Série Panorama Político
Gestão Gil Cutrim têm a obrigação de exorcizar os fantasmas de Luis Fernando Silva em prol de uma dicção administrativa dinâmica, original e incólume; repetir os passos do antigo prefeito pode vir a custar caro
Por Fernando Atallaia
Da Agência Baluarte
A propagação de uma gestão moderna, contemporânea, antenada com o pensamento pioneiro da Administração Pública e com conceitos avançados da chamada Gestão de Cidades, tão levada a sério pelos meios de comunicação pagos para fazer a propaganda oficial de Luis Fernando Silva em São José de Ribamar, acabou esbarrando na desmistificação do que foi apregoado: a realidade do município é hoje o retrato de uma infra-estrutura esfacelada e uma prestação de serviços morosa, engessada e nada dinâmica. Luis Fernando Silva falou mais do que fez. Ou melhor, fez mal o que falou. Bem mal. A grande maioria dos ribamarenses intitulou recentemente de ‘asfalto isopor’, as coberturas rasas do produto posto pelo antigo prefeito, hoje secretário do Governo Roseana. Uma das muitas heranças malditas deixadas como dádivas ao atual titular do executivo, o ‘asfalto’ já se deteriorou às muitas maneiras e São José de Ribamar caminha para abraçar São Luis na gritante quantidade de crateras existentes em toda sua extensão.
A culpa não é de Gil Cutrim, nem seria de Julinho e nem tampouco do saudoso J. Câmara. A culpa dialoga com a exacerbada prepotência e senso de mito inquestionável a que Luis Fernando é pego de assalto em sua convulsionada consciência. Obviamente, que para quem nunca teve a porta, como bem diz o povo, rua ou avenida calçada pelo famoso e requisitado asfalto, peça que confere dignidade e inclusão social às cidadãos, uma pontinha da matéria rara é sempre bem-vinda. Luis Fernando atacou justamente ai: no ideário dos famintos por justiça e reconhecimento social. Só que a politiquice gestada pela politicalha do então prefeito, o fez ir longe demais. Luis Fernando se tornou à época uma espécie de elemento catalisador das substanciais e inefáveis demandas do município. As muitas ofertas lhe agradavam e o retorno imediato aos montantes recebidos ainda não eram visíveis, pelo menos para a população de São José de Ribamar. Hoje já o são: buracos, crateras, esgotos a céu aberto, praças sucateadas, promessas não cumpridas, reclamações e denúncias (só a ANB On Line recebe em torno de duzentos telefonemas diários vindos das diversas comunidades do município) da grande maioria dos habitantes da extensa e carente cidade balneária.
Andar por cima ou atrás dos passos de Luis Fernando Silva pode vir a custar caro a Gil Cutrim. Sua imponência ultrajante junto às comunidades criou uma antipatia generalizada em bairros tradicionais do município. O antigo ‘gestor’ delegou às posições mais humilhantes, secretários de governo e lideranças comunitárias em seus anos de protagonista do papel do executivo e dublê de administrador. Cutrim pode livrar-se do sinistro e tórrido modelo imposto pela sombra dominadora e desanuviada de Luis Fernando. Para tanto o prefeito tem a seu favor, além da jovialidade (que não garante uma boa gestão), parte da equipe dotada de sobriedade e com sinais de mudanças conceituais. Cabe a Cutrim aproveitar a oportunidade, literalmente. Escorregar no discurso falho, falacioso, fincado na argúcia do líder incompetente e voraz que tudo pode, alavanca a promoção individual e a rápida representatividade, em contrapartida, quando a verdade aparece e ela sempre aparece, a má qualidade dos serviços e ausência de projetos sociais sólidos, sinceridade, essência, integridade, super abundam.O pagamento se recebe nas urnas.
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