O 08 de Março é uma data histórica na luta contra a opressão das mulheres de todo o mundo e nós mulheres estudantes também estamos nessa luta!Apesar das inúmeras vitórias conquistadas pelas mulheres ao longo dos anos, muitos são os desafios para nossa emancipação. Não podemos nos enganar com o discurso triunfalista. O machismo ainda existe e é estruturante no sistema vigente. Ele organiza a divisão social do trabalho definindo tarefas de homens e de mulheres e seus papéis na sociedade, além de mercantilizar o corpo da mulher.
A crise do sistema capitalista e patriarcal atinge principalmente as mulheres, com demissões e a redução de seus salários já tão desiguais. Tais consequências nos impõe a esfera privada, estimulam a prostituição e o tráfico de mulheres.
Nós mulheres reafirmarmos: Não pagaremos por esta crise! E nossa resposta será dada nas ruas em unidade com todos os movimentos sociais.
A universidade, também, tem que ser das mulheres!
O corte no orçamento de 55 bilhões, anunciados pelo governo, impacta diretamente em áreas estratégicas como a educação, que em 2011 e 2012 sofreu um corte de 3,1 bilhões e 1,9 bilhões respectivamente.
Nós mulheres somos maioria no ensino superior e não ficaremos caladas frente essa atitude do governo! Lutamos por uma universidade pública, gratuita e de qualidade que seja também para as mulheres brasileiras. A universidade que temos hoje é estruturada por uma educação sexista e nossos currículos ainda apresentam conteúdos androcêntricos que não consideram a história de luta das mulheres, assim como sua contribuição na sociedade. A nossa participação nos espaços de chefias e nas pesquisas e na pós-graduação ainda é restrita. Nos cursos “socialmente” masculinos, as mulheres estudantes enfrentam a violência sexista todos os dias, logo, é preciso criar mecanismos que verdadeiramente incluam mais mulheres nos espaços de construção e difusão do conhecimento.
Creches já!
A permanência das mulheres estudantes é ponto central para que possamos superar as opressões que se materializam cotidianamente nas nossas vidas. Atualmente, menos de 20% das crianças até 3 anos têm acesso a esse serviço no país. A oferta de equipamentos públicos que facilitem a vida das mulheres, a exemplo de creches e restaurantes populares, são sempre secundarizados ou com poucos recursos. Acreditamos que a pauta feminista deve ser transversal a todas as ações e políticas que o Estado executa. Queremos a entrega das seis mil creches prometidas até 2014 e que as universidades se responsabilizem por construir e implementar escolas de aplicação em tempo integral atendendo as demandas concretas das mães-estudantes. Também é tarefa nossa tratar das políticas de ações afirmativas dando o recorte racial e atendendo as demandas de permanência, descolonização do conhecimento e do combate ao racismo e machismo.
Chega de violência, somos mulheres e não mercadoria!
Sob esse lema nós condenamos os trotes e calouradas machistas que se repetem nas diversas partes do país. A violência contra a mulher não pode ser naturalizada ou tratada como piada. O corpo e a vida das mulheres são expostos como objeto de consumo, essas relações de poder necessitam ser mudadas e não podemos tratar disso de forma descolada do combate ao sexismo. O machismo mata e violenta! Nossa tarefa é combater suas diferentes formas de expressão!
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