são similares ao da dengue, tenho que refazer o exame de sangue a cada 48 horas (ou seja, hoje! Vai ser lindo passar o domingo em hospitais, sendo espetada. Nada me deixa mais feliz).
Ao ouvir aquele diagnóstico, lembrei do exame de sangue do maridão, que indicava 205 mil plaquetas. E fiz questão que ele falasse com aquela médica, que então disse a ele o mesmo que pra mim ― não era dengue, mas às vezes leva uma semana pra comprovar.
Todo mundo com quem falei que teve dengue (três alunas e minha amiga Manu) disse que, quando foi com elas, elas não conseguiam nem andar, que era a pior dor do mundo, que ficaram duas semanas imprestáveis. Um vizinho comprovou isso ao ver o maridão na garagem e perguntar “Como vai?”, e ele responder que tinha dengue. O vizinho só olhou pra ele de cima pra baixo e disse, categórico: “Não, você não tem dengue”. Mas a Manu era a única que sabia das plaquetas (que são fragmentos de células que vêm da medula óssea. Quando o número cai demais, há hemorragia).
Então tá. Espero mesmo que não seja dengue (até porque, em caso positivo, o exame de sangue passa a ser diário!). Mas por que a gente pegou essa maldita virose? As reações do meu corpo não param de me surpreender. É uma doença Kinder Ovo: cada dia uma surpresa. Os sintomas raramente se repetem, mas tem uma novidade toda manhã. A de ontem foi super desagradável: mãos e pés vermelhos e inchados que ficaram coçando o sábado inteiro, sem parar. Tenho certeza que ainda acordarei uma manhã com cauda e chifres.
Espero que nossas plaquetinhas aumentem e a gente saia dessa, porque não tá legal.
UPDATE: Pânico! Nossos exames de domingo acabaram de sair (online). As plaquetas do maridão caíram 50 mil. As minhas? Mais de 100 mil em dois dias! Agora estamos juntinhos no limite: ele com 153 mil/mm3, e eu com 154 mil/mm3. Vamos correr ao médico agora.
UPDATE 2:
Voltando do médico. Faremos exame sorológico (pra detectar se é mesmo dengue) na terça. No meu caso, disse a médica, provavelmente é. Isso porque, além da queda brusca nas plaquetas, estou com lesões no fígado. Todos os sintomas apontam pra dengue, mas ainda pode ser virose. E quando meu corpo se livrar dessa, meu fígado fica bem de novo.
UPDATE 3: O exame de sangue de hoje de manhã (15/3) doeu um monte. Mas as plaquetas voltaram a subir, aleluia! Agora estou normal, com 289 mi/mm3, e o maridão com 221. Fizemos o exame sorológico mas o resultado confirmando a dengue demora pra sair. Todos os médicos acham que é e que o pior já passou. Eu ainda estou com náusea e falta de apetite porque meu fígado foi afetado, e vai demorar um pouco pra se recuperar. Já o maridão nem exame de sangue tem que fazer mais.
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