Showing posts with label Brasil. Show all posts
Showing posts with label Brasil. Show all posts

Wednesday, April 4, 2012

GUEST POST: BRASILEIROS RECLAMAM DEMAIS

Aproveitando que nosso patriotismo deveria estar um pouco em alta, depois que o Brasil adotou medidas de reciprocidade para turistas e visitantes espanhóis (o que deixou a Espanha, que está numa séria crise, tristinha), publico hoje o guest post da Ana Paula, uma brasileira que mora nos EUA há oito anos. Ela é engenheira civil com mestrado e doutorado em Geotecnia, e é professora da Universidade da Flórida.
Não concordo com tudo que ela diz no post, mas não há dúvida que brasileiros, principalmente os de classe média, na qual me in
cluo, reclamam demais, e muitas vezes de barriga cheia. E basta morar um tempinho no exterior pra constatar que aquele mito de que "país civilizado é outra coisa!" é só isso, um mito. Eu vivi um ano nos EUA e tive um monte de problemas, daqueles que os brasileiros juram que só acontecem aqui. É disso que trata a indignação da Ana Paula.

Preciso desabafar e acho que você é a pessoa certa pra "ouvir". Essa minha revolta começou ao ler o post de uma amiga no facebook e ver a resposta de uma outra brasileira à ela.
Aqui está o post da minha amiga:
Recebi a conta da sala de emergência e estou chocada: 9,713 dólares! Deveria ser crime cobrar tanto de alguém que precisa de assistência médica! Não removeram meu estômago! Foi só dor! Meu seguro saúde pagou 8,406 dólares. O resto da conta, 1,300 dólares, sou eu que terei de pagar!" E aqui está a resposta que me deixou revoltada: Concordo contigo! Isso é fora de cogitação! Mas se fosse no Brasil, eles também teriam removido seu estômago!"
Estou tão de saco cheio dos brasileiros reclamarem do que têm. Moro nos EUA há 8 anos e quando vejo esse tipo de comentário, fico revoltada. É essa mania de todo mundo achar que lá nada presta e aqui tudo é uma maravilha. Durante uma visita ao Brasil, minha filha, então com um ano e meio, precisou ser levada a um ER, num domingo, pra fazer um enema. Esperei uns 15-20 minutos na sala de espera e fui levada pela enfermeira direto à sala da médica que já estava lá a minha espera. Fui super bem atendida e logo em seguida, a enfermeira veio nos buscar e levar pra sala do procedimento, sem esperas, e saí de lá com custo zero!
A mesma coisa já tinha acontecido aqui nos EUA quando minha filha tinha 3 meses, também num domingo. Ficamos uns 10-15 minutos na sala de espera. Mas aí vem a enfermeira te colocar numa sala, fazer mil perguntas (que serão perguntadas novamente pelo médico) e ficamos lá, uns 45 minutos esperando o médico chegar. O mesmo procedimento foi feito. A conta? Mais de mil dólares, dos quais meu seguro pagou uma parte e me sobraram U$ 350. Agora, e quem não tem seguro? Faz o quê?
No caso da minha amiga, foi descoberta uma úlcera, imagino que tenham feito exames. Mas uma conta de quase 10 mil?! Acho o atendimento médico no Brasil muito superior ao daqui. Mesmo quando se tem seguro saúde, os médicos sofrem uma pressão muito grande das seguradoras pra reduzirem pedidos de exames, procedimentos etc. Numa gravidez aqui, se fazem um ou no máximo dois ultrassons. Acho que aí no Brasil, mesmo pelo SUS, fazem-se uns seis ou sete.
E o sistema odontológico, então? Aqui, além dos dentistas quererem sempre partir pra canais, coroas e extração do dente (é a filosofia do “pra que arrumar, quebrou, joga fora”, como tudo aqui), o custo é absurdo. Conheço famílias que esperam uma viagem aos seus países de origem pra fazerem o tratamento. Mesmo com plano dental, os procedimentos são pagos somente 20% a 50% (quanto mais caro o procedimento, menos eles pagam). Eu nunca vi tantas pessoas jovens com dentes tão arruinados, pretos de cárie ou mesmo faltando muitos deles. E pessoas jovens. E não são pessoas paupérrimas não. Outro dia vi duas mulheres na Disney assim. A entrada na Disney custa caro, então dá pra imaginar que elas não eram muito pobres. E a faculdade de odontologia daqui não aceita nem o plano de saúde que a própria universidade oferece aos demais funcionários, quanto mais atender à população pobre de graça ou a custos módicos como as universidades do Brasil fazem.
Mas não foi só pelo comentário maldoso em relação à saúde no Brasil que fiquei revoltada. É porque tô cansada mesmo de ver brasileiro reclamando. Pode ser sim que ainda existam muitos problemas a serem solucionados. Por exemplo, a segurança. Eu admito que na cidade onde moro a gente pode andar tranquila, sem ter que se preocupar em ter a janela do carro fechada, ou ter que estar sempre agarrada à bolsa. Mas aposto que nas grandes cidades americanas existem problemas de segurança também.
Sabe o que tem me irritado também? As reclamações sobre a Copa no Brasil. Odeio ver no FB o famoso post mostrando números relacionados com a Copa e reclamando que primeiro deveriam arrumar escolas, estradas etc... Parece que o brasileiro sempre reclama de barriga cheia e tá sempre insatisfeito. Lola, você aposta quanto que, se o Brasil tivesse perdido mais uma vez ser sede da copa, tava todo mundo reclamando e metendo a boca na FIFA e se achando injustiçado porque afinal, somos os únicos pentacampeões, e nada mais justo que a copa fosse no Brasil?
Enfim, acho que é só quando a gente vai morar em outro lugar pra aprender a dar valor ao que tem. Cada pessoa que reclama do Brasil deveria ser obrigada a morar um ano aqui. Aposto que iriam voltar para o Brasil de braços abertos. Capaz até de beijarem o solo brasileiro, à la João Paulo II, quando aterrissassem!

Saturday, October 1, 2011

GUEST POST: O PAPELÃO DA IMPRENSA NA HOMENAGEM A LULA

Tenho leitor@s tão especiais espalhad@s pelo mundo que sempre há alguém no lugar certo na hora certa! Desta vez foi a Lia, que é do Ceará e está cursando mestrado numa universidade argentina. No momento, ela está em Paris, fazendo intercâmbio.
Na terça-feira, o Sciences Po, Instituto de Estudos Políticos de Paris, entregou a Lula o título de doutor honoris causa. Não é a primeira nem a última homenagem que Lula recebe, mas nossa elite só falta pegar em armas a cada novo agrado. O que mais repercutiu pelo mundo foi a hostilidade que a imprensa brasileira presente na França dedicou ao diretor do Instituto por ter ousado conceder um título tão importante (foi apenas o 16o em 140 anos, e o primeiro entregue a um latino-americano) a um ex-presidente corrupto, sem diploma universitário, praticamente analfabeto, e sem um dedo. Por que Lula e não FHC, bradou em coro a imprensa brazuca ― que não, não representa os interesses da elite no país. É só impressão. Complexo de viralata, a gente se vê por aqui. Você consegue imaginar a mídia de algum outro país se queixando que o homenageado não merecia tal graça, mas seu antecessor, sim? Acho que não. Esta entra pra série “Só no Brasil”.
Bom, Lia esteve na homenagem e conta tudo.

Antes mesmo de sair de casa, falei super animada pro meu namorado alemão, pelo skype, porque ele está no Rio, que iria ver o Lula numa conferência na Sciences Po, e ele respondeu: Preferiria ver o Fernando Henrique Cardoso. Eu pensei que ele estava brincando e soltei: que cerdo capitalista! [cerdo é porco em espanhol]. E aí ele me veio com mil argumentos que uma conferência de FHC seria muito melhor que a de Lula e blablabla, que FHC é doutor, seria de muito mais aproveitamento acadêmico, que o Lula só teve a sorte de ter pegado o bonde andando, que as primeiras reformas e ajustes econômicos foram feitos pelo FHC, que o bolsa família foi criado por ele, etc etc. E inclusive falou dos episódios de corrupção e de como foram tolerados pelo Lula. Nossa, tive que resumir 25 anos de história numa discussão de 40 minutos. Isso você já sabe, mas o alemão não sabia que corrupção sempre existiu, que isso não ia mudar da noite pro dia no governo do Lula, que a corrupção foi mais denunciada durante seus dois mandatos porque a imprensa está na mão de quem faz oposição, que a Globo conspirou para que Lula fosse derrotado em 89, que essa mesma Globo estava com medo (vide Regina Duarte) do Lula em 2002, que historicamente a elite tem o controle dos meios de comunicação.
Era tanto argumento desfavorável ao Lula que eu apelei para o que mais me toca no seu governo. Lula começou uma revolução social, no sentido de diminuir as desigualdades sociais e econômicas entre as regiões do país, levando investimentos e projetos ao Norte-Nordeste, que antes só ficavam no eixo Sul-Suldeste. Os benefícios dessa descentralização já se podem ver na economia brasileira, porque a classe C é a que mais consome, e é essa classe que está sustentando o desenvolvimento do país, além de outras consequências como a inversão dos fluxos migratórios e a implicância econômica das migrações internas. Eu disse pra ele que ele tinha que parar de ser pessimista, e que às vezes o senso comum também é correto e sábio (Lula saiu com mais de 80% de aprovação).
Esse meu namorado é do tipo que não sabe terminar uma discussão sem vencer (nem eu!) e me chamou de nordestina que se faz de vítima. Nossa! Aí foi uma nova discussão sobre privilégios (que "aprendi" no seu blog). Ele Homem, Branco, Europeu, da Capital Berlim não pode falar nada sobre discriminação, porque nunca sofreu nenhuma, pelo contrário; em todo lugar que ele chegou, principalmente na Argentina (que é racista pra caramba), as portas se abriram pra ele.
Bom, assim que cheguei para a conferência em Paris percebi o tumulto de gente esperando para receber Lula. E eu que pensava que o status de Lulinha popstar só existia no Brasil.
Me juntei à multidão num lugar estratégico por onde passaria Lula para tirar uma foto bem de perto, já que aos alunos nos cabia o segundo andar do auditório. Troquei um par de palavras com conterrâneos brasileiros que não conseguiram entrada para o evento, e pasmem, eles eram estudantes de doutorado da conceituadíssima Universidade Sorbonne. Eu me senti uma privilegiada, mas mesmo assim, arrisquei meu valioso lugar no auditório para ficar na entrada à espera.
O ex-presidente Lula iria ser condecorado com o 16o diploma de Doucteur Honoris Causa em 140 anos de história. Finalmente, após a conferência fechada à imprensa, Lula iria passar por nós. Toda a formalidade do presidente, diretor e professores em becas de gala, quase vai por água abaixo devido à informalidade das pessoas gritando o nome de Lula ao som de uma das nossas inspiradas batucada. Momento único em que essa instituição secular se rendeu ao barulhento carnaval brasileiro para recepcionar Lula.
Eu, que deveria ter ido ao espaço reservado aos estudantes, entrei junto com a comitiva de seguranças. Sorte. E tinha um lugarzinho pra mim. Eu estava emocionada, o Lula parecia emocionado, isso só pela calorosa recepção, mas muito ainda estava por vir.
Os discursos foram emocionantes do começo ao fim. Foi minha primeira oportunidade de escutá-lo e vê-lo ao vivo. Lula improvisou antes e depois do seu pronunciamento formal. Seu carisma é indescritível. Sobre o conteúdo dos discursos, aqui estão na íntegra. E aqui está o pronunciamento formal do presidente.
Foi um discurso emocionante para mim, que votei nele nas suas duas eleições (inaugurando meu título de eleitor em 2002), e também para os não brasileiros. Sou testemunha!
Mas o mais impressionante estava por vir. Impressionante, para não dizer ridículo, foi o papelão que fez a imprensa brasileira perante o resto do mundo. No dia seguinte, vejo o resultado da entrevista coletiva feita pela nossa imprensa tão imparcial. Pareciam indignados porque Lula, e não FHC, que estudou e lecionou na Sorbonne, foi agraciado com o título. Tão ridícula foi a pergunta da jornalista Deborah Berlinck, do Globo, que virou piada.
Resumindo: a instituição francesa teve que sair em defesa do presidente Lula pelos mais diversos ataques por parte da imprensa nacional. Houve até jornalista que sentiu vergonha alheia, como o argentino Martín Granovsky, que publicou uma crônica sobre o episódio, intitulada "Escravistas contra Lula".
Ah... não podemos esquecer o Jornal Nacional, que deu uma notinha de 17 segundos (!) à homenagem, e depois passou uns bons 5 minutos se autoelogiando na mesma edição. Ou da Folha, que não deu uma mísera linha ao título dado a Lula, mas falou sobre um evento no Instituto FHC.
Bem, o que dizer?
Eu moro fora do país há quase três anos e isso não é novidade. Aqui fora o Brasil é destaque pelos seus feitos, pela redução da pobreza, pelo aumento do poder de compra dos brasileiros (famosos por serem turistas gastadores), e pela projeção internacional que o país conquistou e segue buscando. Já dentro do Brasil não parece que há esse respeito e admiração. Há um derrotismo que a imprensa prega e a antiga classe tradicional acredita. Nunca os empresários ganharam tanto dinheiro no nosso país. Multinacionais brasileiras florescem e tomam o mercado mundial e já dominam grandes mercados latino-americanos. Só que a classe média se queixa por ter que engolir um “pobre” comprando carro novo, pobre no Orkut e no Facebook, porque agora eles têm computador e conexão de internet, pasmem!
Pois é Lola, não tenho muito mais a dizer, porque mais uma vez a imprensa brasileira deixou a piada quicando, pronta pra chutar: #PorquenaoFHC?

Monday, September 19, 2011

ESTRANGEIROS NOTAM QUE BRASIL MUDOU. AVISEM OS BRASILEIROS

Foi um leitor no Twitter que, injuriado, me pediu pra ler a matéria da revista National Geographic. Como ela está em inglês, suponho que seja da edição internacional. A princípio, não entendi o título, que na realidade são dois: “Machisma” (que diabos é isso?) e “O Girl Power do Brasil”. Como assim, Girl Power? O artigo nem fala de meninas (girls), e sim de mulheres. Mas é até bem pesquisado, e o tema, a julgar pelo subtítulo (eu que traduzo), é “Como uma mistura de empoderamento feminino e novelas picantes ajudou a diminuir a taxa de fertilidade brasileira e alimentou sua economia vibrante”. Basicamente é sobre como houve uma mudança drástica na sociedade brasileira. Agora a média de filhos é de 1,9 por casal, menor que a americana.
Esqueceram de avisar os brasileiros. Sempre que a nossa classe média fala do subdesenvolvimento do país e de por que não vamos pra frente, joga a culpa nos brasileiros (geralmente nordestinos) que têm dez, quinze filhos. Esta obviamente é uma visão elitista, porque ninguém critica famílias ricas que querem ter um time de futebol. Já cansei de ver gente defendendo esterilização em massa para pobres.
Essa galera está mal informada em pelo menos três décadas. Não sabe, ou não crê, que o Brasil não é mais um país rural. Agora somos majoritariamente urbanos. Portanto, aquela prole numerosa que era útil no campo torna-se um estorvo nas grandes cidades, onde o custo de vida é alto. Em menos de duas gerações, de acordo com a reportagem, a média de filhos dos brasileiros foi de 2,36 para os atuais 1,9. Este é quase um crescimento negativo (ou seja, morre mais gente do que nasce), e, ao contrário do que pensa nossa classe média, isso não é necessariamente bom. Primeiro porque é uma questão de tempo para que sejamos ultrapassados no título da quinta maior população mundial. E uma das nossas forças, da atração que o Brasil exerce sobre os outros países, é justamente ser tão populoso (um número maior de consumidores). Segundo que ter crescimento negativo envelhece a população, o que acaba arrebentando um já frágil sistema de previdência.
Com esses dados nas mãos, e tentando entender porque levou 120 anos para a população declinar na Inglaterra, e aqui, levou 40, a pesquisadora Cynthia Gorney foi atrás de explicações. Fora a industrialização do país, a oferta de pílulas anticoncepcionais num país católico, mas católico relaxado (uma característica muito nossa — ninguém leva a religião menos a sério que a gente, exceto quando o papa vem visitar o maior país católico do planeta. Aí sim viramos todos apostólicos romanos), em que poucos acham pecado controlar a reprodução, um dos motivos pra nossa baixa taxa de fertilidade é que inúmeras mulheres foram esterilizadas. Muitas sem querer, o que é criminoso. Outras querendo, e pedindo pra que o médico engatasse uma cesárea (somos recordistas) com uma ligação de trompas.
Mas aí a pesquisadora entra num terreno movediço sobre a força das brasileiras. Lógico que eu, como feminista, adoro essa ideia. O problema é que o tom do artigo dá a entender que esse empoderamento das mulheres é algo negativo. A pesquisadora diz que, apesar do machismo e dos altos índices de violência doméstica, nós, ao contrário dos americanos, elegemos nossa primeira presidenta. Segundo um obstetra chileno que mora no Brasil há décadas, entrevistado pela reportagem, “A taxa de fertilidade declinou porque as mulheres decidiram que não queriam mais filhos. As mulheres brasileiras são muito fortes. Foi só elas decidirem”. É bom saber que a gente é forte, não?
Uma executiva de marketing do Rio consultada pelo artigo conta: “Nós mudamos tão rápido. Decobrimos que para muitas mulheres jovens, a primeira prioridade é a educação. A segunda é a profissão. E a terceira é ter filhos e um relacionamento estável”. Não sei quanto a você, mas eu considero fascinante ver uma revista estrangeira falando da nossa mudança de prioridades.
Só que a pesquisadora não parece achar bom que as brasileiras estejam querendo ter menos filhos para investir mais em cada um. E então ela fecha a reportagem (deixando aquela lenga lenga de novelas picantes sem explicação) com uma contradição. Ela senta com um grupo de meia dúzia de jovens executivas em SP. Depois de folhearem revistas para pais (ou melhor, mães) cheias de anúncios de produtos de luxo para bebês, o grupo conclui que não precisa daquilo e que quer uma vida mais simples. Pô, o que incomoda tanto a pesquisadora? Pelo que ela mesma escreveu, as brasileiras mudaram, sabem o que querem, e têm poder. Como isso é ruim?
Então eu quis saber o que incomodava o meu leitor, aquele que pediu pra que eu lesse o artigo. E fiquei pasma: ele estava revoltado com a reportagem porque ela ia contra o que ele ainda acreditava sobre o próprio país — que por aqui os pobres continuam tendo filhos às pencas. Para ele, era inaceitável que a pesquisadora não tivesse citado o caso de seu estado em particular, porque lá sim, ele tinha certeza, a situação era diferente. Expliquei pro rapaz que a pesquisadora fala da média de filhos no Brasil; logo, ela não tem que falar de cada estado. Tenho percebido que as pessoas têm dificuldade com essa palavrinha, média. Outro dia estava falando com alunos sobre média salarial no Brasil e eles começaram a falar que não é assim, que alguns ganham mais, outros menos, e eu respondi que era exatamente isso, estávamos falando da média. Pelo jeito é um conceito abstrato que as pessoas não aceitam muito bem, como vi por esse leitor, que queria porque queria que os resultados da reportagem se encaixassem na sua noção pré-concebida (e atrasada em três décadas).
Pois é, gente: mudamos. Adaptem seus pensamentos à nova realidade. E não temos o que temer: a realidade é amplamente positiva. Somos o país do futuro. Agora vai.

Wednesday, September 7, 2011

NOSSA DOUTRINAÇÃO MARXISTA DE TODO DIA

No Dia da Independência eu sempre me lembro de uma aula que observei durante meu estágio de Pedagogia (eu só não me lembrava que já a havia contado aqui). Isso foi em 2001 ou 02. Era uma terceira série num turno intermediário (horário de almoço), porque Joinville, a maior cidade de SC, no Sul Maravilha, não tinha escolas para todos os alunos (e isso que Joinville só teve governos de direita, desde sua fundação, em 1851, até 2008). A professora era daquelas pouco interessadas em ensinar, ou sequer em dialogar com as crianças. Eram aulas muito tristes e silenciosas, em que ela passava a matéria no quadro, e os alunos copiavam.
Mas de vez em quando ela explicava alguma lição. Por exemplo, na semana que antecedeu o 7 de Setembro, ela decidiu lecionar um pouco de História: “Os portugueses chegaram aqui e não tinha ninguém, então eles ficaram com o Brasil. Não é que eles tiraram de alguém. Eles acharam. Sabe como quando a gente acha alguma coisa perdida na rua e fica com ela? Foi assim”.
Um aluninho levantou a mão e perguntou: “Mas professora, e os índios?”. Ela não gostou e o mandou ficar quieto. Em seguida ela lamentou a proclamação da independência, porque bom mesmo era ser colônia de europeus. Eu quase entrei em estado de choque.
Essa senhora era outra que podia fazer revisionismos históricos e escrever guias politicamente incorretos do Brasil e da América Latina pros leitores da Veja. Sabe, pra salvar nossas crianças indefesas das garras dos professores comunas. Ia fazer o maior sucesso.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...